Vale a Pena Orar?

Decidi compartilhar esse texto, do Ariovaldo Ramos, porque ele demonstra meus conflitos em 2010 e dá um "gás" pra nos ajudar não desistir da fé e chutar o balde quando estamos cansados de ser enganados...

"Vale a Pena orar?

Jesus nos ensinou a pedir a vontade do Pai. Mt 6.10
O Espírito Santo intercede por nós, falando o que Deus quer ouvir. Rm 8.27
Deus só faz o que quer, mas, o que Deus quer é sempre o melhor. Rm 12.2

Entretanto, falar com quem só faz o que quer deixa pouco espaço para quem com ele fala. 
Parece só restar a frase atribuída a C.S. Lewis, no filme Terra das Sombras: “Não oro para que Deus faça a minha vontade, mas para que me adeque à vontade dele.”

É possível, portanto, concluir que não vale a pena orar.

Mas, as nossas orações estão em taças de ouro! Ap 5.8
E nós, os que cremos, somos sacerdotes que reinam. Ap 5.10
E sacerdotes reinam por meio da oração.

Abraão teve atendida uma oração que não conseguiu verbalizar.
Porque Abraão, orando por Sodoma, pediu que, se encontrasse 10 justos, Deus poupasse as cidades, mas os anjos não encontraram tal contingente. Gn 18.16-33
Abraão, ao orar, lembrava-se de Ló, e Deus salvou Ló, por lembrar de Abraão. Gn 19.29

Moisés ordenou que o povo de Israel lutasse com os amalequitas, porque atacaram a Israel.
Arão e Hur perceberam que era pela oração de Moisés que a batalha era ganha, e sustentaram as suas mãos até Amaleque ser desbaratada. Ex 17.9-13

Josué orou e Deus deteve o movimento do Universo” Jo 10.6-15
"Não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, tendo o Senhor, assim atendido à voz de um homem; porque o Senhor pelejava por Israel.” Jo 10.14

Ana, movida pela aflição e pelo excesso de ansiedade orou por um filho.
Eli, o Sumo Sacerdote,  que 1º a julgou embriagada, quando a compreendeu, a abençoou.
E Deus lhe concedeu um filho, Samuel, porque lembrou-se dela. 1Sm 1.10-20

Um anjo lutou 21 dias contra as potestades da Pérsia para atender a oração de Daniel.
Porque, disse o anjo: “foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim. Dn 10.10-14

Jesus, a pedido, fez um milagre antes da hora (v4), para manter um estado de festa. Jo 2. 1-11

Jesus atendeu a uma mulher antes do tempo. Mc 7.24-30

Jesus incitou a pedir para Deus permitir que o inevitável aconteça em tempo onde mais gente possa se salvar. Mt 24.20

Jesus disse que se um juiz iníquo pode vir a atender a um clamor, quanto mais Deus que é justo. Lc 18.1-8

Por princípio e definição todo desejo de orar é ímpeto para Deus.

Paulo orou contra o que havia visto e admoestado (At 27.21-24) e Deus salvou a todos que estavam em estado de morte certa. At 27.9-26

Deus só faz o que quer, e tem de ser assim, porque o melhor é sempre o que Deus quer; mas vale a pena orar porque o querer de Deus é mais extenso, abrangente e inclusivo do que qualquer ser humano é capaz de imaginar!"

João Vítor

Carta de Deus aos Solteiros


Carta de Deus aos solteiros!

Todo mundo tem sede de se abrir completamente com alguém… 

De ter experiência de um relacionamento profundo com alguém, de ser amado inteiro e exclusivamente.


Mas, Deus diz ao cristão:

"Primeiro, você tem que se sentir completamente satisfeito, contente por ser amado só por Mim, aí
quando você se der totalmente e sem reservas a Mim, quando você tiver um relacionamento pessoal e único
descobrindo que só eu completo sua satisfação, você será capaz do relacionamento humano perfeito que
preparei para você.

Você nunca será unido a outro ser enquanto não se unir comigo sem referência a ninguém, a nada mais, sem
referência a outro desejo ou sonho. Pare de fazer seu próprio plano e deixe-me oferecer-lhe o plano mais
emocionante que existe, um que você nem imagina. Quero para você o melhor, permita que Eu lhe traga o melhor. Ponha os olhos em mim, espere grandes coisas, continue a experimentar a satisfação que Eu sou. Continue a escutar e aprender aquilo que Lhe digo.

Aguarde. Isso é tudo, sem ansiedade, sem preocupação. E não olhe para as coisas que você pensa desejar.
Eleve os olhos para o alto, para além, para Mim, pois ao contrário, vai perder o que quero lhe mostrar. E
então, enquanto você e seu alguém não estiverem preparados (porque Eu estou operando para que
os dois estejam preparados simultaneamente), enquanto ambos não se satisfizerem exclusivamente em Mim, não poderão experimentar o amor que exemplifica o seu relacionamento Comigo. É o amor perfeito. E Eu quero, de coração, que você tenha o amor mais lindo. Desejo que você veja em carne humana um retrato de seu relacionamento Comigo, e que viva em vida concreta e material a união eterna da beleza, perfeição e amor que Eu lhe ofereço com a Minha presença. Saiba sempre que você tem Meu amor completo..."

Autor desconhecido

Que Deus nos abençoe.

João Vítor

Ovelha


“Uma ovelha fala da vida no rebanho

O nosso dono é o meu pastor, ele não terceirizou o nosso apascentamento, ele mesmo cuida de tudo e eu não preciso de mais nada.

O movimento de nosso pastor é me levar a descansar. Ele nos coloca num pasto estourando de verde, e eu como daquela abundância! Mas, miraculosamente, contrário ao que me seria natural, ao invés de comer, vorazmente, até consumir a própria raiz da relva toda, eu como a me saciar e deito-me em completo descanso. Nosso pastor me faz compreender que não preciso me desesperar, sempre haverá alimento para nós.

Aí, ele nos leva para tomar água, e como eu sou estabanada, e qualquer movimento me leva a perder o equilíbrio, ele me leva a um lugar especial: não é água parada, então, não corro o risco de contrair nenhuma enfermidade; e, também, não são águas corredeiras, então, não corro o risco de ser arrastada pela correnteza; são águas tranqüilas, e, nesse estado de descanso, me dessedento tranquilamente, sabendo que não serei atacada enquanto me inclino para beber, porque o nosso pastor cuida de mim.

Eu vou com o nosso pastor por qualquer caminho. Eu me deixo conduzir! Não saio do estado de descanso, porque o nosso pastor escolhe sempre o melhor caminho... É uma questão de honra para ele!

Mesmo quando eu não consigo ver um palmo a frente do nariz, quando o caminho está coberto por uma sombra que parece cobrir qualquer luz, e percebo que a própria morte me espreita, e que é um caminho estreito, escorregadio, perigoso, que basta resvalar uma das patas para precipitar-me desfiladeiro abaixo... Eu não tenho medo! O nosso pastor está comigo e me protege: ele tem como, eficazmente, me puxar, se eu ameaçar cair; e eu sei que ele, pronta e precisamente, tocará na pata que estiver a ponto de escorregar e terei como endireitar o meu passo. Isso me consola em meio a essa escuridão, e permaneço em estado de descanso.

E quando lobos, leões, ladrões e mercenários se aproximam... Prontos para o ataque! O nosso pastor, ao invés de sair afugentando-os, prepara um banquete para mim, e continuo a desfrutar do descanso, da paz e de alegria, como de um copo a transbordar! Fica claro, para mim, que os meus inimigos não têm como me alcançar. O nosso pastor é uma barreira intransponível!

Eu quero ficar para sempre nesse rebanho! Aqui eu desfruto da bondade e da misericórdia do nosso dono e pastor. E o nosso pastor me garante que ficarei sempre aqui, com ele, desfrutando desse descanso promovido por sua bondade e misericórdia. Ele nunca vai embora... Ele mora conosco... Melhor! Ele mora em nós e nós nele! Nós somos a casa dele, e ele a casa da gente!

P.S. Talvez você me pergunte: Como é isso? Você fala de ser pastoreado por um pastor único e incomparável, e fala na primeira pessoa do singular, quando sabemos que um pastor apascenta rebanho e não, individualmente, a cada ovelha. Eu respondo: certa vez uma ovelha doutro rebanho qualquer, a observar como o nosso rebanho se movia em bloco, aproximou-se e me questionou sobre como a gente o conseguia. Eu lhe disse que era por causa de nosso pastor, nós o ouvíamos e o obedecíamos. Ela retrucou: Mas eu não consigo ver o seu pastor! E eu expliquei: é que o nosso pastor mora em nós! Nós estamos em rebanho, e o sabemos, mas, como ele mora em nós, embora ele fale a todas, cada uma de nós o ouve como se ele estivesse falando a cada uma de nós, de modo exclusivo. E sabe de uma coisa? Ele o está! De jeito inclusivo ele está falando de forma exclusiva a cada uma de nós. O nosso pastor é assim: nos mantém em unidade enquanto sustenta, em cada uma de nós, a particular identidade!”

Ariovaldo Ramos

Em outras palavras...

“1 O SENHOR é o meu pastor; de nada terei falta. 2 Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranqüilas; 3 restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. 4 Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte,
não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem.
5 Preparas um banquete para mim à vista dos meus inimigos. Tu me honras, ungindo a minha cabeça com óleo e fazendo transbordar o meu cálice. 6 Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do SENHOR enquanto eu viver.”

Sl. 23

Nossa música...

A porta, O pasto e o Pastor
(Puro & Simples)

Difícil foi o caminho
De todos que te seguiram
Mas perto o fim da estrada estava
Daqueles que entenderam
Que...

Tu és a porta, o pasto e o pastor
Que tu és tudo do que precisa o pecador
Tu és a porta, tu és meu Salvador

Soberana é Tua vontade
Que salva o pecador
Que lança fora o medo
Com o mais perfeito amor
Pois...

Tu és a porta, o pasto e o pastor
Que tu és tudo do que precisa o pecador
Tu és a porta, tu és meu
Tu és a porta, tu és meu Salvador

Que Deus nos abençoe

João Vítor

O pai de Jesus


Onde está seu pai?

Mãe (ou outro parente): “Nossa! Você tá agindo igualzinho seu pai!”
Filho: (de cara feia se sentindo ofendido): “Nada a ver...”

Por que a maioria dos homens que moraram com seus pais cristãos não está familiarizada, ou não tem, qualquer tipo de conceito bíblico, vivo e prático a respeito do papel do pai na família? Por que é tão difícil encontrar homens que são sábios, equilibrados, maduros, calorosos, compreensivos, incentivadores, corajosos, bons conselheiros... e com outros atributos de Jesus, o homem verdadeiro?
Além de encorajar você a orar, pedindo pra que Deus o leve para perto de homens mais parecidos com Cristo e, que um dia, possa se tornar um desses “espécimes raros” para as gerações de homens que está por vir, gostaria de compartilhar com você um texto muito bom sobre o assunto. É óbvio que o objetivo aqui neste texto é que você o aplique a si mesmo (refletindo sobre os seus conceitos que precisam mudar) e a partir de você mesmo (ensinando aos outros pais cristão que conhecer o que achar útil e bíblico). Não se sinta mal a respeito ou cobre do seu pai uma postura que você irá aprender agora também. Seja misericordioso! Que o mesmo Deus que te trouxe até aqui lhe conceda graça para que continue no caminho certo.

A transcrição a seguir da pregação (“O pai excelente – O exemplo de José”) de Ariovaldo Ramos, é uma das pregações mais valiosas que tive a oportunidade de ouvir a respeito do papel do homem como pai diante de Deus e diante dos filhos que O mesmo confiou a ele. Boa Leitura!

“O pai de Jesus e o significado da paternidade

José, pai de Jesus, foi alguém com quem Deus pôde contar para criar um filho para Si.
A primeira consciência que qualquer pai tem que ter é a de que ele é alguém com quem Deus está contando para criar filhos e filhas para Ele mesmo, Deus.

Mateus Cap. 1:
16 e Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo.
17 Assim, ao todo houve catorze gerações de Abraão a Davi, catorze de Davi até o exílio na Babilônia, e catorze do exílio até o Cristo.

José é crucial na vida de Jesus porque é José que torna possível a vocação de Jesus, pois Jesus é por definição a Raiz de Jessé, o filho de Davi; e ele só é a raiz de Jessé e o filho de Davi porque José o adotou, porque quem era da família de Davi, da família de Jessé e da tribo de Judá, era José. Maria era da tribo de Levi, prima de Isabel. Ainda que Maria, sem dúvida nenhuma, foi agraciada por Deus, ela não poderia cooperar com a grande missão de Cristo que era governar em nome da tribo de Judá, de quem o cetro jamais se afastaria como disse o seu pai Jacó (Gn. 49:8).
Portanto, é bastante possível pensar que José não é o pai de Jesus, o pai adotivo de Jesus, porque era casado com Maria, mas sim que Maria foi escolhida para ser a mãe de Jesus porque estava desposada com José. José era 13º geração de Davi depois do exílio e a próxima geração tinha de ser a do Messias, a 14º geração, cumprindo o círculo perfeito da ação de Deus na história pra trazer seu Filho ao mundo. Então, José é quem garante a palavra do Ancião em Ap. 5, quando ele diz: “Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu...” E Jesus só se tornou o Leão de Judá porque era filho de José. Então o pai é aquele que torna possível a vocação do seu filho, e isso é o que caracteriza José, de cara, ele tornou possível a vocação de seu filho, porque ele o adotou, lhe deu o seu nome, lhe deu a sua tribo e deu com a sua tribo e com o seu nome todas as promessas que ele carregava como filho de Davi, como 13º geração depois do exílio, ele transferiu ao seu filho todas as promessas que estavam sobre os seus ombros. Então pai excelente é aquele que torna possível a vocação do se filho.

18 Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. 19 Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente.

Ou seja, ele iria atrair a culpa para si porque ela seria apedrejada se ele dissesse que não tinha participação na gravidez (Lv. 20:10). Então ela seria apedrejada, mas se ele fugisse, não desse seu testemunho, não desse a sua palavra, ele atrairia a culpa pra si e pouparia Maria da morte. Ele era justo e ele resolveu o seguir espírito da lei e preservar aquela mulher e aquela criança, mas enquanto ponderava essas coisas eis que lhe apareceu um sonho um anjo do Senhor dizendo...

20 José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. 22 Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: 23 “A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel” , que significa “Deus conosco”. 24 Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. 25 Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.

Um pai excelente é alguém com quem Deus pode contar pra criar filhos pra si, foi exatamente o que o anjo disse a José: “Deus conta com você pra criar o Seu filho”.
Por isso é que eu entendo que José foi o maior de todos os servos de Deus; porque a homens como Moisés Deus confiou: a condução do seu povo, a homens como Davi confiou o reino sobre o se povo, a homens como Isaías, Jeremias, Ezequiel confiou a sua palavra, mas a José, o carpinteiro, confiou o seu filho, a José confiou o seu Filho, e deu a José o privilégio inalcançável, inatingível, por mais ninguém em toda história durante toda a eternidade, ele será pra sempre o único a quem o Filho de Deus chamou de pai, isso é extraordinário.
José era alguém com quem Deus podia contar. Quantos de nós após um sonho e uma palavra de um anjo simplesmente se levantaria para fazer o que recebeu ordem para fazer? É extraordinário! Um homem com quem Deus podia contar. É interessante e lamentável ver como os homens oram muito pouco e como os homens são tão menos interessados nas coisas de Deus, porque se os homens soubessem o quanto Deus conta com aqueles a quem Ele destinou pra ser sacerdotes da sua casa e principais interlocutores dEle, os homens certamente buscariam mais a Deus e entenderiam o quanto Deus quer falar conosco, o quanto Deus quer fazer de nós sacerdotes das nossas casas, sacerdotes dos nossos filhos. É extraordinário, esse era um homem com quem Deus podia contar... e contou. Um homem pronto a criar filhos para Deus, uma vocação profunda, extraordinária, de ter alguém sobre a sua responsabilidade que você não cria pra si, mas cria pra Deus. Sabendo que ele tem e tem de ter uma vocação que vai pra além de si mesmo, que o seu filho, a sua filha, tem de ter uma vocação que deve ir pra além de si mesmo. Pra além do pai. Eu sempre digo isso pras minhas filhas: “Eu não quero que vocês cheguem onde eu cheguei, eu quero que vocês cheguem onde jamais eu poderia chegar”. Como José criou o filho de Deus pra ir muito mais longe na vocação que a família de Davi trazia sobre si desde a palavra de Jacó sobre o seu filho Judá. Então, um pai excelente é alguém que Deus pode contar pra criar filhos pra si.

Mateus Cap. 2:
13 Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e lhe disse: “Levante-se, tome o menino e sua mãe, e fuja para o Egito. Fique lá até que eu lhe diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. 14 Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante a noite, e partiu para o Egito, 15 onde ficou até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu filho”.

Um pai excelente coopera com Deus na proteção de seu filho assim como no cumprimento do projeto de Deus pra ele, ou pra ela.

É interessante perceber como Deus podia contar com um cooperador, e é um cooperador inteligente. Ele recebeu uma ordem através do anjo, mas ele não saiu imediatamente, ele esperou anoitecer, esperou que todos estivessem recolhidos, para que ninguém pudesse dizer aos capangas de Herodes para onde foi aquela família e o que aconteceu com aquela família. Ele saiu com a mãe da criança na calada da noite, ninguém viu e ninguém soube. Ele sabia que Deus não estava apenas dizendo pra ele ir ao Egito, Ele estava dizendo pra ele: “Protege meu filho, cuida do meu filho, zela pelo meu filho, não deixa nada acontecer com o meu filho.” Ele então elabora uma estratégia, elabora um plano, ele não sai simplesmente e arruma a casa na frente de todo mundo, arruma as montarias na frente de todo mundo, carrega os animais na frente de todo mundo e sai com todo mundo sabendo em que direção ele vai com a mulher e com a criança. Ele vai de noite, ele espera a noite cair, ele espera o momento em que ninguém mais vai vê-lo, que ninguém vai perceber, ele espera o momento em que ele sai com a mulher e com a criança e ninguém sabe pra onde, de modo de que se no dia seguinte alguém aparecer na aldeia pra perguntar: “Onde está aquela família e aquele menino?”, ninguém sabe, “estava aqui ontem, devem ter ido embora de noite.”, “Pra onde foi?”, ninguém sabe, todos estavam recolhidos, todos estavam dormindo, ninguém tem a menor idéia.
Ele era alguém que cooperava com Deus, que sabia exatamente o que Deus estava pedindo, que sabia que Deus entrava com a orientação e ele entrava com a estratégia. Deus entrava com a orientação e ele entrava com a sua vida, Deus entrava com a orientação e ele entrava com tudo que tinha, com tudo que sabia e com tudo que podia, era um parceiro de Deus na criação do filho de Deus. O pai excelente coopera com Deus na proteção de seu filho, assim como no cumprimento do projeto de Deus pro seu filho, o pai excelente sonha pro seu filho os sonhos de Deus; É sempre uma tentação projetar-se nos seus filhos, mas o pai que já entende o projeto de Deus, o propósito de Deus, procura sonhar pros seus filhos os sonhos de Deus; porque sabe que é promessa de Deus pra si mesmo que seus filhos irão mais longe do que ele conseguiu ir, ele não vão se realizar nos seus filhos, Deus vai realizar nos seus filhos tudo o que quer realizar em toda sua geração. O pai excelente sonha os sonhos de Deus pros seus filhos e coopera com Deus na conclusão desse sonho.

19 Depois que Herodes morreu, um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, 20 e disse: “Levante-se, tome o menino e sua mãe, e vá para a terra de Israel, pois estão mortos os que procuravam tirar a vida do menino”. 21 Ele se levantou, tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel. 22 Mas, ao ouvir que Arquelau estava reinando na Judéia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Tendo sido avisado em sonho, retirou-se para a região da Galiléia.

É extraordinário, um pai excelente discute com Deus sobre o que é melhor para o filho. O anjo disse: “pode voltar para Belém, morreu Herodes”, mas ele prudentemente começou a perguntar no caminho, “Quem reina no lugar de Herodes?” e começou a receber a resposta “Arquelau filho de Herodes reina no lugar dele”, “E Como é Arquelau?”, e quando ele fez essa pergunta ele recebeu como resposta: “É muito pior do que o pai, se Herodes é ruim, Arquelau é cruel.”, Aí o texto diz que José parou, ele temeu ir lá, aí a gente pode deduzir sem uma sombra de dúvida que ele foi discutir com Deus o que era melhor para o seu filho, “É pra voltar mesmo pra terra onde reina Arquelau que é muito pior do que seu pai Herodes?”. Então Deus envia seu anjo e diz:”Você tem razão, lá não é o melhor lugar, vá para Nazaré, vá já para Nazaré.” E aí ele não só obedece a Deus, como ele conversa com Deus, ele se torna um parceiro de Deus, ele se torna responsável como Deus e ele ajuda Deus a cumprir as suas promessas, é extraordinário, ajuda Deus e coopera com Deus pra cumprir as profecias; esse ser humano aqui é extraordinário, um pai extraordinário, Deus tinha um filho extraordinário chamado José, tinha um sacerdote extraordinário chamado José e Jesus tinha um pai extraordinário chamado José, que zelava por ele como ninguém mais zelaria, que era parceiro do Pai eterno como ninguém mais poderia ser e que conversava com o Eterno como ninguém mais poderia conversar, foi o único ser humano que pôde entrar na presença do Eterno e dizer: “Eu vim conversar com o Senhor sobre o nosso filho, sobre o que é melhor pra ele.” O pai extraordinário discute com Deus o que é melhor pro seu filho, vai buscar de Deus o que é melhor pro seu filho, coloca de Deus os perigos que vê o seu filho correndo e chama Deus como parceiro para a criação do seu filho.

E Mateus 2 ainda nos diz que ele foi chamado “o nazareno”, justamente porque houve alguém que obedeceu ao Senhor.

40 O menino crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. 41 Todos os anos seus pais iam a Jerusalém para a festa da Páscoa. 42 Quando ele completou doze anos de idade, eles subiram à festa, conforme o costume. 43 Terminada a festa, voltando seus pais para casa, o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que eles percebessem. 44 Pensando que ele estava entre os companheiros de viagem, caminharam o dia todo. Então começaram a procurá-lo entre os seus parentes e conhecidos. 45 Não o encontrando, voltaram a Jerusalém para procurá-lo. 46 Depois de três dias o encontraram no templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. 47 Todos os que o ouviam ficavam maravilhados com o seu entendimento e com as suas respostas.

Um pai excelente educa seu filho para o cumprimento do seu propósito. Não sei se você sabe mais o primogênito era encargo do pai lá no antigo Israel, era o pai que cuidava do primogênito, o pai passava pro primogênito tudo que tinha e tudo que sabia, passava pro primogênito a sua profissão, passava pro primogênito o seu conhecimento das escrituras, passava pro primogênito toda a sua educação, eu não sei se você sabe, mas Jesus era extremamente culto, aliás há um judeu chamado David Flusser que escreveu um livro sobre Jesus, ele não é messiânico não, ele é dessa linha de judeus que estudam Jesus agora reconhecendo que Jesus foi o Judeu que tornou Israel conhecido e as escrituras de Israel conhecidas e reverenciadas em todo mundo, então é uma nova safra de estudiosos judeus que reconhece Jesus de Nazaré não como Messias, mas como certamente o judeu que mais trouxe destaque a história de Israel no mundo moderno. E aí eles estudam Jesus, e o David Flusser estuda Jesus e ele diz uma coisa muito interessante, ele diz que os cristãos sempre falam da cultura do apóstolo Paulo mas ele diz que Jesus de Nazaré era mais culto que o apóstolo Paulo, que as frases que Jesus de Nazaré diz dão conta de que ele leu os melhores textos escritos pelos anciões de Israel, que ele teve acesso a melhor educação, e mais, as frases que ele fala dão conta de que ele pelo menos falava quatro línguas, o aramaico, o hebraico, o grego e o latim, no mínimo, porque ele faz citações que os eruditos que conhecem a tradição de Israel sabem que ele precisava conhecer muito pra chegar até lá, precisava ter lido muito pra chegar até lá, e quem educa o filho primogênito é o pai na velha Israel. Quem diz ao filho o que é que ele deve ler é o pai, porque você não deve se esquecer jamais que lamentavelmente, é óbvio, as mulheres eram analfabetas, porque só aos homens era dado o privilégio de expor as escrituras, é claro que havia algumas que não o eram, mas no geral às mulheres não era dado o privilégio de ler e expor as escrituras, a fé judaica é uma fé iminentemente masculina, então tudo o que Jesus sabia nos primeiros 12 anos até chegar o chamado Bar Mitzvah ele aprendeu do pai, porque era assim que funcionava em Israel, então é o pai que o educa, é o pai que o conduz aos livros, é o pai que diz a ele o que ele deve ler, quem ele deve ler, quem ele deve buscar, o que ele deve considerar, e é interessante perceber que em muitos movimentos de Jesus ele lembra José que privilegiava o espírito da lei ao invés do rigor da lei, que foi o que o fez pensar em ir embora, porque se ele tivesse se mantido no rigor legal ele teria provocado a morte de Maria, mas ele evocou o espírito da lei e decidiu que o melhor era atrair a fúria da lei sobre si do que punir um inocente (no caso o bebê), e muitas vezes você vai ver no caminho de Jesus ele evocando mesmo princípio que o pai dele também tinha, que o segredo da lei de Moisés está no espírito dela e não no rigor aparente, então ele é quem educa o filho para o cumprimento do seu propósito, o menino sabia muita coisa pra além da sua idade do que normalmente a sua idade permitiria, o pai excelente é assim, educa o filho para o cumprimento do seu propósito, educa a filha para o cumprimento do seu propósito, e diz-nos mais o pai excelente discípula o filho...

Quando Jesus ensinava na sinagoga e as pessoas ficavam maravilhadas com ele em Nazaré a exclamação delas era assim, Mateus 13:

55 Não é este o filho do carpinteiro? O nome de sua mãe não é Maria, e não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?

Marcos 6:
3 “Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs?”E ficavam escandalizados por causa dele.

Ou seja, a comunidade, a comunidade de Nazaré , vinculava Jesus a José, “não é este o filho do carpinteiro”, “não é este o carpinteiro o que herdou o ofício do pai?”
Por aí você pode imaginar o quanto José protegeu Maria e Jesus, porque Maria tinha que ser odiada pelo povo, mas José o protegeu de tal maneira que a sua comunidade não conseguia olha pra ele sem se lembrar de seu pai. Então José vinculou seu filho a si e ao discípulou, isso aparece também em...

Lucas 4:
22 Todos falavam bem dele, e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios. Mas perguntavam: “Não é este o filho de José?”

Então você percebe que José desfilou, apresentou o seu filho, fez toda a comunidade entender: este é o meu filho, o meu primogênito, ele o vinculou a si. Extraordinário.

João 6:
42 E diziam: “Este não é Jesus, o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe?...”.

Que coisa extraordinária, um pia discípula o seu filho e leva o filho a estar vinculado a si e toda comunidade sabe disso, este é o filho de José, aquele que herdou a sua maestria, aquele a quem ele ensinou as primeiras letras, aquele que ele levava pra sinagoga, aquele a quem ele ensinou a ser judeu, a ser servo de Deus.

João 1:
45 Filipe encontrou Natanael e lhe disse: “Achamos aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei, e a respeito de quem os profetas também escreveram: Jesus de Nazaré, filho de José”.

Como Filipe chegou a essa conclusão? Simples, João estava pregando e falou sobre Jesus: “Este é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, Filipe e André, seu irmão, apartaram-se de João e seguiram Jesus, chegaram até ele e disseram: ”Rabi, onde assistes?” e Jesus disse: “Vem e vê”, e aí certamente fizeram aquilo que todo judeu fazia quando conhecia o outro, “Quem é você?”, e a pessoa respondia o seu nome e o nome de seu pai, e Jesus provavelmente deve ter dito: “E sou Jesus, filho de José de Nazaré”, o pai excelente é aquele que leva o filho a ter orgulho de vincular o seu filho a ter orgulho de vincular o seu nome ao nome do pai.
A bíblia nos oferece um pai exemplar, a coisa mais extraordinária de José não foi só como ele guardou o seu filho, como ele discípulou seu filho, como ele vinculou seu filho a si, como ele protegeu seu filho e a mãe de seu filho, mas como ele fez isso com absoluta discrição, como esse homem conseguiu ser tão imenso e tão discreto, como esse homem teve tanta consciência de que vivia pra que o seu filho pudesse cumprir o seu propósito, ser pai é mais que uma possibilidade genética, é um privilégio de cuidar e proteger gente a quem Deus vai abençoar, gente que vai cumprir propósito de Deus, gente que vai satisfazer sonhos de Deus, gente que vai cumprir profecias de Deus, gente que sobre o poder de Deus pode mudar a história. Ser pai é ter um olho no filho e o outro no futuro do filho, ser pai é entender que o maior de todos os privilégios é poder criar alguém e passar pra esse alguém tudo que a gente sabe de Deus, tudo que a gente já andou com Deus, tudo que se pode andar com Deus, tudo que se pode saber de Deus, tudo que se pode viver em Deus, tudo que se pode viver pra Deus. É cooperar com a construção de um ser humano, homem ou mulher, que pode ser alavanca de Deus pra mudar a história da humanidade.

Que Deus nos abençoe a nós pais, que nos abençoe com essa consciência, que nos abençoe com essa compreensão, com esse senso de propósito. E que todos nós possamos dormir com a certeza de que estamos ou já cumprimos o nosso dever. Bendito seja o Pai eterno que nos deu a graça de experimentar o que Ele sabe. “

Bom, espero que tenha abençoado vocês!

Recomendo também a leitura dos livros:

* ”O Silêncio de Adão”, Larry Crabb, Don Hudson e Al andrews, Ed. Vida Nova.
* ”Coração Selvagem”, John Eldredge, Ed. CPAD

Que Deus nos abençoe e guie. Amém!

João Vítor

"Amor" em Movimento?


"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro." Carl Gustav Jung

Dá pra se notar que cada vez mais as massas evangélicas estão sempre sendo levadas pelas ondas que, indiscutivelmente, dão um belo “caixote” na igreja. E não bastasse isso, sempre a carregam para uma réplica ao que já está “fora de moda”, infelizmente isso é por puro reflexo religioso e não por uma devoção sincera e pura a Cristo. Vimos: “Venha para a Teologia da Prosperidade”, “Corra da ‘Teologia’ da Prosperidade”, “Venha para a ‘Teologia’ da Adoração e Ministério de Louvor”, “Corra da ‘Teologia’ da Adoração e Ministério de Louvor”, “Venha para a ‘Teologia’ da Revolução e da Reforma com o Piper, Washer, Driscoll”, “Corra da ‘Teologia’ da Revolução e Reforma com Piper, Washer e Driscoll”, “Venha para a ‘Teologia’ da Ação Social é o caminho”, ”Corra da ‘Teologia’ da Ação Social é o caminho”, “Venha para a ‘Teologia’ do Amor em movimento”...
Bom espero contribuir na vida de vocês que lerão esse estudo, digo “estudo” mesmo, é uma tentativa de trazer um pouco de luz para nós servos e aprendizes, não pretendo dar a “solução” para o cristianismo com essas palavras, mas quero compartilhar com vocês algo que temos aprendido, digo “temos” porque não dá pra se viver isso sobre o que iremos estudar aqui sozinho.
Tenho visto muitas pessoas levantarem essa bandeira de “Amor em movimento”, o slogan é tão bom que até a Natura (http://www.amoremmovimento.com.br/?gclid=CMa0n_TvyaMCFRafnAodvUM2vg) o está usando em uma de suas campanhas, se conseguirem o mesmo impacto que os “emergentes” estão tendo venderão muito.
Bom, infelizmente as pessoas que eu vejo abraçando essa causa são as primeiras a deixar de conviver e amar suas igrejas e pastores para poderem pregar esse tal amor que eles anseiam tanto em “movimentar”. Isso eu digo de modo geral, pelos exemplos que eu tenho visto ao meu redor. Sabendo disso quero compartilhar algo que tenho ouvido, visto e vivido aqui entre meus irmãos de minha cidade. O amor de Deus, segundo a Bíblia, que é o que mais falta hoje em dia, né?

Texto a seguir é uma adaptação de uma pregação do Ariovaldo Ramos

Amor e Poder – I João Capitulo 4

“O Amor de Deus
7 Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 8 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 9 Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. 10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. 11 Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros. 12 Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós. 13 Sabemos que permanecemos nele, e ele em nós, porque ele nos deu do seu Espírito. 14 E vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o Salvador do mundo. 15 Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. 16 Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. 17 Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. 18 No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem
medo não está aperfeiçoado no amor. 19 Nós amamos porque ele nos amou primeiro. 20 Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. 21 Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.”

“Tudo é força, mas só Deus é poder.”

Deus não é poder, Deus é amor. Deus tem poder, aliás, Deus tem todo poder, mas Ele não se identifica como aquele que é poder mas sim como amor. Talvez essa questão pode parecer rasa, mas não é.
A grande diferença entre o poder e o amor é que o poder se impõe e o amor aceita. E isso faz toda diferença, porque na medida que alguém se auto-identifica como poder este alguém não tem outra escolha a senão a de se impor, porque ele não pode aceitar nenhum desafio ao seu poder, permitir um desafio ao seu poder é negar-se a si mesmo. E Ele não pode negar a si mesmo, pois ele é poder. Ele não pode ser contestado no seu poder, porque ser contestado no seu poder seria ser contestado em sua identidade. Então não poderia existir nenhuma discordância, dúvida, desconfiança e desobediência.
Agora, o amor não, o amor aceita o outro. O amor não sofre nenhum prejuízo quando alguém não gosta dele. Ele não sofre nenhum prejuízo quando encontra alguém que desconfia. O amor não sofre nenhum prejuízo quando encontra alguém que se rebela. Porque o amor ama, não é necessariamente amado. É amor porque ama, é diferente.
Quando Deus diz que Ele é “amor”, Ele está dizendo que o que o caracteriza é: que ele ama e o amor aceita. O amor não sofre prejuízo quando encontra rebelião, dúvida, contestação, porque o amor aceita o outro do jeito do outro e, às vezes, apesar do outro. Então o amor não pode ser atingido, ele mantém por si só, porque ele ama. E um ato independente da resposta que receba, a primeira característica do amor é que ele aceita. Diferente do poder, o poder tem de se impor, porque se o poder for contestado e permitir a contestação, o poder se relativizou. E o poder não pode se relativizar.
Então, é extraordinário ver nas Escrituras que Deus se apresenta como o amor e não como poder, ainda que o tenha, ainda que tenha todo poder ele não se apresentou como “poder”, ele se apresentou como “amor”. Porque isso abre um leque enorme de convivência, pois o amor convive, ama quem o ama e ama quem não o ama, independente da forma como esse não-amor se manifeste porque o amor aceita.

Disposição para o sacrifício
É interessante perceber nessa fala de João que o que caracteriza o amor de Deus é o fato dele ter enviado seu filho. Versos 9 e 10.
O amor não perde nada quando não encontra amor ou encontra o ódio, porque o que caracteriza o amor é a disposição para o sacrifício. Que é como o apóstolo João descreve o amor de Deus. Deus sacrificou-se através do Seu Filho: o sofrimento do Filho é o sofrimento da trindade, a disposição do Filho é a disposição da trindade. E é isso que o João está dizendo, o que caracteriza Deus é amor e eu sei isso por causa do sacrifício. Pedro escreveu “18 Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, 19 mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito, 20 conhecido antes da criação do mundo, revelado nestes últimos tempos em favor de vocês.” (I Pe. 1) E é o sacrifício de Cristo que sustenta todas as coisas. Então Deus é amor porque Deus aceitou o sofrimento e o sacrifício.

Convivência

Porque se Deus não se apresentasse como amor Ele não poderia criar um mundo de consciências livres, pois não é possível conviver com arbítrio sem conviver com a possibilidade da rebelião. Não é possível conviver com o arbítrio sem a possibilidade da contradição e não é possível conviver com o arbítrio sem a possibilidade da desconfiança. Porque na medida em que Deus cria um ser que tem vontade e pode exercê-la Ele se determinou a ceder espaço para esse ser exercer a vontade dele mesmo que seja contra si, contra o próprio criador. Um ser que se define como “poder” não pode fazer isso, o poder não pode ser contestado, o poder não pode conviver com arbítrio. Não é à toa que todas as vezes que temos no cenário político um regime de poder, nós temos um regime de limitação do arbítrio pessoal; as chamadas liberdades individuais são imediatamente contestadas porque o poder não pode ser contestado. E quando um governo se caracteriza como um governo que está no poder e que assume um poder assim, não pode haver contestação, pois o poder não pode ser contestado porque contestar é negar o poder. Deus não caiu nessa esparrela, armadilha, porque o amor aceita inclusive a contradição, inclusive a rebelião sem deixar de amar. Portanto o que caracteriza o amor é a capacidade de aceitar o sofrimento, que é inerente a qualquer tentativa de conviver com o outro que tem arbítrio, que tem vontade e que pode exercê-la segundo a sua decisão. Quem não aprende isso não consegue amar de fato. Porque a grande armadilha, principalmente no mundo ocidental a partir da Era Romântica, do romantismo ou do idealismo, na filosofia, é a perspectiva de que o amor é um sentimento envolvente que não pode ser negado e nem contestado, que se alguém contesta o amor é uma pessoa fria, distante, que não merece ser amada porque o amor tem de ser correspondido... Se o amor tem de ser correspondido não é mais amor, Deus não caiu nessa esparrela.Quando Deus se definiu como amor, ele se definiu como aquele que se sacrifica, aquele que aceita o sofrimento da convivência, aquele que aceita o sofrimento da comunhão, aquele que aceita o sofrimento da comunidade, aquele que aceita o sofrimento da família, aquele que aceita o sofrimento do encontro, da vida. Que bom que Deus se apresentou como amor porque se Deus tivesse se apresentado como poder ele teria de ter destruído tudo lá no jardim do Éden, porque o poder não pode ser contestado.

Perdão

Em uma conversa certa vez me perguntaram: “Você acha que Deus pode perdoar isso?”, respondi, “Meu amigo a relação de Deus com o universo era uma ou outra, ou o Deus perdoava ou destruía tudo e Deus decidiu perdoar. O universo é sustentado pelo perdão de Deus. E Deus pode perdoar por que Ele é amor, porque o amor é capaz de aceitar. E não sofre prejuízo em ser contestado.”
Uma crise que temos na família quando a gente, principalmente nós homens que estamos na condição de pais e chefes da família segundo a nossa cultura, e sente que está sendo contestado na nossa autoridade, pois as pessoas que estão a nossa volta também tem vontade, também tem arbítrio. E aí nós temos de decidir o que é que nos caracteriza como pais: que nós somos amor ou se nós somos autoridades, se nós somos autoridades nós não podemos ser contestados, então a nossa reação a qualquer contestação será dura, nunca proporcional, porque quem se sente ofendido se sente muito mais ofendido do que o ofensor acha que ofendeu. Então a reação nunca é proporcional. Mas é a forma como nós nos apresentamos como a autoridade, a palavra final. A palavra final não pode ser contestada, porque se a palavra final for contestada então não chegou ao fim e se a palavra não é final não foi dada por autoridade. Então tudo acaba circunscrito a identidade do ser. O universo com toda a sua contestação a Deus está sustentado porque Deus se define como amor. Se Deus se definisse como poder não haveria mais universo, não poderia haver, porque o poder não pode ser contestado. O amor pode, porque o amor aceita, porque o amor entende que qualquer convivência se fará às custas do sacrifício, porque é convivência com o outro que tem vontade e que pode usar a sua vontade. Se usa mal ou se usa bem é outra questão. Mas a questão que se impõe é como eu me defino. Porque como eu me defino enquanto chefe de família ou amigo, vai definir, vai determinar a minha reação. Se eu me defino como autoridade, não tenho escolha, eu tenho de levar isso até o fim, e aí se houve discordância em relação a minha decisão, tenho de punir quem discordou e tenho de fazê-lo um exemplo a todos os outros que ousarem em pensar que o poder pode ser contestado. Mas, se enquanto chefe de família ou amigo eu me definir como Deus se define, amor, que eu sou aquele que está pronto para o sacrifício. Todos os que estão esperando de mim algo saberão sempre que serão amados até o fim, apesar de eu muitas vezes não concordar com o que eles estão fazendo, o amor não precisa concordar. Só ama. Aceita, espera, socorre, dá tempo. Mas isso não é possível sem o sacrifício.

Fim

Antes que você me pergunte como eu sei que Deus é amor, eu já lhe adianto, por causa da cruz. E eu sei que a cruz é anterior a todas as coisas. E eu sei que de alguma maneira quando a trindade, a família eterna, decidiu criar, entendeu que não havia como criar seres com vontade sem aceitar o sofrimento e o sacrifício, e aí o primeiro ato da família eterna foi aceitar o sacrifício, foi assumir o sofrimento, na certeza de que esse sacrifício não seria em vão. Valia pena criar apesar da dor de criar. Ainda bem que Deus se definiu como amor, porque se não eu não estaria aqui, nem você e nada estaria. Porque o que está, está em Deus, e está em Deus porque Deus é amor. Então o desafio que está para nós é o desafio de entender que qualquer relacionamento tem de ser por definição um relacionamento de amor, e de saber a partir disso conviver com o sofrimento de existir, porque Deus convive com o sofrimento de fazer outro existir.
Aos que dizem: “Eu não sei como que Deus não nos livra desse sofrimento, dessa angústia, não sei onde Deus está, eu sempre pensei que Deus faria alguma coisa!”
Digo: “Deus está fazendo muita coisa em relação ao seu sofrimento, você que ainda não percebeu. O problema que você tem uma definição de Deus que não é a que eu tenho, porque você define Deus como: ‘aquele que pode acabar com todo o sofrimento’, e eu defino Deus como: ‘aquele que aceitou o sofrimento para que tudo pudesse existir’, nós estamos definindo de forma diferente e aí como nós estamos definindo de forma diferente você não sabe como lidar com Deus diante do seu sofrimento, mas se você entender que Deus não é aquele que acaba puro e simplesmente com o sofrimento, que Deus é aquele que antes de tudo aceitou o sofrimento e por isso é que eu sei que um dia isso tudo vai ter fim, você vai encarar o sofrimento de outra maneira, o sofrimento é a conseqüência natural de existir com arbítrio e de lamentavelmente termos usado mal o arbítrio, mas Deus que sabia disso de antemão assumiu o sacrifício e o sofrimento de criar o que exigiria o seu sacrifício.” Quando nós percebemos isso a nossa relação com a vida, muda. A nossa relação com o próximo, com a família muda. Isso não quer dizer que nós não temos regras, isso não quer dizer que nós não criemos limites, Deus criou limites. Mas quer dizer que nós amamos os que seguem as regras e os que não seguem, os que entendem os limites e os que se ferem tentando ultrapassar os muros dos limites da existência. E tem outra coisa depois que você entra na existência, depois que você existe, você não sai mais, então qualquer atentado quanto aos limites da existência, a vontade de Deus, é um atentado contra si mesmo, o pecado é por si só uma espécie de autodestruição.

Então é extraordinário ver que Deus é esse ser complexo, profundo, apaixonante, desafiador e assustador. Um ser Todo-Poderoso que se definiu como amor, que assumiu que a sua identidade não estaria no seu poder, mas na sua capacidade de amar e se sacrificar. E é justamente por isso que eu e você sabemos que ele vai dar fim a esse sofrimento, porque ele sacrificou-se, mas triunfou ressuscitando no terceiro dia, ou seja, ele não é somente um ser que se sacrifica, mas é o ser que triunfa através do sacrifício. E baseado no triunfo dessa ressurreição que eu sei e você sabe que seu sacrifício de amor em função ou na direção daqueles a que você tem de amar, não será em vão, Deus assistirá o seu sacrifício e fará que com ele não seja em vão, acredite. E esse é o chamado de Deus pra nós nessa noite, redefinirmos a nossa identidade a partir da identidade dele. Foi isso que o apóstolo começou a dizer “Amados, amemo-nos uns aos outros... Porque Deus é amor.”

Amém

João Vítor

A âncora



“Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.” Fernando Pessoa

Certa vez ao passar na rua um homem observou um grupo de meninos discutindo ferozmente entre si ao invés de estarem brincando, então, curioso, resolveu perguntar ao que se achava mais próximo dele o que estava acontecendo, e ele respondeu: “Nós estamos brincando de guerra”, “É, e parece que estão levando a brincadeira ao 'pé-da-letra'. Mas por que essa discussão toda?”, perguntou o homem,
“É porque todos querem ser o General.”

Talvez essa ilustração seja um tanto singela, mas diz uma grande verdade a respeito de uma das características mais importantes na vida cristã: a consciência de que nunca haverá ordem, decência e utilidade na igreja enquanto cada um não entender seu papel, considerar e se sujeitar “uns aos outros, por temor a Cristo.” (Ef. 5:21)
Paulo, em Romanos 13, nos instiga a “despertar do sono”, mas antes de falar isso no verso 11, ele nos mostra que Deus não é um teórico ao nos ensinar como viver. Ele mostra que Deus nos ensina a lidar de maneira bem real, sóbria, racional, prática e útil, no nosso relacionamento com a gente mesmo (Rm. 12:3), com os nossos irmãos, tanto em ajuda espiritual (Rm. 12:4-12) quanto em ajuda material (Rm. 12:13) , com a sociedade, incluindo nossos perseguidores (Rm. 12: 14-21) e com o governo político (Rm. 13: 1-7). E, no fim, ele completa dizendo que é essa maneira de viver que a Lei preserva para nós cristãos; pois o objetivo final da Lei não é preservar a si mesma, mas é preservar a comunhão entre nós e o Senhor, primeiramente, e, posteriormente,
a comunhão com o nosso próximo. Isso nos faz emanar a luz, vinda do próprio Deus, que dissipa as trevas que impedem o homem sem Deus de conhecê-lo.
E esta é a "boa notícia" que eu acho maravilhosa: quando vejo Deus nos ensinar através da bíblia que a vida cristã é totalmente prática,real e acessível no nosso dia-a-dia. É muito perigoso (para as trevas) o poderoso o entendimento de que nós, filhos da luz, somos filhos da luz TODOS os dias, que andamos na luz TODOS os dias e que essa luz emana de nós TODOS os dias, não somente uma vez na semana ou dentro de um templo.

Mas existem aqueles entre nós que se esquecem de tudo isso e ignoram o "Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios." (Rm 12:10) Confesso que isso me pertubou durante um longo período em minha vida quando descobri que nem todos os que se chamavam de cristãos, que pareciam realmente serem cristãos aos meus olhos, na verdade não o eram. Aquele sentimento de "Meu Deus, é o fim do teu povo!" tomou conta de mim como de Elias naquela caverna achando que era o único, ou um dos poucos, na terra. Mas graças a Deus aprendi que é muito importante aliarmos o nosso estudo bílico ao estudo da história da igreja para que não ultrapassemos o que está escrito na Palavra e, além disso, vermos a intervenção de Deus na história o tempo todo. É curioso o fato de se ver desde o princípio da igreja ataques físicos (perseguição), ataques intelectuais
(Judeus e pagãos refutando o cristianismo) e os ataques das heresias, que nascem na igreja. Os outros ataques são de fora pra dentro, mas esse último surge no meio da igreja, ou no mínimo no meio do ambiente da igreja. Creio que esta seja uma das piores coisas que possa acontecer a um jovem que se alegrava cantando e achando que estava em Sião e, de repente, se dá conta que está algemado à beira dos rios da Babilônia, no meio do cativeiro; Do mesmo modo, creio que deve ser muito ruim perceber que o coração do rei não mudou, mesmo depois de fazer descer fogo do céu e matar um bando de falsos profetas.
As heresias no meio do povo de Deus são mais horripilantes do que qualquer bizarrice que o coração podre do homem influenciado por satanás poderia criar, é pior que mil shows de horrores. Porém, o mesmo Deus que história nos conta que age no meio da Seu Povo desde de antes dos tempos de Elias, age ainda hoje nos nossos dias e agirá até o fim; além disso, existem muitos bons frutos, qe duram até hoje, das “Confusões produtivas” que aconteceram nos Séc. II e III, uma das primeiras vezes em que se tinha a maior evidência de heresias. Um deles foi a "Ortodoxia", que é a reação e o estabelecimento do que é realmente o cristianismo e o que é realmente a fé cristã, é acordo de que certa doutrina é a verdade, é toda vez que a igreja estabeleceu: “a verdade é esta aqui”.
Naquela época você não tinha toda a bíblia, só se tinha o Antigo Testamento, então precisava-se de guias que soubessem chegar e interpretar a verdade no Antigo Testamento, e logo essas heresias acabaram fazendo com que a igreja se posiciona-se a respeito de um monte de coisas, as heresias instigaram a igreja a fixar a ortodoxia. Porque até então a igreja estava vivendo tranqüila, daí e começam a aparecer um monte de ensinos esquisitos e eles tiveram de se perguntar, "quem está certo? Qual a reação da igreja para armar-se contra essas heresias?" Então, resumindo, os Pais da Igreja:
- Criaram um Cânon, conjunto de livros que consideravam inspirados por Deus e importantes para ensinar o contexto histórico, as regras e o porquê de se obedecer essas regras, a autoridade maior do que qualquer outro escrito que pudesse surgir na história a respeito da revelação de Deus ao homem, a bíblia;
-Estabeleceram um Credo, resumo do que a igreja deveria crer que era muito prático na época e também o é hoje;
-Instituiram a figura dos bispos, homens sujeitos ao Espírito de Cristo na vivência do que estava escrito, no ensinamento do povo e na refutação de heresias;
Deveriam estabelecer com clareza a fé tomando o cuidado de manter o mistério daquilo que não dá para se explicar... Porque eles sabiam aquilo que o mendigo, no filme "Com Méritos"(recomendo), diz a respeito na questão "O presidente é um rei eleito? Pode fazer o que quiser ou não?"

Mendigo: “Você fez a pergunta senhor, me deixe responder. A genialidade da Constituição é que sempre pode ser mudada. A genialidade da Constituição é
que ela não manda permanentemente, mas está contida na sabedoria das pessoas comuns para se governarem.”

Professor: “Confiança na sabedoria do povo é exatamente o que faz a Constituição incompleta e crua.”

Mendigo: “Crua? Não, senhor, nossos ancestrais eram fazendeiros, brancos, de meia-idade, mas eram também grandes homens... porque eles sabiam algo que todo
grande homem deve saber: QUE ELES NÃO SABIAM TUDO. Eles sabiam que podiam cometer erros, mas inventaram um jeito de corrigi-los. Eles não se achavam ‘líderes’. Eles queriam um governo de cidadãos, não de realeza. Um governo de ouvintes, não de conferencistas. Um governo que pudesse mudar e não ficar parado. O presidente não é um rei eleito, não importa quantas bombas possa jogar, porque a ‘crua’ Constituição não confia nele. Ele é um servo do povo. Ele é um vagabundo. Certo. Ele é só um vagabundo. O único prazer que ele busca é a liberdade e a justiça...”

A genialidade dos Pais da Igreja era terem centralizado a resposta final de todas as questões da vida em Deus e não neles mesmos, teram sujeitado tudo e todos ao que Deus inspirou,a Palavra de Deus que é VIDA de fé e prática para sempre.
É facil de se ler e entender isso que eu escrevi, mas o processo para que pelo menos esses três pontos (Escrituras, Credos e Bispos) fossem estabelecidos pela igreja naquela época foi demorado, desgastante e exigiu de todos os homens despirem-se do desejo de serem "generais" e unirem-se debaixo de um só general e um só cabeça, Jesus Cristo. "Por que?" Porque as heresias só conseguem cumprir seu propósito de morte, separação de Deus e separação dos outros irmãos, se não houver aquele tipo de
atitude que eu citei da parte de Paulo, a vida Cristã, que também é encontrada nas palavras de Jesus. As heresias só conseguem permanecer em igrejas onde
todos querem ser, ou onde já se tem, algum tipo general que não seja o próprio Cristo. Onde a "palavra final" é a manipulada pela vontade dos homens
e não é dada pela Palavra de Deus.

Na história da igreja os homens vão errando e falhando, mas há uma âncora presente o tempo inteiro que vai trazer de volta a igreja, mais cedo ou mais tarde, porque Deus vai jogar pessoas de volta pra ela, que é a palavra de Deus. Na palavra de Deus que a Igreja se conserta.

Para finalizar, gostaria de compartilhar com vocês a letra de uma das músicas que Deus tem dado a mim e aos meus irmãos que tocamos juntos na "Puro e Simples" (www.palcomp3.com/puroesimples), essa música é baseada em uma poesia de William Cowper que ele escreveu em um dos períodos mais difíceis de sua vida, após uma tentativa, divinamente frustrada, creio eu, de suícidio:

"Deus age misteriosamente

A escuridão cobriu o sol do meio dia
E o meu medo me faz perguntar por você
Onde está o meu Deus? Onde está o meu Salvador?
Onde está o meu Dono e Senhor?

A tempestade na estrada me atrapalha a enxergar
O caminho que eu sei estar lá
O terror a minha frente tenta o meu coração
A se salvar pelo caminho da perdição

Mas o Teu livro me faz lembrar

Deus age misteriosamente em seus milagres
Deus age misteriosamente em seus milagres

Quando as trevas escondem a sua face adorável
Eu descanso em sua graça que não muda
Em cada tempestade assustadora e violenta
Minha âncora se prende a sua palavra

Deus age misteriosamente em seus milagres
Deus age misteriosamente em seus milagres

Deus é seu próprio intérprete
E certamente revelará o caminho certo
O caminho certo"

Que Deus nos abençoe!

João Vítor

E as portas do inferno...


“’E vocês? ’, perguntou ele. ‘Quem vocês dizem que eu sou? ’ Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’. Respondeu Jesus: ‘Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus. E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.” Mateus 16:17-18

Essa passagem é conhecida por praticamente todos os cristãos e, na maioria das vezes, é lembrada como um apelo à perseverança no sentido de que “por mais que o inferno ataque ele nunca vencerá a Igreja do Senhor”, ou até mesmo como: “as portas são os últimos mecanismos de defesa do inferno, então Jesus não estava dizendo que o inferno atacaria sua igreja, mas sim que o inferno não resistiria ao ataque de sua igreja”. Bom, por mais que as interpretações desses versículos sejam maravilhosas e tragam ensinamentos importantes para nós, eu gostaria de lhes propor algo interessante sobre esse texto e pedir que tenham a paciência de percorrer esse denso caminho que Deus têm me levado a seguir.

E as portas do inferno...

Antes de tudo, não creio que Satanás esteja mesmo no inferno ou que até mesmo tenha acesso a ele, a própria bíblia sempre que o citou o descreveu na terra ou no céu:
“E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles. Então o SENHOR disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.” Jó 1:6
“Depois disso ele me mostrou o sumo sacerdote Josué diante do anjo do SENHOR, e Satanás, à sua direita, para acusá-lo.” Zc. 3:1
”O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” II Co. 4:4
“Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Maligno.” I Jo. 5:19
“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” Ef. 6:12
Provavelmente Satanás só será visto perto do inferno quando for atirado no lago de fogo junto com ele: “O Diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre. [...] Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo.” Apocalipse 20: 10 e 14

Então, se Satanás não governa o inferno, o inferno não é governado por ele. Logo, não podemos crer que o “inferno” (palavra usada no lugar de “Hades” em algumas traduções) seja seu reino.
A palavra Hades (tradução de “Seol”,no hebraico, para o grego na Septuaginta, versão da bíblia hebraica no grego koiné) tinha o sentido, no Antigo Testamento, de:
Morte (sepultura) – Jacó ao descobrir que seu filho José estava morto. "Todos os seus filhos e filhas vieram consolá-lo, mas ele recusou ser consolado, dizendo: ‘Não! Chorando descerei à sepultura para junto de meu filho’. E continuou a chorar por ele. " Gn. 37:35
Morte (prisão eterna) - "Assim como uma nuvem dissipa-se e some, aqueles que descem ao Sheol não voltarão." Jó 3:11-19
E ás vezes também era usada para explicar a intensidade de algum tipo de sofrimento, "Tristezas do Sheol me cingiram, laços de morte me surpreenderam. Na angústia invoquei ao SENHOR, e clamei ao meu Deus; desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face.” Salmo 18:5-6

No Novo Testamento ela aparece, com exceção nas citações encontradas no livro de Atos sobre o cumprimento das profecias do Antigo Testamento a respeito de Cristo, como estado de condenação e prisão dos espíritos dos incrédulos que não creram no evangelho e em Jesus e aguardam, atormentados, a segunda morte. Ap. 20:7-14
Em Mateus 11:23 podemos ver Cafarnaum sendo condenada:
“Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.”
E, em Lucas 16 vemos a parábola do rico e do Lázaro, Jesus faz um paralelo com os fariseus , que amavam o dinheiro (v.14) e não criam nele, os colocando na história no papel do homem judeu rico que durante sua vida não quis acreditar nos Profetas e na Lei (27-31) que apontavam para Cristo (v.16), e após sua morte foi para o Hades, o inferno.
A idéia de que Satanás é o governador do lugar para onde os espíritos dos incrédulos são levados após a morte não passa de uma adaptação que o Romanismo (catolicismo) fez da religião pagã de Roma a respeito do seu deus Hades, que governava o mundo dos mortos, isso não é real. Satanás não governa o inferno, nem tem acesso aos espíritos dos mortos e muito menos tem o poder de puni-los a seu bel-prazer.

O governo de Deus sobre o inferno, Hades, a morte, é reconhecido por toda bíblia, dizer menos que isso é diminuí-lo. Amós 9: 2 “Ainda que escavem até às profundezas*, dali a minha mão irá tirá-los. Se subirem até os céus, de lá os farei descer.” Os. 13:14 “Eu os redimirei do poder da sepultura*; eu os resgatarei da morte. Onde estão, ó morte, as suas pragas? Onde está, ó sepultura*, a sua destruição?” Dt. 32: 22 “Pois um fogo foi aceso pela minha ira, fogo que queimará até as profundezas do Sheol. Ele devorará a terra e as suas colheitas e consumirá os alicerces dos montes.” I Sm. 2: 6 “O SENHOR mata e preserva a vida; ele faz descer à sepultura* e dela resgata.” Is. 7: 11 “Peça ao SENHOR, ao seu Deus, um sinal miraculoso, seja das maiores profundezas*, seja das alturas mais elevadas.” Pv. 15: 11 “A Sepultura* e a Destruição estão abertas diante do SENHOR; quanto mais os corações dos homens!”.
Só Deus tem o poder para mandar alguém para o inferno, “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno.” Mateus 10:28, assim como é o único que tem pode para tirar de lá: Sl. 16: 10 ”porque tu não me abandonarás no sepulcro*, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição.” Sl. 30: 3 “SENHOR, tiraste-me da sepultura*; prestes a descer à cova, devolveste-me à vida. “ Sl. 19: 8 “Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura*, também lá estás.” Sl. 103: 3-4 “É ele que perdoa todos os seus pecados e cura todas as suas doenças, que resgata a sua vida da sepultura*...”

Então sabendo disso tudo compreender melhor o que Jesus Cristo estava dizendo com “as portas do inferno não poderão vencê-la”, até onde eu consigo entender, ele estava dizendo que: “Eu edificarei a minha igreja e não há nada que a morte, o inferno e o mundo poderão fazer para evitar.” Após a ressurreição de Jesus Cristo e a vinda do Reino de Deus entre nós, nada mais é como antes. É como se Jesus dissesse: “O meu povo será como eu, será aquele que triunfa em meio ao sacrifício, a morte não é seu estágio final, pois aquele que crê em mim ainda que morra, viverá; aqueles que crêem em mim, que eu sou o Cristo Filho do Deus vivo, as portas das sepulturas não poderão deter, pois eles já passaram da morte para a vida.” E, segundo a Jewish Encyclopedia (Enciclopédia Judaica), as sepulturas eram protegidas por portões e setas; logo, o Sheol era guardado de forma similar. Os compartimentos separados eram desenvolvidos para clãs separados, famílias, distinções nacionais e de sangue continuando, com efeito, até a morte. Logo podemos entender depois da crermos em Cristo, Filho do Deus vivo, ele nos une como um povo só, não há mais distinção, todo aquele que crê se une ao povo de Deus e faz parte de uma só nação.
“Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último. Sou Aquele que Vive. Estive morto mas agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do Hades.” Ap. 1:17b-18

“O Evangelho sem a ressurreição era Evangelho sem o seu capítulo final, não era totalmente o Evangelho." A. M. Ramsey
"Se Cristo não ressuscitou, então é vã a nossa pregação, e também vã a vossa fé" (I Co 15.14). “A Ressurreição é a pedra angular da fé, e ao mesmo tempo a causa, o motivo e a afirmação central do discurso apostólico. Os crentes do Novo Testamento faziam questão especial de pregar a mensagem de que Cristo ressuscitou dentre os mortos. Eram estas as suas Boas Novas. Nunca deixaram de pensar que a Ressurreição não era verdade vital ao Evangelho, nem imaginaram jamais que pudesse haver Evangelho sem o fato da Ressurreição.” James Martin
Há uma passagem muito interessante em At. 13 e 14 que conta a história de quando Paulo e seus companheiros de viagem estão na Antioquia da Pisídia e em um sábado, após a leitura da Lei e dos Profetas como era de costume, Paulo anuncia aos presentes na sinagoga, judeus e gentios tementes a Deus, a mensagem do evangelho através da história de Israel e das profecias que se cumpriram, principalmente as relacionadas à ressurreição, e conclui com a seguinte declaração de Habacuque 1:5 : ”Olhem, escarnecedores, admirem-se e pereçam; pois nos dias de vocês farei algo que vocês jamais creriam se alguém lhes contasse!”
Então o povo os convidou para falar no sábado seguinte... Chegando o dia, “quando os judeus viram a multidão, ficaram cheios de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo estava dizendo. Então Paulo e Barnabé lhes responderam corajosamente: ‘Era necessário anunciar primeiro a vocês a palavra de Deus; uma vez que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, agora nos voltamos para os gentios. Pois assim o Senhor nos ordenou: ‘Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até aos confins da terra.’’ Ouvindo isso, os gentios alegraram-se e bendisseram a palavra do Senhor; e creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna. A palavra do Senhor se espalhava por toda a região. Mas os judeus incitaram as mulheres piedosas de elevada posição e os principais da cidade. E, provocando perseguição contra Paulo e Barnabé, os expulsaram do seu território. Estes sacudiram o pó dos seus pés em protesto contra eles e foram para Icônio. Os discípulos continuavam cheios de alegria e do Espírito Santo.”
Chegando a Icônio acontece mais ou menos a mesma coisa que em Antioquia e logo eles são obrigados a fugir para as cidades licaônicas de Derbe e Listra, e seus arredores onde continuaram pregando a palavra. “Em Listra havia um homem paralítico dos pés, aleijado desde o nascimento, que vivia ali sentado e nunca tinha andado. Ele ouvira Paulo falar. Quando Paulo olhou diretamente para ele e viu que o homem tinha fé para ser curado, disse em alta voz: “Levante-se! Fique em pé!”Com isso, o homem deu um salto e começou a andar.” Esse acontecimento em Listra foi tão maravilhoso que fez o povo gritar em sua língua mãe: “Os deuses desceram até nós em forma humana!” e logo eles queriam sacrificar a esses deuses, mas Paulo e Barnabé, com muita dificuldade, os impediram. ”Então alguns judeus chegaram de Antioquia e de Icônio e mudaram o ânimo das multidões. Apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, pensando que estivesse morto.” Não haviam crido na ressurreição de Cristo, conseguiram pegar Paulo, porque era ele quem trazia a palavra, o apedrejaram a ponto de no mínimo ele estar com a aparência de um morto e o lançaram pra fora da cidade para ser devorado pelas feras. Muitas pessoas haviam crido na mensagem do evangelho que Paulo, Barnabé e seus companheiros levavam enquanto percorriam as cidades, então, depois de seu apedrejamento e abandono fora da cidade, discípulos o cercaram. Bom, o fim da história poderia ter sido: “Os discípulos se ajuntaram ao redor de Paulo e o levaram para uma casa e fizeram curativos nele e esperaram ele melhorar”, ou, “Os discípulos se ajuntaram ao redor de Paulo e o enterraram...” Deus tinha outros planos, verso 20: “Mas quando os discípulos se ajuntaram em volta de Paulo, ele se levantou e voltou à cidade.”Como pode isso acontecer? Provavelmente os mesmos judeus que já os haviam perseguido antes pelas outras cidades e que apedrejaram Paulo ainda estavam por lá, a “ressurreição”, ou cura, de Paulo foi o sinal de Deus para eles de que Deus ressuscitou a Cristo e que sua mensagem era verdadeira, mostrou a eles que Cristo tem todo o poder no céu e na terra e que as portas do inferno (Hades, Sepultura) não prevalecerão sobre a sua igreja. Aqueles viram isso entenderam que estavam diante do inexplicável, algo que nunca aconteceu no meio do seu povo, algo sagrado, o que deus fez em e através de Paulo apontou diretamente para a profecia de Habacuque que se cumpriu em Cristo, o povo entendeu que alguma coisa aconteceu entre os seres humanos, Deus veio visitar a humanidade, entenderam que não eram mais eles que decidiam o que vai acontecer. Quando igreja, os discípulos, se ajunta algo acontece, as portas do inferno não podem detê-la. “No dia seguinte, ele e Barnabé partiram para Derbe.” Ninguém mais ousou desafia-los e persegui-los. “Eles pregaram as boas novas naquela cidade e fizeram muitos discípulos. Então voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: ‘É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus’.”
Agora, sabendo de todas essas coisas, que Deus é soberano sobre todos os acontecimentos de nossa vida ou morte, que Cristo tem todo o poder no céu e na terra, que ele mesmo nos envia a pregar o evangelho por onde quer que formos e promete estar junto conosco, qual deve ser nossa reação à vida, aos sofrimentos da vida?
”A vida só está bem quando ela nasce do louvor, da gratidão, do reconhecimento de quem Deus é, quando a nosso primeiro ato de abordagem a vida já começa no louvor. Sábios são os que constroem altares, os que não constroem altares mais tarde construirão túmulos. É muito mais difícil reagir à vida a partir do túmulo, se não impossível. A sabedoria está em construir altares, em reagir à vida louvando a Deus. Mesmo que não seja como sonhamos. Construir um altar é manter a fresta pela qual entra a luz do céu na terra.” Mesmo que venhamos a morrer, pois existem duas formas de morrer: Sem qualquer propósito; Como um sacrifício à vida;
“Qual a razão da existência? Para que existimos? Pra quê existem todas as coisas?”
“Eu fui criado para a glória de Deus e se é isso que glorifica Deus, então eu cumpri a razão da minha existência. O que eu não queria era ter morrido por causa dos desatinos dos homens.” Mas quando você morre pelos desatinos dos homens você morre sem sentido. Quando você é sacrificado por causa da glória de Deus você encontrou a razão da sua existência. O objetivo da nossa existência só encontra razão em Deus. Porque a razão da existência de todos nós é a glória de Deus. Você só terá uma existência que valeu a pena se a sua existência tiver cumprido o propósito que Deus tinha pra você. E isso nos coloca diante da pergunta que não podemos nem devemos fugir: “Qual é a razão da minha existência?”
Todas as coisas nascem de Deus e tem como seu fim Deus. E Deus reage a esse tipo de vida.
A questão não é não sofrer, mas não ser derrotado pelo sofrimento e nós só conseguimos isso entendo quem somos e quem Deus é, confiando e descansando nele, submetendo-se a Ele e cooperando com Ele em Sua obra na Terra.

Bom, Satanás tem sim seu poder das trevas, é nosso adversário, não está para brincadeira, mas eu escrevi esse texto para principalmente mostrar, dentro das minhas limitações sujeitas a graça sem limites de Deus, que não há nada, nem a morte, nem o inferno, nem anjos, nem principados, que não esteja debaixo das mãos do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo por mais que achemos que não. Muitas das vezes que eu vejo as pessoas falando sobre as portas do inferno observo que elas dão mais poder a Satanás do que ele tem; até o que ele tem, o tem debaixo da soberania de Deus absoluta em todos os tempos e lugares na existência.
“Em breve o Deus da paz esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês.
A graça de nosso Senhor Jesus seja com vocês.” Romanos 16:20
“Vocês dizem: ‘É inútil servir a Deus. O que ganhamos quando obedecemos aos seus preceitos e ficamos nos lamentando diante do SENHOR dos Exércitos? Por isso, agora consideramos felizes os arrogantes, pois tanto prosperam os que praticam o mal como escapam ilesos os que desafiam a Deus!’ ” Depois, aqueles que temiam o SENHOR conversaram uns com os outros, e o SENHOR os ouviu com atenção. Foi escrito um livro como memorial na sua presença acerca dos que temiam o SENHOR e honravam o seu nome. “No dia em que eu agir”, diz o SENHOR dos Exércitos, “eles serão o meu tesouro pessoal. Eu terei compaixão deles como um pai tem compaixão do filho que lhe obedece. Então vocês verão novamente a diferença entre o justo e o ímpio, entre os que servem a Deus e os que não o servem. “Pois certamente vem o dia, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles”, diz o SENHOR dos Exércitos. “Não sobrará raiz ou galho algum. Mas para vocês que reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas. E vocês sairão e saltarão como bezerros soltos do curral. Depois esmagarão os ímpios, que serão como pó sob as solas dos seus pés, no dia em que eu agir”, diz o SENHOR dos Exércitos.” Ml. 3:14-18;4:1-3

“O homem, mesmo que muito importante, não vive para sempre; é como os animais, que perecem. Este é o destino dos que confiam em si mesmos, e dos seus seguidores, que aprovam o que eles dizem. Como ovelhas, estão destinados à sepultura, e a morte lhes servirá de pastor. Pela manhã os justos triunfarão sobre eles! A aparência deles se desfará na sepultura, longe das suas gloriosas mansões. Mas Deus redimirá a minha vida da sepultura e me levará para si.” Sl. 49: 12-15

“... ‘Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso? ’” João 11:25-26

Você crê nisso?

Que Deus nos abençoe

João Vítor

Autodestruir


“Uma grande civilização não é conquistada de fora até que tenha destruído a si mesma por dentro”
W. Duran

O cristão que pensa ser auto-suficiente é visto aos olhos de Deus tão ridículo como uma mão sem dedos, pode até ser que continue sendo considerada uma mão, mas já não terá utilidade nenhuma.
A verdade é que todos nós precisamos de amigos, talvez até mais do que imaginamos, independente de estarmos em uma posição de destaque ou não. Nós precisamos ter com quem compartilhar quem somos de verdade, há coisas sobre você que sua esposa, marido ou pais não vão compreender por não terem sempre participado do contexto mais próximo da sua vida como um velho amigo de muitos anos.
Como os amigos cristãos verdadeiros são preciosos! E como eu sou grato a Deus por ter ao meu redor amigos cristãos que falham, erram comigo, muitas vezes me perdoam e não desistem de mim, porque são nessas coisas mesmo que o amor é provado verdadeiro, pois ama de verdade aquilo que conhece, não o que se imagina ou por ignorância finge se conhecer. “Jesus”, mesmo sabendo quem Judas era e o que estava para fazer, “perguntou: ‘AMIGO, o que o traz? ’”.
O amor verdadeiro não se engana para amar.

Essa verdadeira amizade baseada no amor que Deus nos revelou através de Cristo e que era e é a característica dos homens que nasceram de novo e são novas criaturas, está cada vez mais rara mesmo entre os cristãos mais sinceros e conhecedores das Escrituras, Thomas Hall escreveu: "Formalidade, formalidade, formalidade é o grande pecado da Inglaterra nestes dias, sob o qual a nação se curva. Há mais luz do que havia, mas menos vida; mais aparência, mas menos substância; mais profissões, mas menos santificação". Hoje no Brasil vemos uma igreja muito grande em termos de número e métodos mas muito pequena em relação àquilo que ela foi chamada a fazer: “ministrar”, que de certa forma é levar os irmãos a colaborarem no crescimento espiritual uns dos outros e da comunidade, de várias maneiras com seus próprios dons; um dos propósitos da pregação é equipar-nos a fazer isso, e inspirar-nos e motivar-nos a amar uns aos outros da melhor forma. Com um plano simples de estar ligado a Deus com o nosso serviço, de liderar um pequeno grupo na comunidade, de viver usando nossos dons e paixões e passar a nossa fé àqueles que não conhecem a Cristo.
Acho que Thomas ilustra muito bem a falta de relacionamentos profundos e reais entre as pessoas na igreja de hoje; porém, ao contrário de muitos, não creio que o problema esteja na placa com o nome de alguma denominação na entrada do local de reunião, ou mesmo na forma de como o culto é celebrado em conjunto ou nos ritmos e instrumentos musicais americanos e europeus que enchem esses tipos de reuniões que não tem muito a ver com nossa cultura... Esses são só reflexos do formalismo que está no coração das pessoas. Pode-se até mudar o local de culto para as casas, o ritmo das músicas, a ordem do culto, mas no fim das contas o sistema vai continuar o mesmo, porque o problema está nas pessoas antes de estar no resto. O problema do relacionamento na igreja vai muito além da tradição ou dos usos e costumes, nós nos esquecemos que a bíblia é o livro, ou manual, de como devemos nos relacionar, seja com Deus, com nós mesmos, com os nossos semelhantes, com a natureza e com o nosso medo da vida, encontramos nela resposta pra tudo isso, mas é preciso procurar.
A igreja é destruída no silêncio, para com Deus e no silêncio para com os homens.
A igreja é destruída no silêncio para com Deus nas nossas orações que já não existem, ou se existem não são da forma como ele nos ensinou; a igreja é destruída no silêncio da voz de Deus dos púlpitos por causa da negligência à sua Palavra que hoje é facilmente trocada por qualquer dado de psicologia barata e, por fim, é destruída no silêncio sorridente e de conversas rasas e hipócritas de um membro para com o outro. A igreja de hoje é o único barco em que você pode morrer afogado a bordo fingindo que não está se afogando e sendo observado por pessoas que fingem não ver você se afogar. Mas isso não pode continuar assim, não existe evangelho sem relacionamento com o próximo, como William Barclay escreveu:
“O Novo testamento está cheio da alegria daquilo que pode ser chamado “fraternidade”. É uma alegria até mesmo ver semelhante comunhão. Paulo escreve a Filemon dizendo-lhe da alegria e conforto que recebeu do amor de Filemon e ao ver modo pelo qual os santos foram reanimados pelos cuidados amorosos dele (Fm 7). Num famoso ditado, os pagãos olhavam para igreja cristã e diziam: “Vede como os cristãos amam-se mutuamente.” Nunca deve-se esquecer de que uma das maiores influências na evangelização do mundo é a visão da verdadeira comunhão cristã, e uma das maiores barreiras à evangelização é a visão de uma igreja onde a comunhão está perdida e destruída.” É uma alegria maior desfrutar da comunhão cristã. Alegra o coração de Paulo o fato de seus amigos em Filipos terem se lembrado dele com suas dádivas (Fp. 4:10). Ver a comunhão cristã é algo glorioso, estar envolvido nela é mais glorioso ainda. É uma alegria ver a comunhão cristã restaurada. Quando Tito voltou da igreja perturbada de Corinto com a notícia de que o problema havia sido solucionado e a comunhão restaurada, Paulo alegrou-se (2 Co 7.7,13). É uma alegria experimentar a comunhão restaurada. O Novo testamento mostra a alegria de alguém ao reencontrar-se com amigos. João espera que se encontrará outra vez com seus amigos, e então sua alegria será completa (2 Jo 12).
No Novo Testamento, não existe vestígios da religião que isola o homem do seu próximo. O Novo testamento mostra vividamente a alegria de fazer amigos, conservá-los e reencontrá-los, porque a amizade e a reconciliação entre um homem e outro refletem a comunhão e a reconciliação que há entre o homem e Deus.”

É esse tipo de amizade no amor e graça trazidos no evangelho de Cristo que salva as pessoas delas mesmas, do mundo, do inferno e da ira de Deus, e também nos leva a importar com o próximo que está além dos “muros de Jerusalém”, aqueles que estão semimortos na estrada para Jericó e nos dão a oportunidade de sermos bons samaritanos ou sacerdotes e levitas corruptos. Li uma entrevista com Ariovaldo Ramos que é muito interessante e mostra o ponto de vista de um cristão de maneira bem prática, a entrevista tem o título “Um pastor ao lado de Hugo Chávez”, veja:
“A gente reduziu o Evangelho a uma questão de salvação pessoal, que não tem nenhuma implicação com o próximo, fica só um relacionamento particular entre o camarada e Deus. Um relacionamento que foi involuindo. No começo a pessoa ainda se convertia e virava servo de Deus, e aí era um negócio intimista, pessoal, mas ele queria ser santo, queria fazer a vontade de Deus, reconhecia que era filho, que tinha sido perdoado por seus pecados. E isso gerou um bocado de santo na história da Igreja. Mas aí a coisa involuiu. Continua sendo particular, pessoal, só que ao invés de ser servo de Deus, Deus que é servo dele. E aí, quer ser abençoado, vem à reunião para buscar sua bênção. O santo do passado não incluía o próximo na sua salvação, mas por querer ser servo de Deus, acabava amando o próximo. Esse agora nem inclui e nem ama, entendeu? Então, está faltando sim, nós não temos Teologia Política. A gente não tem a menor idéia de que o Evangelho é a recuperação do conceito de humanidade, e muito menos qual é o conceito de humanidade nas Escrituras.
O que me levou a assinar o manifesto foi, primeiro, que o Hugo Chávez é um camarada democraticamente eleito. Ele foi deposto pela oligarquias e foi reconduzido ao poder pelo povo. Depois, tendo ido lá eu pude assistir in loco que ele realmente está fazendo uma revolução social. Ele está trabalhando pela erradicação da pobreza mesmo, construindo escolas, trouxe 10 mil médicos de Cuba que moram nas favelas e cuidam das pessoas que moram ali. Aí as pessoas dizem "é, mas ele trouxe médicos de Cuba e tal". Sim, mas de que outra nação ele ia trazer? Quem mais no mundo está disposto a esse nível de sacrifício? Deviam ser os americanos, que se dizem crentes, protestantes. Deviam ser os ingleses, que se dizem protestantes, deviam ser os alemães, que se dizem luteranos. Deviam ser os escandinavos, que são luteranos, que é tudo crente, tudo protestante, tudo gente boa. Mas parece que Jesus Cristo está enfrentando a mesma situação que enfrentou quando foi fazer a Ceia e teve de pedir para um grupo que não era seu discípulo. Quando foi entrar em Jerusalém e mandou seus discípulos buscarem o jumentinho num grupo que também não era seu discípulo, que os discípulos não conheciam. Então parece que Jesus tem gente que O segue e os Seus discípulos não conhecem. Aí os caras falam assim "é, mas justo os cubanos?". É, os cubanos porque os cristãos não vão, né? Os cubanos porque os caras que têm a Bíblia na mão não fazem isso, os caras com Bíblia na mão querem ficar ricos. Então tem de ir essa gente. Que pena que essa gente não está no nosso meio. A outra coisa que eu ouvi, segundo o pastor com quem conversei, é que 80% da Igreja evangélica na Venezuela está com Hugo Chávez. Perguntei ao pastor o motivo. Ele disse: "porque a Igreja evangélica é pobre, e os pobres estão com o Chávez". Perguntei pra ele o que era a Venezuela antes do Chávez e ele disse: "era uma grande fazenda dominada por 30 famílias". Perguntei como era essa coisa do dinheiro, porque afinal de contas a Venezuela tem 80 bilhões de barris de petróleo de reserva, então um país que tem tanto petróleo não pode ter pobreza. Aí ele disse: "entrou aqui na Venezuela nos últimos 25 anos o equivalente a 12 planos Marshall [ajuda americana para reconstruir a Europa depois da 2ª Guerra Mundial], mas 70% da nossa população está na pobreza total". Como não apoiar um sujeito que diz "vamos mudar isso"?. Vamos mudar isso, pelo amor de Deus! ...”
publicada originalmente no site Teologia Brasileira

É claro que eu não espero que alguma comunidade cristã seja perfeita de forma instantânea, a restauração da alma é um processo de aprendizado: o espírito que estava morto ressuscitou e a alma estava mal acostumada. O nosso espírito estava morto e quando ele ressuscita encontra uma alma cheia de doenças que começam pelos conceitos errado e que passam por sentimentos inapropriados e tudo isso precisa ser curado. Todos precisamos ser curados das doenças das nossas almas e a comunhão ou amizade real tem um papel enorme em tudo isso, pois através dela eu posso me enxergar através dos olhos do meu irmão e amigo.
Esta música de Renato Russo tem um trecho que relata uma realidade que eu vivi ultimamente quando estávamos em alguns conflitos entre nós aqui que nos reunimos como igreja, diz assim:
“Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Prá que esse nosso egoísmo
Não destrua nosso coração.

Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Brigar prá quê?
Se é sem querer
Quem é que vai
Nos proteger?
Será que vamos ter
Que responder
Pelos erros a mais
Eu e você?”
Tenho aprendido a cada dia mais valorizar minhas amizades em Cristo e conservá-las pagando o custo do sacrifício na direção do meu próximo, tem sido difícil, às vezes penso em desistir então eu lembro do que o salmista profetizou em Salmos. 88: 8, 18
“Afastaste de mim os meus melhores amigos e me tornaste repugnante para eles. Estou como um preso que não pode fugir;
Tiraste de mim os meus amigos e os meus companheiros; as trevas são a minha única companhia.”
Que se cumpriu em Mateus 26: 56b
“’Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas’. Então todos os discípulos o abandonaram e fugiram.”
Então me vêm à memória que Jesus logo no início do derramar do cálice da ira de Deus, quando estava começando a sofrer as agonias do inferno que eram para nós, ele foi abandonado por todos seus amigos próximos e, mais tarde, depois do triunfo da ressurreição quando a ira de Deus já havia sido consumada sobre Ele, os retomou como irmãos. Isso me mostra o valor da amizade, do perdão, do amor ao próximo dos dois lados, tanto na retirada dos amigos quanto na retomada dos irmãos. Os discípulos abandonaram um Cristo que os amava e chamava de amigos e foram encontrados por um Cristo que continuava amando-os e os chamava de irmãos. Assim como nosso Mestre nós somos o povo que triunfa no sacrifício e que continua amando quando as circunstâncias nos dão respaldo ao ódio.
Em Cristo, podemos viver esse processo maravilhoso, profundo, complexo e edificante que constrói coisas divinas em nossas almas nos transformando a imagem dele mesmo, transformando a “igreja” dos homens, como dizem alguns, na igreja de Deus.
Só quando aprendermos a amar e a nos relacionar como Cristo, nosso exemplo em todas as coisas, a nossa “nação cristã”, a igreja, não será destruída por si mesma.

João Vítor

Quem disse que ele é bobo?


Texto que descreve a ação sutil mas eficaz de Satanás contra os cristãos e a igreja de Cristo.

Satanás só se une a nós contra nós mesmos!

“Se Satanás se opõe ao novo convertido, opõe-se ainda mais ferozmente ao cristão que está se empenhando em avançar rumo a uma vida mais elevada em Cristo. A vida cheia do Espírito não é uma vida de paz e quietude, como muitos supõem. Tende a ser o oposto disso. Luta há sempre, e por vezes há uma arrojada batalha contra a nossa própria natureza, onde as linhas se confundem tanto, que é impossível localizar o inimigo ou dizer qual é o impulso do Espírito e qual o da carne.”
A.W Tozer

Bom, acho que Tozer mais uma vez conseguiu descrever muito bem onde se encontra boa parte dos irmãos que eu conheço e que já possuem certo grau de maturidade espiritual, pelo menos até ao ponto em que eu consigo discernir pela bíblia o que isso pode vir a ser. É exatamente nesse “encontro das águas do rio e do mar” que eu percebo estar também. Acho curiosa a forma como a maturidade nos traz mais peso com o passar dos tempos e como as conseqüências das nossas decisões por Cristo ao invés de seguir o curso desse mundo nos põe em uma condição de teste da fé quase que diariamente. Justamente nesse ponto da vida, em que você começa a sentir o peso das suas decisões por Deus, muitos procuram culpar a maturidade espiritual ou o conhecimento, mas a verdade é que a vida permanece arriscada e Deus permanece o mesmo, foram nossas percepções que mudaram. Arrisco-me a dizer que talvez o problema não seja o conhecimento, mas nossa reação a ele. Na maior parte do tempo esquecemos que o processo de amadurecimento leva tempo e o tempo nem sempre traz em suas asas surpresas agradáveis. Logo, o problema não é estar aprendendo quem Deus é, Sua ação na história, quem nós somos e para o que fomos criados; todas essas coisas fazem parte do amadurecimento real do ser humano, nós fomos criados para escolher e a maturidade também está nisso, assim como o sofrimento. Desde que Adão pecou viver é sofrer de alguma forma.
Na maturidade, a nossa inocência ignorante e infantil dá lugar à fé e a perseverança, que no seu estágio final, nos conduz a esperança e faz brilhar a luz do evangelho de Jesus Cristo em meio às densas trevas dos problemas da vida que tentam, por diversas vezes, destruir essa capacidade de, independente da desconfiança e do desamor, continuar acreditando e amando as pessoas. Somente dessa maneira podemos nos unir a Paulo e dizer: “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.“ Romanos 5:5

Mas é claro que também há ações do inimigo de nossas almas, o diabo, no meio de todo o nosso desequilíbrio e confusão. Ele sempre distorce a palavra de Deus e, quando damos ouvidos a ele juntamente com os nossos desejos assim como Eva fez no jardim do Éden, nos perdemos de Deus e começamos a fazer sacrifícios em nome do desequilíbrio simplesmente porque perdemos a linha que determina os nossos limites. Precisamos conhecer a Deus da maneira pura e verdadeira que a bíblia nos ensina, tomar para nós a atitude de se importar e se submeter a Ele dizendo: "Não ao que eu penso que Tu és, mas ao que Tu sabes ser”. Pois quanto mais tempo caminhamos rumo ao conhecimento de Deus, sem Ele e influenciados por Satanás, perdemos todo o senso de direção e acabamos nos esquecendo que por mais que saibamos sobre Deus nunca seremos Ele, esquecemos que não somos nada, deixamos de ser misericordiosos e este tipo de pensamento nos abandona: "Se eu, sendo o que sou, posso aceitar que até certo ponto sou um cristão, quem poderia distinguir os vícios destas pessoas nos bancos aí ao lado e provar que a religião deles não passa de hipocrisia e mero convencionalismo?"
É assim que começam as divisões entre irmãos!
Por isso achei muito interessante o texto de A. W. Tozer, pois nos dá um sinal de que precisamos reconsiderar muitos conceitos errados e além de nos alertar nos ajuda a perceber nossos sentimentos inapropriados. Boa leitura.

“Nossa tendência para o desequilíbrio religioso
É um objeto batido do conhecimento geral que a raça humana perdeu a harmonia e tende a desequilibrar-se em quase tudo que ela é e faz. Filósofos religiosos têm reconhecido esta assimetria e têm procurado corrigi-la pregando de uma forma ou de outra a doutrina do "meio de ouro". Confúcio ensinou o "caminho médio"; Buda queria que os seus seguidores evitassem tanto o asceticismo como o ócio corporal; Aristóteles acreditava que a vida virtuosa é a que mantém equilíbrio perfeito entre o excesso e a falta.
O cristianismo, estando de pleno acordo com todos os fatos da existência, leva em conta este desequilíbrio da vida humana, e o remédio que oferece não é uma nova filosofia, mas uma nova vida. O ideal a que o cristão aspira não é andar pelo caminho perfeito, mas ser transformado pela renovação da sua mente e ser amoldado à semelhança de Cristo.
O homem regenerado muitas vezes passa por tempos mais difíceis do que o não regenerado, porquanto ele não é um homem somente, mas dois. Sente dentro de si um poder que tende para a santidade e para Deus, enquanto ao mesmo tempo ainda é filho da carne de Adão, filho do barro vermelho. Para ele, este dualismo moral é uma fonte de aflição e de luta que o homem que só nasceu uma vez desconhece totalmente. Por certo a crítica clássica a isto é o testemunho de Paulo no capítulo sete da sua Epístola aos Romanos.
O cristão verdadeiro é um santo em embrião. Os genes celestiais estão nele, e o Espírito Santo está trabalhando para levá-lo a um desenvolvimento espiritual que esteja em harmonia com a natureza do Pai Celeste, de quem ele recebeu o depósito da vida divina. Todavia, aqui está ele neste corpo mortal, sujeito a fraqueza e tentação, e seu conflito com a carne às vezes o leva a praticar coisas extremas. "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer" (Gálatas 5:17).
A obra do Espírito no coração humano não é algo inconsciente ou automático. A vontade e a inteligência humanas precisam render-se às benignas intenções de Deus e com elas cooperar. Creio que é aqui que muitos de nós perdem o rumo. Ou tentamos fazer-nos santos por nós mesmos, e falhamos miseravelmente, como certamente haverá de ocorrer; ou procuramos conseguir um estado de passividade espiritual e esperar que Deus aperfeiçoe as nossas naturezas em santidade, como alguém que se senta e espera um pintarroxo sair da casca do ovo ou uma roseira espocar em flores. Assim, trabalhamos febrilmente para fazer o impossível, ou não fazemos absolutamente nada; e aí jaz a assimetria sobre a qual escrevo.
O Novo Testamento desconhece qualquer obra do Espírito Santo em nós isolada das nossas respostas morais. Vigilância, oração, disciplina pessoal e inteligente aquiescência aos propósitos de Deus são indispensáveis para que haja algum real progresso em santidade.
Existem áreas em nossas vidas nas quais, em nosso esforço para estarmos certos, podemos errar, e errar tanto, a ponto de chegarmos a uma deformidade espiritual. Para ser específico, permita-me mencionar algumas:
Quando, em nossa determinação de sermos destemidos, nos tornamos descarados. A coragem e a mansidão são qualidades compatíveis: encontramos ambas em perfeita proporção em Cristo, e ambas esplendem de beleza em Seu conflito com os Seus inimigos. Pedro diante do Sinédrio e Paulo perante Agripa demonstraram as duas qualidades, apesar de que noutra ocasião, quando a coragem de Paulo perdeu temporariamente o seu espírito caridoso e ele se tornou carnal, disse ao sumo sacerdote: "Deus há de ferir-te, parede branqueada." Para crédito do apóstolo, quando viu o que tinha feito, desculpou-se imediatamente (Atos 23:1-5).
Quando, em nosso desejo de sermos francos, nos tornamos rudes. Franqueza sem grosseria sempre se achou no homem Cristo Jesus. O cristão que se gaba de que sempre fala a verdade nua e crua, provavelmente acabará sendo rude até com a própria sombra. Até mesmo o impetuoso Pedro aprendeu que o amor não se precipita a pôr para fora tudo o que sabe (I Pedro 4:8).
Quando, em nosso esforço para estarmos vigilantes, nos tornamos desconfiados. Pelo fato de haver muitos adversários, a tentação é ver inimigos onde não há nenhum. Pelo fato de estarmos em conflito com o erro, somos propensos a desenvolver um espírito de hostilidade a todo aquele que discorda de nós sobre alguma coisa. Satanás pouco se importa se nos extraviamos seguindo alguma falsa doutrina ou se simplesmente ficamos azedos. De um modo ou de outro ele vence.
Quando procuramos ser sérios e nos tornamos sombrios. Os santos sempre foram sérios, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deve ser confundida com religiosidade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou de outro pecado e, se permanecer por muito tempo, pode levar a um grave distúrbio mental. A alegria é uma grande terapêutica para a mente. "Alegrai-vos sempre no Senhor" (Filipenses 4:4).
Quando pretendemos ser conscienciosos e nos tornamos hiperescrupulosos (ou muito cuidadosos, ou zelosos demais). Se o diabo não conseguir destruir a consciência, terá a solução tornando-a doente. Conheço cristãos que vivem num estado de constante agonia, temendo desagradar a Deus. Seu mundo de atos permitidos vai-se estreitando ano após ano até que, por fim, temem envolver-se nas ocupações comuns da vida. Acreditam que torturar-se assim é prova de vida piedosa, mas quão errados estão!
Estes são apenas uns poucos exemplos de grave desequilíbrio na vida cristã. Confio em que o remédio foi sugerido no caminho que já seguimos.”
A bíblia é o livro dos relacionamentos, vemos o relacionamento de Deus com o homem e a resposta errada do homem a Deus, daí em diante vemos a destruição dos relacionamentos do homem com os que o cercam, com a natureza e consigo mesmo. Mas pela graça de Deus Ele nos revelou qual caminho seguir, nos atraiu a Ele e nos faz permanecer firme nele até o fim. As orientações que a bíblia mos dá foram registradas por inspiração divina, para orientação eterna de seus filhos. Aquele que não dá atenção a essas normas talvez seja aceito como membro de uma igreja ou denominação evangélica, mas certamente não será aquele que a Bíblia chama de homem "santificado".

João Vítor
Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss