A voz da carne

Que Deus possa continuar dando perseverança a cada um de vocês que tem se preocupado e ocupado em fazer uma leitura deste século e de si mesmo, examinando e reagindo da maneira correta e bíblica em relação a ambos.
Estudaremos essa voz em 3 partes: Depravação, Discernimento e Tentação.

A Depravação

Dentre essas terríveis vozes que nós meditamos até esse ponto acho que a Voz da Carne é a mais percebida e, como um chicote na mão de um carrasco, faz os homens se lembrarem de sua escravidão ao pecado, mesmo eles tendo prazer nele.
Por mais que, após a queda de Adão no Jardim do Éden, a humanidade tenha sido sujeita à inutilidade e que, por estar afastada de Deus, tenha construído para si um próprio “mundo”, como Caim depois de ter matado seu irmão Abel construiu (Gn. 4:17), e também um caminho próprio para os céus, como os construtores da Torre de Babel fizeram (Gn. 11), e um novo conceito de paraíso, sem a presença do Deus Santo, que consiste em se ter plenitude de bens, imortalidade, prazer, admiração, honra, poder e beleza, ela sabe que as Leis desse Deus, que não é desejado no seu paraíso, são necessárias para se dar continuidade à existência humana e a sociedade como conhecemos. De forma irônica os homens somente tiraram o nome de Jesus Cristo ou omitiram o nome da Fonte de cada uma de suas leis que são usadas hoje para julgar aqueles que as quebram, com isso podemos ver que o diabo não se opõe a boa-moral, mas sim ao nome de Jesus Cristo. O conhecimento da Lei sem a vida e o poder do Espírito de nada adianta, somente gera a morte. E assim como os frustrados construtores da torre de Babel a humanidade segue confusa em sua própria “sabedoria” e fingindo que cada idéia ou atitudes boa e corretas não são plágios descarados do que está escrito na Bíblia. E a própria Lei que nos é revelada na Bíblia ressalta ainda mais a maldade e a perversidade de cada homem entre nós.

Acredito que boa parte da humanidade conhece e sente o conflito em suas almas, uns percebem isso e se entregam aos prazeres que cedo ou tarde os levarão a perder todo o censo de moralidade (como é triste e ao mesmo tempo assustador ver uma pessoa que desperdiçou a vida se entregando aos prazeres), outros também percebem esse conflito, lutam até certo ponto contra algumas de suas perversões e tentam viver uma vida moral de acordo com o sorriso cínico da sociedade, e ainda há outros que, por se acharem bons o suficiente, lutam e dão o máximo de si para se manterem em cima do altar do ídolo pessoal que fizeram para si mesmos. Mas esse conflito só se dá pelo fato do homem natural, de modo geral, admitir que existe uma Lei correta, boa, imparcial, maior do que sua existência, que governa sobre esse mundo e, que no profundo do seu coração, ele não é capaz e nem tem desejo algum em cumpri-la. Paulo descreve isso muito bem quando nos relata:
“Sabemos que a Lei é espiritual; eu, contudo, não o sou, pois fui vendido como escravo ao pecado. Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio. E, se faço o que não desejo, admito que a Lei É BOA. Neste caso, não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim. Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer, esse eu continuo fazendo. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.
Assim, encontro esta lei que atua em mim: Quando quero fazer o bem, o mal está junto a mim. No íntimo do meu ser tenho prazer na Lei de Deus; mas vejo outra lei atuando nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha mente, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em meus membros. Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?” Romanos 7:14-24

Todavia, Paulo não foi o único que percebeu isso, muitos dos “sábios” segundo o padrão deste mundo também perceberam que realmente há um conflito na alma do homem. É óbvio que eles não o discerniram com a mesma profundidade, discernimento e revelação do Espírito Santo que Paulo teve, mas alguns deles fizeram algumas declarações interessantes:
*Os judeus tinham a doutrina do yetser hatobh e yetser hara, natureza boa e natureza má, que tinha por pensamento básico de que todo homem sempre está sendo atraído para duas direções ao mesmo tempo. Da mesma maneira que o mundo geralmente gosta de mostrar o conflito interno das pessoas, um anjinho de um lado falando o que é moralmente correto e um capetinha argumentando a favor da satisfação própria e do que é errado. Por toda vida essa natureza má permanecia uma inimiga implacável do homem (Tanhuma, Beshallah 3)

*Platão, no mito Fedro (246B), mostra uma semelhança com essa linha de pensamento judeu. Ele descreve a alma humana como um carroceiro que tem a tarefa de dirigir com arreios duplos dois cavalos, um é “um cavalo nobre e de raça nobre”, a “razão”, e o outro é “oposto na raça e no caráter”, a paixão. O cavalo rebelde sempre sobrecarrega a carroça e a arrasta para o chão. Nessa linha de pensamento também encontramos a mesma guerra, tensão e a certeza de um fracasso.
O mundo antigo já manifestava sua frustração que é muito bem expressada na famosa frase de Ovídio, em Metamorfoses 7.20, “Vejo as coisas melhores, e concordo com elas, mas sigo as piores”. Sêneca, o tutor de Nero, disse “Os homens amam e odeiam seus vícios”.

Essas e muitas outras mentes “evoluídas”, segundo o padrão deste mundo, criam que era o corpo humano, meio pelo qual praticamos aquilo que é mal, que tornava o homem vulnerável às tentações e à perversidade ou o impedia de caminhar no caminho que sua filosofia demonstrava ser correto.
*Epíteto afirmava, em Fragmento 23, ser uma “pobre alma algemada a um cadáver”

*Marco Aurélio dizia, em Meditações 2.2, “Desprezem a carne, sangue e ossos e a rede que é uma meada torcida de nervos, veias e artérias”
Essa linha de pensamento também estava presente em Platão, que no Fédon, obra em que narra as últimas horas da vida de Sócrates, diz que é somente mediante a morte, que liberta os homens do corpo, que o filósofo pode entrar no conhecimento da realidade e da verdade, o estudo da filosofia nada mais é que o estudo do morrer (Fédon 64 A). Da mesma maneira, um grande escritor grego, contemporâneo de Paulo, chamado Filo escreveu:
“a causa principal da ignorância é a carne e a associação com ela. Nada apresenta tão grande impedimento ao crescimento da alma com a carne, porque é um tipo de fundamento de ignorância de tolice em que todos os males são construídos... As almas que levam o fardo da carne estão sobrecarregadas e oprimidas, ao ponto de não poderem olhar para os céus, e as suas cabeças são fortemente arrastadas para baixo, estando presas à terra como o gado” De Gigantibus 7
Todos esses autores percebiam em si e na sociedade ao seu redor uma força atuando que os conduzia, contra sua consciência, mas cativos ao prazer e aos desejos maus, à perdição e os impossibilitava a alcançar a plenitude que eles tanto desejavam, mas não conheciam o caminho para obtê-la. A sabedoria humana e o conhecimento não é capaz de resistir ao seu poder. Se nós que já fomos libertos do cativeiro do pecado e hoje somos prisioneiros do Senhor, temos que “esmurrar” o nosso corpo e fazer dele nosso escravo, para que, tendo pregado aos outros, nós mesmos não sejamos reprovados. Quanto mais àqueles que estão longe do Senhor e presos nas algemas da incredulidade que ao mesmo tempo os liberta para mergulharem nas mais atormentadoras trevas do pecado. Somente a morte era a solução aos olhos deles! Eles podiam se unir a Paulo e a todo ser humano, gritando em alta voz:

“Miserável homem que eu sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte?”

Eles sabiam que essa força era a responsável pela queda de grandes impérios e sociedades avançadas, e que não era nada sábio se submeter a essa poderosa força, mas, como escravos, eles não eram capazes de resistir às suas ordens. Todos esses “sábios” e suas sociedades desmoronaram como um castelo de cartas derrubado por uma simples brisa.

Irmãos, o pecado destrói tudo!

Hoje, não é diferente, não me espantaria se eu pegasse um livro descrevendo que o Brasil era um país que poderia ter sido uma grande potência, mas devido à corrupção não pôde chegar a esse ponto. Essa mesma afirmação pode ser dita da igreja, mas quando digo igreja não me refiro somente aos pentecostais ou tradicionais que facilmente se encontram dentro do formato empresarial que dificilmente se encontraria no Novo Testamento. Mas me refiro aos meus irmãos que compartilham da Teologia Reformada e das doutrinas organizadas biblicamente irrefutáveis. Irmãos, temos que tomar cuidado para que futuramente ao se referirem a nós não digam:
“Eles tiveram conhecimento o bastante para impactar o mundo, mas não a sabedoria, vinda dos céus, o suficiente para alcançá-lo”

Fim da parte IIIa

João Vítor

Spurgeon e a Predestinação


"Queridos amigos, a mim parece que esse avassalador acúmulo de testemunho bíblico deveria deixar boquiabertos àqueles que ousam rir da doutrina da eleição. Que poderíamos dizer a respeito daqueles que tão frequentemente têm desprezado essa doutrina, e negado a sua origem divina, que têm escarnecido de sua justiça e têm ousado desafiar ao próprio Deus, intitulando-O de tirano todo-poderoso, ao ouvirem dizer que Ele escolheu certo número de seres humanos para a vida eterna? Ó rejeitador da verdade, podes realmente extirpar da Bíblia essa verdade? Podes brandir o canivete de Jeudi e arrancar essa verdade da Palavra de Deus? Preferirias ser semelhante àquela mulher, aos pés de Salomão, que estava disposta a ver a criancinha partida pelo meio, a fim de ficar com a sua metade? Porventura, não é clara a existência dessa doutrina aqui nas Escrituras? E não faz parte do teu dever te inclinares diante da verdade, aceitando humildemente o que por acaso ainda não pudeste entender dela? — e dando-lhe acolhida, embora não possas compreender todo o seu significado?

Não tentarei provar a justiça de Deus, por haver Ele escolhido a alguns para a salvação e ter deixado outros de lado. Não cabe a mim vindicar o meu Senhor. Ele falará por Si mesmo. E Ele efetivamente o faz, dizendo: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Romanos 9:20, 21). Além disso, lemos: "Ai daquele que diz ao pai: Por que geras? e à mulher: Por que dás à luz?" (Isaías 45:10). Eu sou o Senhor, teu Deus, eu crio a luz e crio as trevas. Sou o Senhor de todas as coisas. Quem és tu, que replicas a Deus? Estremece e beija o Seu cetro; prostra-te e submete-te diante de Sua vara; não impugnes a Sua justiça, e nem queiras julgar os Seus atos diante do teu próprio tribunal, ó homem!

Não obstante, há alguns que objetam: "muito difícil aceitar que Deus tenha escolhido a alguns e tenha deixado a outros!" Ora, é por esta altura de minha exposição que desejo fazer a vocês uma indagação: Há algum de vocês aqui que deseja ser santo, que deseja ser regenerado, que deseja abandonar o pecado e andar em santidade? E alguém poderia responder-me: "Sim, eu quero!" Pois muito bem, nesse caso, Deus escolheu a esse alguém. Mas eis que uma outra pessoa talvez replique: "Não, eu não quero ser santo, e nem quero desistir das minhas paixões e dos meus vícios!" Neste último caso, retruco: Por que, então, você fica aí se queixando do fato de que Deus não o escolheu? Pois se você tivesse sido escolhido, não estaria apreciando o fato de ter sido eleito, de acordo com a sua própria confissão. Se Deus lhe tivesse escolhido para a santidade, ainda nesta manhã você teria acabado de afirmar que não se importaria nem um pouco com isso!

Porventura, você já reconheceu que prefere viver no alcoolismo, e não na sobriedade, que prefere viver na desonestidade, e não na honestidade? Você ama mais aos prazeres mundanos do que à piedade cristã. Assim sendo, por qual razão você fica murmurando diante do fato de que Deus não o escolheu para a piedade? Se porventura você ama a piedade, então é que Deus o escolheu para viver piedosamente. Em caso contrário, quais direitos você tem para dizer que Deus lhe deveria ter dado aquilo que você não deseja?

Suponhamos que eu tivesse aqui, em minha mão, alguma coisa a que você não desse valor, e eu dissesse que a daria a esta ou àquela pessoa. Nesse caso, você não teria qualquer direito de queixar-se do fato de que eu não a oferecera a você. Você não seria tão insensato a ponto de murmurar que aquela outra pessoa obteve aquilo que não lhe interessa nem um pouco. De conformidade com as suas próprias confissões, muitos de vocês não apreciam a piedade cristã, não querem ser donos de um coração renovado e nem de um espírito reto, não querem receber o perdão dos pecados e nem querem experimentar a santificação. E isso quer dizer, por sua vez, que vocês não gostariam de ter sido escollidos para essas realidades espirituais. Assim, pois, do que vocês ainda estão se queixando? Vocês consideram todas essas coisas como se fossem apenas lixo. E por qual motivo haveriam de queixar-se de Deus, o qual outorgou essas mesmas coisas àqueles a quem Ele escolheu?

Mas, se vocês acreditam que essas coisas são boas, e se chegam a desejá-las, então elas estão à disposição de vocês. Deus as dá liberalmente para todos aqueles que as desejam. Porém, antes de mais nada, Ele faz com que tais indivíduos realmente desejem essas bênçãos, porquanto, do contrário, jamais poderiam desejá-las. O grande fato é que se vocês chegarem a amar a essas realidades, então é porque Deus terá escolhido vocês para as receberem, e vocês poderão obtê-las. Mas, por outro lado, se vocês não desejam tais bênçãos, quem são vocês para descobrirem alguma falta em Deus, quando é a própria vontade obstinada de vocês que os impede de dar valor a essas coisas - quando é o próprio "eu" de vocês que os leva a odiarem essas bênçãos?

Suponhamos que um homem qualquer, lá na rua, dissesse: "Que vergonha que não me tenha sido garantido um assento no auditório, para eu ouvir o que esse pregador tem para dizer. Não posso tolerar a doutrina dele; e, no entanto, é uma vergonha que eu não tenha nenhum assento reservado ali!" Algum de vocês esperaria ouvir um homem qualquer dizer coisas dessa natureza? Não, pois todos vocês replicariam prontamente: "Aquele homem não se importa com essa oportunidade". Por qual motivo ele se sentiria perturbado porque outras pessoas possuem aquilo a que elas dão valor, mas que ele mesmo despreza? Você não aprecia a santidade; você não aprecia a retidão. E se Deus me escolheu para essas coisas, isso deixa você ofendido?"

Bibliografia: Eleição, Charles Haddon Spurgeon, Editora Fiel. Leia o sermão completo, clicando aqui.

Teologia e Vida

Aos chamados ao ministério, Indico


Não há, porventura, nas memórias que lemos sobre Branerd, muita coisa que ensine e estimule ao serviço, a nós que fomos chamados para a obra do ministério, bem como todos os candidatos a essa grande obra? Ele parecia ter um profundo senso da grandiosidade e importância dessa obra, que pesava tanto sobre sua mente! Quão sensível era ele quanto a sua própria insuficiência para essa obra, e quão grandemente dependia da suficiência de Deus! Quão diligente se mostrava em estar qualificado para a mesma! E com esse alvo quanto tempo passava em oração e jejum, como também na leitura e na meditação, dedicando-se a essas coisas! Ele consagrou a sua vida inteira, todos os seus talentos a Deus; e olvidou e renuncio ao mundo, com todos os seus aprazamentos agradáveis e sedutores, a fim de que pudesse liberta-se totalmente para servi a Cristo em sua obra e agradar Àquele que o escolhera para ser um soldado sob a autoridade do Capitão da nossa salvação... E quanto o seu coração parecia constantemente envolvido, o seu tempo bem empregado e todas as suas forças gastas na atividade para qual foi chamado e publicamente separado! A história de David Branerd mostra-nos como podemos obter êxito na obra ministerial.

Jonathan Edwards, A Vida de David Branerd, pg 23 Editora Fiel

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Você realmente deseja conhecer a Deus?


Você realmente deseja conhecer a Deus?
“A Bíblia é o livro que os cristãos devem saber de cor”
Talvez alguns dos que leram essa frase pensem que quando digo isso estou na verdade querendo dizer: “Os Cristãos devem ter a bíblia decorada em suas mentes”. Não meus amigos, não, eu não quero dizer isso. Essa expressão, “saber de cor”, nasceu de uma expressão latina que significa “saber com o coração”, ou seja, “saber com algo que vai além do intelecto”. Então quando eu digo que a bíblia é um livro que todo cristão deveria saber de cor eu quero dizer isso:

“Todo cristão deve conhecer a bíblia além do que qualquer uma das palavras formadas através do papel e da tinta possa expressar”

Todo cristão deveria poder se unir a Kepler, um astrônomo alemão, em sua sincera oração e agradecer ao Senhor dizendo: “Ó Deus, graças te dou por permitir que eu pensasse seus pensamentos depois de Ti”.

Por incrível que pareça é possível estudar teologia sem ter qualquer tipo de vínculo com ela, sim é possível ser formado em teologia em um dos melhores institutos ou seminários e não ter um pingo da unção necessária para pregar o evangelho. Parafraseando o que alguns amigos meus já falaram: “As faculdades e seminários formam teólogos, não ministros da parte de Deus”

Certa vez, na época em que freqüentava um seminário, o professor de homilética (que nos ensinava a como passar uma mensagem) nos contou uma história, era algo parecido com isto:

“Durante seu período de oração um homem teve a seguinte visão: Um pregador eloqüente, muito bom com as palavras, citando versículo por versículo de seus pontos no esboço de cabeça e levando a multidão que o ouvia ao delírio. O homem que teve visão perguntou ao Senhor quem era o homem da visão. ‘Seria ele um avivalista? ’ ou um ‘novo reformador’. O Senhor respondeu ao homem: ‘Ele é um homem usado pelo diabo’. ‘O quê? - disse o homem surpreso’, ‘Mas ele está pregando a sua palavra’. O Senhor disse: ‘É que toda vez que minha palavra é pregada sem unção, ela só endurece ainda mais os corações. ’”

Você se lembra do que Jesus disse aos judeus queriam matá-lo?
“Eu tenho um testemunho maior que o de João; a própria obra que o Pai me deu para concluir, e que estou realizando, testemunha que o Pai me enviou. E o Pai que me enviou, ele mesmo testemunhou a meu respeito. Vocês nunca ouviram a sua voz, nem viram a sua forma, NEM A SUA PALAVRA HABITA EM VOCÊS, pois não crêem naquele que ele enviou. Vocês ESTUDAM CUIDADOSAMENTE AS Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito;” João 5:36-39


O conhecimento bíblico sem o conhecimento espiritual da bíblia é uma das coisas que tem mais me preocupado nessa geração emergente de jovens calvinistas que possuem uma teologia reformada e correta, realmente isso me preocupa: um conhecimento disfarçadamente desinteressado no Deus que está sendo “profundamente” estudado. W. J. Seaton disse certa vez:

“Nosso sistema educacional está próximo de educar pessoas acima de sua inteligência e nossas igrejas reformadas devem ter cuidado para não produzir novas gerações educadas teologicamente acima do nível de sua espiritualidade… Podemos ter uma geração que abraça o status da fé reformada mais que nunca se acha confrontada com o estigma de ser merecedora das chamas do inferno, salva apenas pelo exercício da livre graça de Deus, tão claramente expostas pelo calvinismo.”

Por isso me deixe te perguntar:

“Você realmente deseja conhecer a Deus?”

Não responda isso rapidamente. Não é uma pergunta de formulário.

Oração fervorosa de Tomás que desejava profundamente a religião do Espírito do que a religião do Credo:

“Os filhos de Israel no passado disseram a Moisés: ‘Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos’. Isso não, Senhor, isso não, eu Te rogo; antes como o profeta Samuel, humildemente e fervorosamente eu Te imploro: ‘Fala, Senhor, porque teu servo ouve’. Não me fale Moisés, nem qualquer dos profetas, mas, antes, fala Tu, ó Senhor Deus, o inspirador, o iluminador de todos os profetas; pois Tu, sozinho, sem eles, podes instruir-me perfeitamente, mas, sem Ti, eles não podem ter proveito algum. Podem proferir palavras, é certo, mas não podem dar o Espírito. Deveras falam com a maior beleza, mas se Tu estás silencioso, eles não inflamam o coração. Eles ensinam a letra, mas Tu abres o sentido; eles expõem mistério, mas Tu pões a descoberto o significado das coisas seladas... Eles trabalham apenas exteriormente, mas Tu dás entendimento ao que ouve.”

Para se interpretar uma obra da melhor maneira é necessário que se conheça, no mínimo, a mente do autor. Mas “quem conheceu a mente do Senhor”? Bom, nós, como afirma o apóstolo, “temos a mente de Cristo”. Logo, meus amigos, para se conhecer a bíblia é necessário lê-la com o mesmo Espírito que a inspirou. Sem as Escrituras nada nos será revelado e sem revelação de nada nos adiantará as Escrituras.

“A melhor maneira de se conhecer os melhores livros dos melhores escritores cristãos é conhecendo melhor a bíblia”
João Vítor
Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss