Orgulho, Soberba, Altivez e “Sabedoria”


"Eles fecham o coração insensível, e com a boca falam arrogância." Sl. 17:10
"A vida de pecado dos ímpios se vê no olhar orgulhoso e no coração arrogante."Pv. 21:4
"os que têm olhos altivos e olhar desdenhoso;" Pv. 30:13

Creio que os que já se autopromoveram ao nível "Estou Acima de Qualquer Correção", seja nas áreas teológicas ou morais, não farão nenhum proveito deste estudo. Pois sei que a teologia sem espiritualidade e as aplicações morais sem conversão de vida levam ao mesmo caminho de cegueira espiritual e sucessivamente inferno. Espero ao menos, alcançar àqueles que ainda não caíram no penhasco da arrogância irrepreensível. Como um velho mestre disse: "Não custa nada espalhar avisos pelo caminho.", não é?

Está claro que existem muitas coisas que nos conduzem ao abismo do orgulho, mas dentre todas, vamos nos concentrar na "sabedoria", que é a mais fácil de se maquiar com “humildade” e é valorizada tanto no mundo quanto no meio cristão contemporâneo.
Nós podemos perceber partes desse tipo de “sabedoria” por todo lado, desde um professor universitário guiando seus alunos ao ceticismo moderno até um debate de pastores (que nunca chega a uma conclusão na qual um dos lados assume que está errado) discutindo sobre qual é a “visão” mais adequada ou dos cristãos emergentes batalhando em seus blogs para ver quem está mais bem informado.
Não sou a favor do novo mandamento que tomou conta das igrejas no Brasil, que diz: “Jamais discordarás do que te ensinarem aqui”, e também não sou participante da nova “bem-aventurança” que tem estado em tanta evidência em nossos dias, que nos diz: “Bem- aventurados os que concordam com tudo, pois não serão responsabilizados por coisa alguma”. Mas, mesmo sendo de se entristecer contemplar tantos homens castrados nos púlpitos cristãos tenho que concordar com o Rev. Ian Hamilton quando ele diz:
“A graça de Deus deveria adoçar nossas discordância. Existe um grande perigo de absolutizar a nossa forma de fazer as coisas. Devemos nos apegar àqueles que se apegam a Cristo"
Não há orgulho em defender, ou ter por certo, aquilo em que se crê. Os mártires do cristianismo são o melhor exemplo disso. O problema não é ter a certeza de estar certo, mas crer que há a impossibilidade de um dia se achar errado.

"Você conhece alguém que se julga sábio? Há mais esperança para o insensato do que para ele.” Pv. 26:12
"Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes na sua própria opinião!" Is. 5:21
“Se vocês são sábios e entendem as maneiras de Deus, que provem isso pelo seu bom comportamento e pelas suas boas obras praticadas com a humildade que vem da sabedoria. Mas, se no coração de vocês existe inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de “sabedoria” não vem dos céus, mas é deste mundo, não é espiritual e é do diabo. Pois onde tem inveja e ambição egoísta você achará desordem e maldade de toda espécie.” Tg. 3:13-16


Essa passagem de Tiago ilustra muito bem o que se passava na mente dos filósofos do passado, que influenciam nossa sociedade hoje, em contraste com a sabedoria que vem de Deus. A sabedoria dos filósofos eram reflexos exteriores de coisas que foram decoradas para que, de alguma forma, o interior seja valorizado, pois, nem todos que dizem "Só sei que nada sei" criam realmente nisso. A sabedoria deles não os salvou e muito menos redimiu a sociedade de suas épocas. No período em que César Augusto(63 a.C.) governava sobre o Império Romano nunca achamos uma sociedade tão corrompida e ao mesmo tão evoluída nas artes e na filosofia!
Sabe uma coisa interessante da sabedoria dos filósofos? É que ela os tornava mais pacientes com aqueles que eles consideravam inferiores a eles, aqueles que ainda não tinham conseguido alcançar o mesmo patamar deles. Isso mesmo, eles olhavam as pessoas “de cima”. Não é estranho encontrarmos isso entre cristãos? Até mesmo entre os mais modernos ou alternativos? Não, na verdade não é...por isso Tiago escreveu aquele texto.

"Não vou tolerar o homem de olhos arrogantes e de coração orgulhoso." Sl. 101:5b
"O Senhor detesta os orgulhosos de coração. Sem dúvida serão punidos. O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo antes da queda." Pv. 16:5,18
"Ele realizou poderosos feitos com seu braço; dispersou os que são soberbos no mais íntimo do coração." Lc. 1:51

Lembrem-se de Nabucodonossor (Dn. Cap. 4) e Herodes (At. 12:21-23), não há espaço para orgulho antes da lei e muito menos depois da graça.

O orgulho não pode e não deve ser companheiro do cristão em sua jornada em direção aos céus, pois esta é composta por uma necessidade de arrependimento diário. É um grande erro achar que o mundo é composto por algumas pessoas boas e outras más, na verdade, ele está cheio de pessoas más, algumas arrependidas e outras não. Mas quando olho para mim mesmo conhecendo quem eu sou e meditando no tamanho do Deus que criou todas as coisas e confundiu todos os sábios através de Cristo sou arrastado ao que Sócrates disse: “Sei que nada sei...”, e prontamente completo: “e que nada sou”.
Entretanto, a vitória sobre o “eu” não está no se desvalorizar, mas sim no seguir ao caminho Jesus Cristo para a crucificação. Sabedoria que é válida só pode ser achada na loucura da cruz, na qual a morte e a vida aparecem juntas, a morte do velho homem e o surgimento do que é novo em Cristo, pois não há poder o suficiente em nossas palavras para nos tornar humildes de verdade. Confesso que é muito mais fácil escrever sobre isso do que pôr em prática.

"Contudo, 'quem se gloriar, glorie-se no Senhor', pois não é aprovado quem a si mesmo se recomenda, mas aquele a quem o Senhor recomenda." II Co. 10:17-18

Que Deus nos ajude! Amém.

João Vitor

O Senhorio de Cristo

Falar em línguas


O assunto de “falar em línguas” geralmente cria discussões cheias de controvérsia e emocionalismo.o mais freqüentemente considerado centro de perguntas na questão das línguas no Novo Testamento é se eram idiomas humanos ou um discurso estático e desconhecido, e se esse dom é ou não adquirível hoje. Embora essas perguntas sejam importantes, uma outra igualmente importante questão tem sido deixada de lado. Essa questão é se o que fala em línguas no Novo Testamento entendia ou não aquilo que ele mesmo falava. Não só um entendimento correto desse problema lançará uma luz nas duas perguntas acima, mas irá trazer grande cura ao nosso alcance evangelistico na comunidade carismática.

Os que falam em “línguas” atualmente desde Pat boone até os membros de uma congregação local, afirmam que eles não podem entender o que falam usando seu dom. se o Novo Testamento confirmar a afirmação deles, então é possível (é pensado por outros ser impossível) que esse dom de “línguas” é de fato de Deus. Por outro lado se o que falava em línguas no Novo Testamento entendia o seu discurso, então o dom do que fala em “línguas” hoje não é o dom do Novo Testamento. Quando um individuo afirma que tem a habilidade de falar em línguas de acordo com o Novo testamento, mas não entende o que diz quando a bíblia ensina que ele deveria, então não deve haver dúvida que ele não possui o dom bíblico de línguas. A questão, então, é uma importante: aquele que falava em línguas no novo testamento entendia o que ele mesmo falava?

Sim, ele entendia

Primeiramente o texto de 1 corintios 14:5 claramente afirma que o que falava tinha a habilidade de interpretar o que ele mesmo dizia. O versículo diz: “aquele que profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a não ser que interprete para que a igreja seja edificada.”

No original, a frase “aquele que fala” é um particípio que governa a clausula dependente “a não ser que interprete”. Portanto, aquele que falava era o mesmo que interpretava.

Nisso, Paulo assume a habilidade daquele que fala em interpretar sua mensagem. Se o apóstolo tivesse um indivíduo diferente em mente na segunda clausula que não fosse o mesmo que fala, ele teria usado um pronome indefinido (eis, “um”) como em 1 corintios 14:27. Portanto, de acordo com Paulo, aquele que falava em línguas de fato entendia sua própria mensagem.

Segundo, 1 corintios 14:5 também indica que para que a igreja fosse edificada, a “língua” deveria necessariamente ser interpretada. A igreja não poderia ser edificada a não ser que entendesse o que aquele que falava em línguas dizia. Paulo também afirma a mesma coisa em 1 corintios 14:16,17. ali ele argumenta que aquele que não sabe ou entende o que está sendo falado não pode ser edificado.

Edificação, portanto, implica e pressupõe entendimento. Com essa perspectiva note com cuidado a implicação de 1 corintios 14:4ª que diz: “Aquele que fala em línguas edifica a si mesmo.”. Edificação implica entendimento, e o que fala em línguas edifica a si mesmo, então deve ser o caso de o que fala entendia o que ele mesmo dizia. Dizer que ele não entendia é, nesse contexto, o mesmo que dizer que ele não era edificado. Mas, ele era edificado. Portanto, entendia.

Não, ele não entendia

Há duas maiores objeções a esse ponto de vista, a segunda sendo mais decisiva. Primeiramente, é argumentado que se a minha tese é verdadeira, então nenhuma situaç~~ao como a descrita por Paulo em 1 corintios 14:28 pode existir. Ali o apóstolo proíbe falar em línguas quando não há intérprete. Mas se o que fala pode interpretar, nunca poderia haver uma situação onde não houvesse intérprete. Em resposta, precisamos definir o que seria uma situação onde não há intérprete.

Como foi observado acima, em 1 corintios 14:27 Paulo usa o termo “eis” para indicar que alguém além daquele que está falando deve interpretar. Então 1 corintios 14:28 leva a uma situação onde não há ninguém para interpretar além daquele que está falando. A ordem não nega ou afirma a habilidade daquele que fala em interpretar, mas proíbe o falar em línguas onde não há outro individuo para interpretar a mensagem. A sabedoria nisso é evidente. Assim como alguns profetas “julgavam” os profetas que falavam (1 corintios 14:29), era necessário que houvesse alguém diferente junto aquele que falava em línguas para interpretar, para que a tradução fosse preservada de qualquer mau uso por homens enganosos.

Segundo, é argumentado que 1 corintios 14:14 nega nossa tese. O texto diz: “Pois se eu oro em línguas, meu espírito ora, mas minha mente fica infrutífera.” Já que a mente fica infrutífera, ele não pode ter entendido o que disse. Em resposta, nós devemos primeiro notar o termo grego que é traduzido como “mente”. A palavra é “nous”. Para entender o seu uso aqui é necessário notar o seu uso nos versículos 15-17. Aqui “nous” equiparado com edificação (e portanto entendimento). Ter “nous” é ter edificação e ter entendimento, o último sendo uma melhor tradução do termo em si. Paulo, então, estava argumentando que quando ele orava em uma língua o seu “entendimento ficava infrutífero”. Portanto, o apóstolo não nega a sua habilidade de entender, mas afirma a mesma. Ele escreve: “meu entendimento fica infrutífero.”

Isso nos leva ao segundo ponto. Para quem o entendimento de Paulo é infrutífero? Os dois versículos que precedem providenciam a resposta. No verso 12 o apóstolo encoraja a pratica desses dons que edificam a igreja (a assembléia). O versículo 13 argumenta que essa é a razão porque “línguas” devem ser interpretadas, para que a assembléia possa ser edificada. O versículo 14, então, afirma a razão do versículo 13. se alguém ora em uma língua não interpretada, então seu “entendimento fica infrutífero”. Para quem? Para a assembléia na qual o que fala está orando. O foco de Paulo não é que o que fala não entende, mas que o seu entendimento (nous) é infrutífero em relação a assembléia quando não é interpretado.

Conclusão

Portanto, aquele que fala em línguas no novo testamento entendia o que ele mesmo falava e tinha a habilidade de interpretar para outros. Então, quando você for confrontado por um carismático que afirma ter falado em línguas, faça essa pergunta a ele: “Você entendeu o que você mesmo disse?”. Se a resposta dele for negativa (como a maioria será), então você pode ter certeza que ele não possui o dom que o novo testamento descreve.

Depois, você pode também perguntar se ele é ou não capaz de controlar o seu dom. se a resposta for negativa (como a maioria será) direcione ele a 1 corintios 14:27,28. Ali, Paulo instrui aqueles que falam em línguas a controlar seu dom, até mesmo ao ponto de não falar. Se alguém que nos dias fala em línguas, não entende nem controla o que fala, então seu dom certamente não é de Deus.

“Unto you young men: Treatise on Tongues,” World evangelist 7.6 (January 1, 1979), 17.

Tradução: Harlindo João

Santidade

A santificação não consiste na casual realização de ações corretas. Antes, é a operação habitual de um novo princípio celestial que atua no íntimo, influenciando toda a conduta diária de uma pessoa, tanto nas grandes quanto nas pequenas coisas. A sua sede é o coração, e, tal como o coração físico, exerce influência regular sobre cada aspecto do caráter de uma pessoa. Não se assemelha a uma bomba de água que só fornece água quando alguém a aciona; mas parece-se mais com uma fonte perpétua, de onde a torrente jorra perene e espontaneamente, com naturalidade. Herodes ouvia João Batista "de boa mente", ao mesmo tempo em que seu coração era inteiramente mau aos olhos de Deus (Mc 6.20).

Por semelhante modo, há dezenas de pessoas hoje em dia que parecem ter ataques espasmódicos de "atos de bondade", conforme os poderíamos chamar, e que fazem muitas coisas boas sob a influência da enfermidade, da aflição de morte na família, das calamidades públicas ou de alguma súbita agonia da consciência. Contudo, o tempo todo qualquer pessoa inteligente poderá observar claramente que tais pessoas não se converteram e que elas nada conhecem acerca da "santificação". Um verdadeiro santo, tal como Ezequias (2 Cr 31.21), age "de todo o coração" e poderá dizer, juntamente com o salmista: "Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; por isso detesto todo caminho de falsidade (Salmos 119:104).

Desafio qualquer pessoa a ler cuidadosamente os escritos do apóstolo Paulo para neles encontrar grande número de claras orientações práticas, atinentes ao dever do cristão, em cada relacionamento da vida, e acerca de nossos hábitos diários, de nosso temperamento e de nossa conduta de uns para com os outros. Essas orientações foram registradas por inspiração divina, para orientação perpétua dos crentes professos. Aquele que não dá atenção a essas normas talvez seja aceito como membro de uma igreja ou denominação evangélica, mas certamente não será aquele que a Bíblia chama de homem "santificado".

J.C Ryle
Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss