Autodestruir


“Uma grande civilização não é conquistada de fora até que tenha destruído a si mesma por dentro”
W. Duran

O cristão que pensa ser auto-suficiente é visto aos olhos de Deus tão ridículo como uma mão sem dedos, pode até ser que continue sendo considerada uma mão, mas já não terá utilidade nenhuma.
A verdade é que todos nós precisamos de amigos, talvez até mais do que imaginamos, independente de estarmos em uma posição de destaque ou não. Nós precisamos ter com quem compartilhar quem somos de verdade, há coisas sobre você que sua esposa, marido ou pais não vão compreender por não terem sempre participado do contexto mais próximo da sua vida como um velho amigo de muitos anos.
Como os amigos cristãos verdadeiros são preciosos! E como eu sou grato a Deus por ter ao meu redor amigos cristãos que falham, erram comigo, muitas vezes me perdoam e não desistem de mim, porque são nessas coisas mesmo que o amor é provado verdadeiro, pois ama de verdade aquilo que conhece, não o que se imagina ou por ignorância finge se conhecer. “Jesus”, mesmo sabendo quem Judas era e o que estava para fazer, “perguntou: ‘AMIGO, o que o traz? ’”.
O amor verdadeiro não se engana para amar.

Essa verdadeira amizade baseada no amor que Deus nos revelou através de Cristo e que era e é a característica dos homens que nasceram de novo e são novas criaturas, está cada vez mais rara mesmo entre os cristãos mais sinceros e conhecedores das Escrituras, Thomas Hall escreveu: "Formalidade, formalidade, formalidade é o grande pecado da Inglaterra nestes dias, sob o qual a nação se curva. Há mais luz do que havia, mas menos vida; mais aparência, mas menos substância; mais profissões, mas menos santificação". Hoje no Brasil vemos uma igreja muito grande em termos de número e métodos mas muito pequena em relação àquilo que ela foi chamada a fazer: “ministrar”, que de certa forma é levar os irmãos a colaborarem no crescimento espiritual uns dos outros e da comunidade, de várias maneiras com seus próprios dons; um dos propósitos da pregação é equipar-nos a fazer isso, e inspirar-nos e motivar-nos a amar uns aos outros da melhor forma. Com um plano simples de estar ligado a Deus com o nosso serviço, de liderar um pequeno grupo na comunidade, de viver usando nossos dons e paixões e passar a nossa fé àqueles que não conhecem a Cristo.
Acho que Thomas ilustra muito bem a falta de relacionamentos profundos e reais entre as pessoas na igreja de hoje; porém, ao contrário de muitos, não creio que o problema esteja na placa com o nome de alguma denominação na entrada do local de reunião, ou mesmo na forma de como o culto é celebrado em conjunto ou nos ritmos e instrumentos musicais americanos e europeus que enchem esses tipos de reuniões que não tem muito a ver com nossa cultura... Esses são só reflexos do formalismo que está no coração das pessoas. Pode-se até mudar o local de culto para as casas, o ritmo das músicas, a ordem do culto, mas no fim das contas o sistema vai continuar o mesmo, porque o problema está nas pessoas antes de estar no resto. O problema do relacionamento na igreja vai muito além da tradição ou dos usos e costumes, nós nos esquecemos que a bíblia é o livro, ou manual, de como devemos nos relacionar, seja com Deus, com nós mesmos, com os nossos semelhantes, com a natureza e com o nosso medo da vida, encontramos nela resposta pra tudo isso, mas é preciso procurar.
A igreja é destruída no silêncio, para com Deus e no silêncio para com os homens.
A igreja é destruída no silêncio para com Deus nas nossas orações que já não existem, ou se existem não são da forma como ele nos ensinou; a igreja é destruída no silêncio da voz de Deus dos púlpitos por causa da negligência à sua Palavra que hoje é facilmente trocada por qualquer dado de psicologia barata e, por fim, é destruída no silêncio sorridente e de conversas rasas e hipócritas de um membro para com o outro. A igreja de hoje é o único barco em que você pode morrer afogado a bordo fingindo que não está se afogando e sendo observado por pessoas que fingem não ver você se afogar. Mas isso não pode continuar assim, não existe evangelho sem relacionamento com o próximo, como William Barclay escreveu:
“O Novo testamento está cheio da alegria daquilo que pode ser chamado “fraternidade”. É uma alegria até mesmo ver semelhante comunhão. Paulo escreve a Filemon dizendo-lhe da alegria e conforto que recebeu do amor de Filemon e ao ver modo pelo qual os santos foram reanimados pelos cuidados amorosos dele (Fm 7). Num famoso ditado, os pagãos olhavam para igreja cristã e diziam: “Vede como os cristãos amam-se mutuamente.” Nunca deve-se esquecer de que uma das maiores influências na evangelização do mundo é a visão da verdadeira comunhão cristã, e uma das maiores barreiras à evangelização é a visão de uma igreja onde a comunhão está perdida e destruída.” É uma alegria maior desfrutar da comunhão cristã. Alegra o coração de Paulo o fato de seus amigos em Filipos terem se lembrado dele com suas dádivas (Fp. 4:10). Ver a comunhão cristã é algo glorioso, estar envolvido nela é mais glorioso ainda. É uma alegria ver a comunhão cristã restaurada. Quando Tito voltou da igreja perturbada de Corinto com a notícia de que o problema havia sido solucionado e a comunhão restaurada, Paulo alegrou-se (2 Co 7.7,13). É uma alegria experimentar a comunhão restaurada. O Novo testamento mostra a alegria de alguém ao reencontrar-se com amigos. João espera que se encontrará outra vez com seus amigos, e então sua alegria será completa (2 Jo 12).
No Novo Testamento, não existe vestígios da religião que isola o homem do seu próximo. O Novo testamento mostra vividamente a alegria de fazer amigos, conservá-los e reencontrá-los, porque a amizade e a reconciliação entre um homem e outro refletem a comunhão e a reconciliação que há entre o homem e Deus.”

É esse tipo de amizade no amor e graça trazidos no evangelho de Cristo que salva as pessoas delas mesmas, do mundo, do inferno e da ira de Deus, e também nos leva a importar com o próximo que está além dos “muros de Jerusalém”, aqueles que estão semimortos na estrada para Jericó e nos dão a oportunidade de sermos bons samaritanos ou sacerdotes e levitas corruptos. Li uma entrevista com Ariovaldo Ramos que é muito interessante e mostra o ponto de vista de um cristão de maneira bem prática, a entrevista tem o título “Um pastor ao lado de Hugo Chávez”, veja:
“A gente reduziu o Evangelho a uma questão de salvação pessoal, que não tem nenhuma implicação com o próximo, fica só um relacionamento particular entre o camarada e Deus. Um relacionamento que foi involuindo. No começo a pessoa ainda se convertia e virava servo de Deus, e aí era um negócio intimista, pessoal, mas ele queria ser santo, queria fazer a vontade de Deus, reconhecia que era filho, que tinha sido perdoado por seus pecados. E isso gerou um bocado de santo na história da Igreja. Mas aí a coisa involuiu. Continua sendo particular, pessoal, só que ao invés de ser servo de Deus, Deus que é servo dele. E aí, quer ser abençoado, vem à reunião para buscar sua bênção. O santo do passado não incluía o próximo na sua salvação, mas por querer ser servo de Deus, acabava amando o próximo. Esse agora nem inclui e nem ama, entendeu? Então, está faltando sim, nós não temos Teologia Política. A gente não tem a menor idéia de que o Evangelho é a recuperação do conceito de humanidade, e muito menos qual é o conceito de humanidade nas Escrituras.
O que me levou a assinar o manifesto foi, primeiro, que o Hugo Chávez é um camarada democraticamente eleito. Ele foi deposto pela oligarquias e foi reconduzido ao poder pelo povo. Depois, tendo ido lá eu pude assistir in loco que ele realmente está fazendo uma revolução social. Ele está trabalhando pela erradicação da pobreza mesmo, construindo escolas, trouxe 10 mil médicos de Cuba que moram nas favelas e cuidam das pessoas que moram ali. Aí as pessoas dizem "é, mas ele trouxe médicos de Cuba e tal". Sim, mas de que outra nação ele ia trazer? Quem mais no mundo está disposto a esse nível de sacrifício? Deviam ser os americanos, que se dizem crentes, protestantes. Deviam ser os ingleses, que se dizem protestantes, deviam ser os alemães, que se dizem luteranos. Deviam ser os escandinavos, que são luteranos, que é tudo crente, tudo protestante, tudo gente boa. Mas parece que Jesus Cristo está enfrentando a mesma situação que enfrentou quando foi fazer a Ceia e teve de pedir para um grupo que não era seu discípulo. Quando foi entrar em Jerusalém e mandou seus discípulos buscarem o jumentinho num grupo que também não era seu discípulo, que os discípulos não conheciam. Então parece que Jesus tem gente que O segue e os Seus discípulos não conhecem. Aí os caras falam assim "é, mas justo os cubanos?". É, os cubanos porque os cristãos não vão, né? Os cubanos porque os caras que têm a Bíblia na mão não fazem isso, os caras com Bíblia na mão querem ficar ricos. Então tem de ir essa gente. Que pena que essa gente não está no nosso meio. A outra coisa que eu ouvi, segundo o pastor com quem conversei, é que 80% da Igreja evangélica na Venezuela está com Hugo Chávez. Perguntei ao pastor o motivo. Ele disse: "porque a Igreja evangélica é pobre, e os pobres estão com o Chávez". Perguntei pra ele o que era a Venezuela antes do Chávez e ele disse: "era uma grande fazenda dominada por 30 famílias". Perguntei como era essa coisa do dinheiro, porque afinal de contas a Venezuela tem 80 bilhões de barris de petróleo de reserva, então um país que tem tanto petróleo não pode ter pobreza. Aí ele disse: "entrou aqui na Venezuela nos últimos 25 anos o equivalente a 12 planos Marshall [ajuda americana para reconstruir a Europa depois da 2ª Guerra Mundial], mas 70% da nossa população está na pobreza total". Como não apoiar um sujeito que diz "vamos mudar isso"?. Vamos mudar isso, pelo amor de Deus! ...”
publicada originalmente no site Teologia Brasileira

É claro que eu não espero que alguma comunidade cristã seja perfeita de forma instantânea, a restauração da alma é um processo de aprendizado: o espírito que estava morto ressuscitou e a alma estava mal acostumada. O nosso espírito estava morto e quando ele ressuscita encontra uma alma cheia de doenças que começam pelos conceitos errado e que passam por sentimentos inapropriados e tudo isso precisa ser curado. Todos precisamos ser curados das doenças das nossas almas e a comunhão ou amizade real tem um papel enorme em tudo isso, pois através dela eu posso me enxergar através dos olhos do meu irmão e amigo.
Esta música de Renato Russo tem um trecho que relata uma realidade que eu vivi ultimamente quando estávamos em alguns conflitos entre nós aqui que nos reunimos como igreja, diz assim:
“Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Prá que esse nosso egoísmo
Não destrua nosso coração.

Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Brigar prá quê?
Se é sem querer
Quem é que vai
Nos proteger?
Será que vamos ter
Que responder
Pelos erros a mais
Eu e você?”
Tenho aprendido a cada dia mais valorizar minhas amizades em Cristo e conservá-las pagando o custo do sacrifício na direção do meu próximo, tem sido difícil, às vezes penso em desistir então eu lembro do que o salmista profetizou em Salmos. 88: 8, 18
“Afastaste de mim os meus melhores amigos e me tornaste repugnante para eles. Estou como um preso que não pode fugir;
Tiraste de mim os meus amigos e os meus companheiros; as trevas são a minha única companhia.”
Que se cumpriu em Mateus 26: 56b
“’Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas’. Então todos os discípulos o abandonaram e fugiram.”
Então me vêm à memória que Jesus logo no início do derramar do cálice da ira de Deus, quando estava começando a sofrer as agonias do inferno que eram para nós, ele foi abandonado por todos seus amigos próximos e, mais tarde, depois do triunfo da ressurreição quando a ira de Deus já havia sido consumada sobre Ele, os retomou como irmãos. Isso me mostra o valor da amizade, do perdão, do amor ao próximo dos dois lados, tanto na retirada dos amigos quanto na retomada dos irmãos. Os discípulos abandonaram um Cristo que os amava e chamava de amigos e foram encontrados por um Cristo que continuava amando-os e os chamava de irmãos. Assim como nosso Mestre nós somos o povo que triunfa no sacrifício e que continua amando quando as circunstâncias nos dão respaldo ao ódio.
Em Cristo, podemos viver esse processo maravilhoso, profundo, complexo e edificante que constrói coisas divinas em nossas almas nos transformando a imagem dele mesmo, transformando a “igreja” dos homens, como dizem alguns, na igreja de Deus.
Só quando aprendermos a amar e a nos relacionar como Cristo, nosso exemplo em todas as coisas, a nossa “nação cristã”, a igreja, não será destruída por si mesma.

João Vítor

Quem disse que ele é bobo?


Texto que descreve a ação sutil mas eficaz de Satanás contra os cristãos e a igreja de Cristo.

Satanás só se une a nós contra nós mesmos!

“Se Satanás se opõe ao novo convertido, opõe-se ainda mais ferozmente ao cristão que está se empenhando em avançar rumo a uma vida mais elevada em Cristo. A vida cheia do Espírito não é uma vida de paz e quietude, como muitos supõem. Tende a ser o oposto disso. Luta há sempre, e por vezes há uma arrojada batalha contra a nossa própria natureza, onde as linhas se confundem tanto, que é impossível localizar o inimigo ou dizer qual é o impulso do Espírito e qual o da carne.”
A.W Tozer

Bom, acho que Tozer mais uma vez conseguiu descrever muito bem onde se encontra boa parte dos irmãos que eu conheço e que já possuem certo grau de maturidade espiritual, pelo menos até ao ponto em que eu consigo discernir pela bíblia o que isso pode vir a ser. É exatamente nesse “encontro das águas do rio e do mar” que eu percebo estar também. Acho curiosa a forma como a maturidade nos traz mais peso com o passar dos tempos e como as conseqüências das nossas decisões por Cristo ao invés de seguir o curso desse mundo nos põe em uma condição de teste da fé quase que diariamente. Justamente nesse ponto da vida, em que você começa a sentir o peso das suas decisões por Deus, muitos procuram culpar a maturidade espiritual ou o conhecimento, mas a verdade é que a vida permanece arriscada e Deus permanece o mesmo, foram nossas percepções que mudaram. Arrisco-me a dizer que talvez o problema não seja o conhecimento, mas nossa reação a ele. Na maior parte do tempo esquecemos que o processo de amadurecimento leva tempo e o tempo nem sempre traz em suas asas surpresas agradáveis. Logo, o problema não é estar aprendendo quem Deus é, Sua ação na história, quem nós somos e para o que fomos criados; todas essas coisas fazem parte do amadurecimento real do ser humano, nós fomos criados para escolher e a maturidade também está nisso, assim como o sofrimento. Desde que Adão pecou viver é sofrer de alguma forma.
Na maturidade, a nossa inocência ignorante e infantil dá lugar à fé e a perseverança, que no seu estágio final, nos conduz a esperança e faz brilhar a luz do evangelho de Jesus Cristo em meio às densas trevas dos problemas da vida que tentam, por diversas vezes, destruir essa capacidade de, independente da desconfiança e do desamor, continuar acreditando e amando as pessoas. Somente dessa maneira podemos nos unir a Paulo e dizer: “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.“ Romanos 5:5

Mas é claro que também há ações do inimigo de nossas almas, o diabo, no meio de todo o nosso desequilíbrio e confusão. Ele sempre distorce a palavra de Deus e, quando damos ouvidos a ele juntamente com os nossos desejos assim como Eva fez no jardim do Éden, nos perdemos de Deus e começamos a fazer sacrifícios em nome do desequilíbrio simplesmente porque perdemos a linha que determina os nossos limites. Precisamos conhecer a Deus da maneira pura e verdadeira que a bíblia nos ensina, tomar para nós a atitude de se importar e se submeter a Ele dizendo: "Não ao que eu penso que Tu és, mas ao que Tu sabes ser”. Pois quanto mais tempo caminhamos rumo ao conhecimento de Deus, sem Ele e influenciados por Satanás, perdemos todo o senso de direção e acabamos nos esquecendo que por mais que saibamos sobre Deus nunca seremos Ele, esquecemos que não somos nada, deixamos de ser misericordiosos e este tipo de pensamento nos abandona: "Se eu, sendo o que sou, posso aceitar que até certo ponto sou um cristão, quem poderia distinguir os vícios destas pessoas nos bancos aí ao lado e provar que a religião deles não passa de hipocrisia e mero convencionalismo?"
É assim que começam as divisões entre irmãos!
Por isso achei muito interessante o texto de A. W. Tozer, pois nos dá um sinal de que precisamos reconsiderar muitos conceitos errados e além de nos alertar nos ajuda a perceber nossos sentimentos inapropriados. Boa leitura.

“Nossa tendência para o desequilíbrio religioso
É um objeto batido do conhecimento geral que a raça humana perdeu a harmonia e tende a desequilibrar-se em quase tudo que ela é e faz. Filósofos religiosos têm reconhecido esta assimetria e têm procurado corrigi-la pregando de uma forma ou de outra a doutrina do "meio de ouro". Confúcio ensinou o "caminho médio"; Buda queria que os seus seguidores evitassem tanto o asceticismo como o ócio corporal; Aristóteles acreditava que a vida virtuosa é a que mantém equilíbrio perfeito entre o excesso e a falta.
O cristianismo, estando de pleno acordo com todos os fatos da existência, leva em conta este desequilíbrio da vida humana, e o remédio que oferece não é uma nova filosofia, mas uma nova vida. O ideal a que o cristão aspira não é andar pelo caminho perfeito, mas ser transformado pela renovação da sua mente e ser amoldado à semelhança de Cristo.
O homem regenerado muitas vezes passa por tempos mais difíceis do que o não regenerado, porquanto ele não é um homem somente, mas dois. Sente dentro de si um poder que tende para a santidade e para Deus, enquanto ao mesmo tempo ainda é filho da carne de Adão, filho do barro vermelho. Para ele, este dualismo moral é uma fonte de aflição e de luta que o homem que só nasceu uma vez desconhece totalmente. Por certo a crítica clássica a isto é o testemunho de Paulo no capítulo sete da sua Epístola aos Romanos.
O cristão verdadeiro é um santo em embrião. Os genes celestiais estão nele, e o Espírito Santo está trabalhando para levá-lo a um desenvolvimento espiritual que esteja em harmonia com a natureza do Pai Celeste, de quem ele recebeu o depósito da vida divina. Todavia, aqui está ele neste corpo mortal, sujeito a fraqueza e tentação, e seu conflito com a carne às vezes o leva a praticar coisas extremas. "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer" (Gálatas 5:17).
A obra do Espírito no coração humano não é algo inconsciente ou automático. A vontade e a inteligência humanas precisam render-se às benignas intenções de Deus e com elas cooperar. Creio que é aqui que muitos de nós perdem o rumo. Ou tentamos fazer-nos santos por nós mesmos, e falhamos miseravelmente, como certamente haverá de ocorrer; ou procuramos conseguir um estado de passividade espiritual e esperar que Deus aperfeiçoe as nossas naturezas em santidade, como alguém que se senta e espera um pintarroxo sair da casca do ovo ou uma roseira espocar em flores. Assim, trabalhamos febrilmente para fazer o impossível, ou não fazemos absolutamente nada; e aí jaz a assimetria sobre a qual escrevo.
O Novo Testamento desconhece qualquer obra do Espírito Santo em nós isolada das nossas respostas morais. Vigilância, oração, disciplina pessoal e inteligente aquiescência aos propósitos de Deus são indispensáveis para que haja algum real progresso em santidade.
Existem áreas em nossas vidas nas quais, em nosso esforço para estarmos certos, podemos errar, e errar tanto, a ponto de chegarmos a uma deformidade espiritual. Para ser específico, permita-me mencionar algumas:
Quando, em nossa determinação de sermos destemidos, nos tornamos descarados. A coragem e a mansidão são qualidades compatíveis: encontramos ambas em perfeita proporção em Cristo, e ambas esplendem de beleza em Seu conflito com os Seus inimigos. Pedro diante do Sinédrio e Paulo perante Agripa demonstraram as duas qualidades, apesar de que noutra ocasião, quando a coragem de Paulo perdeu temporariamente o seu espírito caridoso e ele se tornou carnal, disse ao sumo sacerdote: "Deus há de ferir-te, parede branqueada." Para crédito do apóstolo, quando viu o que tinha feito, desculpou-se imediatamente (Atos 23:1-5).
Quando, em nosso desejo de sermos francos, nos tornamos rudes. Franqueza sem grosseria sempre se achou no homem Cristo Jesus. O cristão que se gaba de que sempre fala a verdade nua e crua, provavelmente acabará sendo rude até com a própria sombra. Até mesmo o impetuoso Pedro aprendeu que o amor não se precipita a pôr para fora tudo o que sabe (I Pedro 4:8).
Quando, em nosso esforço para estarmos vigilantes, nos tornamos desconfiados. Pelo fato de haver muitos adversários, a tentação é ver inimigos onde não há nenhum. Pelo fato de estarmos em conflito com o erro, somos propensos a desenvolver um espírito de hostilidade a todo aquele que discorda de nós sobre alguma coisa. Satanás pouco se importa se nos extraviamos seguindo alguma falsa doutrina ou se simplesmente ficamos azedos. De um modo ou de outro ele vence.
Quando procuramos ser sérios e nos tornamos sombrios. Os santos sempre foram sérios, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deve ser confundida com religiosidade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou de outro pecado e, se permanecer por muito tempo, pode levar a um grave distúrbio mental. A alegria é uma grande terapêutica para a mente. "Alegrai-vos sempre no Senhor" (Filipenses 4:4).
Quando pretendemos ser conscienciosos e nos tornamos hiperescrupulosos (ou muito cuidadosos, ou zelosos demais). Se o diabo não conseguir destruir a consciência, terá a solução tornando-a doente. Conheço cristãos que vivem num estado de constante agonia, temendo desagradar a Deus. Seu mundo de atos permitidos vai-se estreitando ano após ano até que, por fim, temem envolver-se nas ocupações comuns da vida. Acreditam que torturar-se assim é prova de vida piedosa, mas quão errados estão!
Estes são apenas uns poucos exemplos de grave desequilíbrio na vida cristã. Confio em que o remédio foi sugerido no caminho que já seguimos.”
A bíblia é o livro dos relacionamentos, vemos o relacionamento de Deus com o homem e a resposta errada do homem a Deus, daí em diante vemos a destruição dos relacionamentos do homem com os que o cercam, com a natureza e consigo mesmo. Mas pela graça de Deus Ele nos revelou qual caminho seguir, nos atraiu a Ele e nos faz permanecer firme nele até o fim. As orientações que a bíblia mos dá foram registradas por inspiração divina, para orientação eterna de seus filhos. Aquele que não dá atenção a essas normas talvez seja aceito como membro de uma igreja ou denominação evangélica, mas certamente não será aquele que a Bíblia chama de homem "santificado".

João Vítor

Aprendendo Sobre a Importância de Conhecer e memorizar a Bíblia por John Piper- parte final


Continuação...

Aprendendo Sobre a Importância de Conhecer e memorizar a Bíblia
por John Piper- parte final

“Segunda: As palavras de Jesus são vivificantes. João 6, verso 63: "É o espírito que dá vida. A carne para nada aproveita. As palavras que tenho vos dito são espírito e vida!" Leu isso? "As palavras que vos tenho dito são vida!" Uau! Podes acreditar nisso? Quando Jesus fala, a vida acontece! Há morte na tua alma? Alimente-se com palavra que dá vida!
Cinco versos depois, Pedro diz: "Senhor, para quem iremos nós? Você tem as palavras de vida eterna." Quando te ouvimos, a vida acontece. Para sempre. Ninguém mais tem palavras assim.
Terceira: As palavras de Jesus tem esse efeito de fé para santificação. Ela vence o diabo. Nós temos um inimigo sobrenatural. Tenho sido comovido por isso porque, na minhas preparações, passei de novo por aquele verso no fim de 1 João: "O mundo todo jaz debaixo [ou, no poder] do Maligno.
E me atingiu como nunca que o mundo está absolutamente indefeso contra o diabo. Eles têm Zero defesas contra o sobrenatural poder do diabo. E ele os odeia. Odeia o casamento, odeia as pessoas. Odeia Deus, odeia as igrejas, odeia você. E, sem a palavra de Deus, nós temos zero defesas! Nenhuma! Acredita nisso? Nenhuma! Ele é chamado de "deus desse mundo"
por um motivo: ele governa absolutamente, exceto onde a providência de Deus o restringe e, ó, acredite em mim: a providência de Deus o está restringindo pra valer em todos os lugares! E ninguém sabe que misericórdia está gozando quando o sol nasce ou essa nossa Terra fica inteira outro dia. I João 5.19: "O mundo todo jaz no poder do diabo".
Mas ouçam a essa alternativa, gloriosa afirmação de I João capítulo 2, verso 14: "Eu vos escrevo, jovens homens, porque sois fortes e a palavra de Deus habita em vós e tendes VENCIDO o Maligno." Qual é a conexão aí?
Não é só para homens que se aplica. Aconteceu dele estar escrevendo para os homens. Funciona para os dois, porque a questão é a Palavra. Leia de novo: "Eu vos escrevo, jovens homens, [escrevo a vocês que estão lendo esse texto] porque sois fortes [Fortes como? Em si mesmos contra o diabo?? Há! Não mesmo] porque sois fortes e a Palavra de Deus habita em vós e vós tendes vencido o Maligno."
É assim que vencemos. Quando a palavra de Deus está habitando em nós, é a Palavra de Deus, dá vida, derrota o diabo. É nossa única esperança. Nossa única esperança.
Fui questionado, há algum tempo, por um dos homens em nossa igreja uma questão sentida. Ele disse: "Pode uma família, uma família cristã ser amaldiçoada?" Podes imaginar o cenário por trás dessa pergunta.
Minha resposta a isso é: Se a palavra de Deus habita em você, você vence o Maligno. Ponto final. Nenhuma maldição, nenhum encanto, sustenta-se contra a palavra de Deus habitando nos filhos de Deus! Negue-o, derrote-o.
Agora, última questão. O quê isso tem a ver com memorizar a Bíblia?
Nada na Bíblia diz que tens que memorizar a Bíblia. Não há um verso na Bíblia que diz que deves memorizar a Bíblia. Primeiro, uma ampla resposta bíblica e depois encerro com uma resposta pessoal do nosso casamento.
A resposta bíblica ampla é essa. O quê isso tem a ver com memória bíblica, essa habitação da palavra de Jesus em nós como estivemos falando?
É assim a seqüência de pensamentos: o Espírito Santo desperta vida, e fé, e transformação pessoal. Essa é Sua obra. O Espírito Santo [Deus, o Espírito] desperta a vida, “agita” a vida. E gera fé. E, através da vida e fé, Ele transforma as pessoas: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, domínio próprio são Seus frutos, Sua obra. Nós não fazemos isso. Deus faz isso. Esse é o passo 1 na seqüência de pensamento. Passo 2.Ele faz através da Palavra. O Espírito Santo nos desperta, pela palavra; transforma, pela palavra. I Pedro 1.23: "Nascidos de novo pelo Espírito através da viva e permanente palavra!" João 17.17:
"Santifica-os na Verdade. Tua Palavra é a Verdade." Então, novo nascimento e santificação são a obra de Deus de nenhuma outra maneira
a não ser pela Palavra. A Palavra é enorme! Então, precisas perguntar: "Bem, como, então, isso funciona?" Essa é a Palavra. Então, vou fazer um coldre. Como uma pistola do FBI. Vou usar isso, o dia todo, em meu coração! E vou andar por aí. Deus vai me santificar e me transformar porque eu carrego o livro perto do coração? Não! Porque Deus criou você com um cérebro. Não precisava. Te criou com uma consciência, com uma vontade, e emoções, e pensamentos. E, o modo como Ele ordena que Cristo seja magnificado pela Sua Palavra é que haja uma conexão criada com essas palavras e esse cérebro. E então, com essa vontade e coração. Se você põe sua bíblia debaixo do braço e nunca lê não há nenhuma conexão entre o significado dessas palavras e teu cérebro, tem zero efeito na tua vida!
"Medita na lei do Senhor dia e noite" é porque uma conexão é estabelecida. E, pela conexão do significado de Deus na Sua Palavra Santa
e minha construção desse significado no meu cérebro e seu efeito sobre minha vontade e meu coração, sou mudado pelo uso do Espírito Santo desse processo aparentemente natural para nossa mudança. Então, minha resposta a "o quê isso tudo tem a ver com memorizar as Escrituras?" é essa: Quando memorizamos as Escrituras, nós fazemos essa conexão entre a bíblia, a nossa mente e o nosso coração de modo mais constante, mais profundo, e mais transformante. Arrisco a dizer: realisticamente, nada pode substituí-la. Nada pode substituí-la [memória bíblica] em fazer aquilo para que foi designada: forjar uma conexão entre a bíblia, o cérebro e o coração.
Testemunho final de Noel(esposa) e eu. Em 21 de Dezembro, celebramos nosso 40º aniversário. Há algumas semanas. Saímos por dois dias e, dentre outras coisas, nós lemos... isso é engraçado, Salmo 40 e Isaías 40. Conversamos. Conversamos sobre o ano e os anos. Para isso servem os aniversários, certo? Passado e futuro, preparando-se, arrependendo-se,
resolvendo-se. E, relembramos quantas vezes nos sentamos em um almoço recitando Edingtons ou, Famus Daves, Lee and Chin, ou Jimmy Johns. Esse é nosso estilo. Quantas vezes fizemos nosso almoço de encontro na Segunda,
sentamos de frente um para o outro e recitamos por meia hora a dor dos anos e as razões para desencorajamento agora. E nenhuma vez citamos a Escrituras. Então, lemos no Salmo 40, verso 5. E pausamos, e dissemos: nunca fizemos isso antes, vamos fazer de um verso nosso verso de aniversário de casamento. Nunca tivemos um... se tivemos, esqueci,
um verso de aniversário de casamento. E diz assim, e vou explicar porque
e vamos encerrar. Salmo 40, verso 5. Estou trabalhando em memorizá-lo,
e, por algum motivo, estou achando este um verso difícil de memorizar.
" SENHOR meu Deus! Quantas maravilhas tens feito! Não se pode relatar os planos que preparaste para nós! " Agora, aqui está a relevância: O número dos maravilhosos feitos de Deus é incontável. O número de Seus pensamentos para com nosso casamento, Seus pensamentos como nosso Pai, para conosco, nossos filhos, nossos netos, nosso casamento, o número desses pensamentos excede a contagem. E... como um marido, isso é uma pequena exortação aos homens, eu acredito que essas horas de almoço com silêncio sobre Deus
são minha culpa! A responsabilidade número 1 de um marido é liderar com a palavra de Deus. E, quando mil razões estão sendo acumuladas, e dando motivos para ficarmos tristes, é meu serviço me levantar e relembrar algumas das maravilhosas obras de Deus, alguns dos pensamentos de Deus, e proclamá-los e falar sobre eles! É isso que decidimos fazer. Então, pode nos perguntar, em Junho ou Julho: como o Salmo 40:5 está indo, porque eu fui ao meu computador Apple e agendei um lembrete diário para cada segunda-feira às 11 da manhã no ano.
Vocês vão afundar, amigos, afundar no casamento, afundar na paternidade,
afundar na solidão, afundar nos estudos [se estão estudando], vão afundar, se apenas ouvirem às vozes das circunstâncias que são dadas nos teus problemas. Porque elas falam tão alto! E não têm nada de bom para dizer! E, Deus tem... A bíblia é um livro bem grosso! E ELE tem tantos feitos maravilhosos, e tantos pensamentos para com Seus filhos. Centenas e centenas de pensamentos para com Seus filhos. "Eu os proclamarei e falarei deles, porém são mais do que possam ser contados."
Bem, esse é meu, meu testemunho. E nosso testemunho de casamento.
Que o Senhor faça Sua Palavra habitar ricamente esse ano em sua igreja na face da terra.”

John Piper

“Deus fala conosco página por página... se forem lidas.”

Editado e adaptado por João Vítor
Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss