Quem disse que ele é bobo?


Texto que descreve a ação sutil mas eficaz de Satanás contra os cristãos e a igreja de Cristo.

Satanás só se une a nós contra nós mesmos!

“Se Satanás se opõe ao novo convertido, opõe-se ainda mais ferozmente ao cristão que está se empenhando em avançar rumo a uma vida mais elevada em Cristo. A vida cheia do Espírito não é uma vida de paz e quietude, como muitos supõem. Tende a ser o oposto disso. Luta há sempre, e por vezes há uma arrojada batalha contra a nossa própria natureza, onde as linhas se confundem tanto, que é impossível localizar o inimigo ou dizer qual é o impulso do Espírito e qual o da carne.”
A.W Tozer

Bom, acho que Tozer mais uma vez conseguiu descrever muito bem onde se encontra boa parte dos irmãos que eu conheço e que já possuem certo grau de maturidade espiritual, pelo menos até ao ponto em que eu consigo discernir pela bíblia o que isso pode vir a ser. É exatamente nesse “encontro das águas do rio e do mar” que eu percebo estar também. Acho curiosa a forma como a maturidade nos traz mais peso com o passar dos tempos e como as conseqüências das nossas decisões por Cristo ao invés de seguir o curso desse mundo nos põe em uma condição de teste da fé quase que diariamente. Justamente nesse ponto da vida, em que você começa a sentir o peso das suas decisões por Deus, muitos procuram culpar a maturidade espiritual ou o conhecimento, mas a verdade é que a vida permanece arriscada e Deus permanece o mesmo, foram nossas percepções que mudaram. Arrisco-me a dizer que talvez o problema não seja o conhecimento, mas nossa reação a ele. Na maior parte do tempo esquecemos que o processo de amadurecimento leva tempo e o tempo nem sempre traz em suas asas surpresas agradáveis. Logo, o problema não é estar aprendendo quem Deus é, Sua ação na história, quem nós somos e para o que fomos criados; todas essas coisas fazem parte do amadurecimento real do ser humano, nós fomos criados para escolher e a maturidade também está nisso, assim como o sofrimento. Desde que Adão pecou viver é sofrer de alguma forma.
Na maturidade, a nossa inocência ignorante e infantil dá lugar à fé e a perseverança, que no seu estágio final, nos conduz a esperança e faz brilhar a luz do evangelho de Jesus Cristo em meio às densas trevas dos problemas da vida que tentam, por diversas vezes, destruir essa capacidade de, independente da desconfiança e do desamor, continuar acreditando e amando as pessoas. Somente dessa maneira podemos nos unir a Paulo e dizer: “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.“ Romanos 5:5

Mas é claro que também há ações do inimigo de nossas almas, o diabo, no meio de todo o nosso desequilíbrio e confusão. Ele sempre distorce a palavra de Deus e, quando damos ouvidos a ele juntamente com os nossos desejos assim como Eva fez no jardim do Éden, nos perdemos de Deus e começamos a fazer sacrifícios em nome do desequilíbrio simplesmente porque perdemos a linha que determina os nossos limites. Precisamos conhecer a Deus da maneira pura e verdadeira que a bíblia nos ensina, tomar para nós a atitude de se importar e se submeter a Ele dizendo: "Não ao que eu penso que Tu és, mas ao que Tu sabes ser”. Pois quanto mais tempo caminhamos rumo ao conhecimento de Deus, sem Ele e influenciados por Satanás, perdemos todo o senso de direção e acabamos nos esquecendo que por mais que saibamos sobre Deus nunca seremos Ele, esquecemos que não somos nada, deixamos de ser misericordiosos e este tipo de pensamento nos abandona: "Se eu, sendo o que sou, posso aceitar que até certo ponto sou um cristão, quem poderia distinguir os vícios destas pessoas nos bancos aí ao lado e provar que a religião deles não passa de hipocrisia e mero convencionalismo?"
É assim que começam as divisões entre irmãos!
Por isso achei muito interessante o texto de A. W. Tozer, pois nos dá um sinal de que precisamos reconsiderar muitos conceitos errados e além de nos alertar nos ajuda a perceber nossos sentimentos inapropriados. Boa leitura.

“Nossa tendência para o desequilíbrio religioso
É um objeto batido do conhecimento geral que a raça humana perdeu a harmonia e tende a desequilibrar-se em quase tudo que ela é e faz. Filósofos religiosos têm reconhecido esta assimetria e têm procurado corrigi-la pregando de uma forma ou de outra a doutrina do "meio de ouro". Confúcio ensinou o "caminho médio"; Buda queria que os seus seguidores evitassem tanto o asceticismo como o ócio corporal; Aristóteles acreditava que a vida virtuosa é a que mantém equilíbrio perfeito entre o excesso e a falta.
O cristianismo, estando de pleno acordo com todos os fatos da existência, leva em conta este desequilíbrio da vida humana, e o remédio que oferece não é uma nova filosofia, mas uma nova vida. O ideal a que o cristão aspira não é andar pelo caminho perfeito, mas ser transformado pela renovação da sua mente e ser amoldado à semelhança de Cristo.
O homem regenerado muitas vezes passa por tempos mais difíceis do que o não regenerado, porquanto ele não é um homem somente, mas dois. Sente dentro de si um poder que tende para a santidade e para Deus, enquanto ao mesmo tempo ainda é filho da carne de Adão, filho do barro vermelho. Para ele, este dualismo moral é uma fonte de aflição e de luta que o homem que só nasceu uma vez desconhece totalmente. Por certo a crítica clássica a isto é o testemunho de Paulo no capítulo sete da sua Epístola aos Romanos.
O cristão verdadeiro é um santo em embrião. Os genes celestiais estão nele, e o Espírito Santo está trabalhando para levá-lo a um desenvolvimento espiritual que esteja em harmonia com a natureza do Pai Celeste, de quem ele recebeu o depósito da vida divina. Todavia, aqui está ele neste corpo mortal, sujeito a fraqueza e tentação, e seu conflito com a carne às vezes o leva a praticar coisas extremas. "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer" (Gálatas 5:17).
A obra do Espírito no coração humano não é algo inconsciente ou automático. A vontade e a inteligência humanas precisam render-se às benignas intenções de Deus e com elas cooperar. Creio que é aqui que muitos de nós perdem o rumo. Ou tentamos fazer-nos santos por nós mesmos, e falhamos miseravelmente, como certamente haverá de ocorrer; ou procuramos conseguir um estado de passividade espiritual e esperar que Deus aperfeiçoe as nossas naturezas em santidade, como alguém que se senta e espera um pintarroxo sair da casca do ovo ou uma roseira espocar em flores. Assim, trabalhamos febrilmente para fazer o impossível, ou não fazemos absolutamente nada; e aí jaz a assimetria sobre a qual escrevo.
O Novo Testamento desconhece qualquer obra do Espírito Santo em nós isolada das nossas respostas morais. Vigilância, oração, disciplina pessoal e inteligente aquiescência aos propósitos de Deus são indispensáveis para que haja algum real progresso em santidade.
Existem áreas em nossas vidas nas quais, em nosso esforço para estarmos certos, podemos errar, e errar tanto, a ponto de chegarmos a uma deformidade espiritual. Para ser específico, permita-me mencionar algumas:
Quando, em nossa determinação de sermos destemidos, nos tornamos descarados. A coragem e a mansidão são qualidades compatíveis: encontramos ambas em perfeita proporção em Cristo, e ambas esplendem de beleza em Seu conflito com os Seus inimigos. Pedro diante do Sinédrio e Paulo perante Agripa demonstraram as duas qualidades, apesar de que noutra ocasião, quando a coragem de Paulo perdeu temporariamente o seu espírito caridoso e ele se tornou carnal, disse ao sumo sacerdote: "Deus há de ferir-te, parede branqueada." Para crédito do apóstolo, quando viu o que tinha feito, desculpou-se imediatamente (Atos 23:1-5).
Quando, em nosso desejo de sermos francos, nos tornamos rudes. Franqueza sem grosseria sempre se achou no homem Cristo Jesus. O cristão que se gaba de que sempre fala a verdade nua e crua, provavelmente acabará sendo rude até com a própria sombra. Até mesmo o impetuoso Pedro aprendeu que o amor não se precipita a pôr para fora tudo o que sabe (I Pedro 4:8).
Quando, em nosso esforço para estarmos vigilantes, nos tornamos desconfiados. Pelo fato de haver muitos adversários, a tentação é ver inimigos onde não há nenhum. Pelo fato de estarmos em conflito com o erro, somos propensos a desenvolver um espírito de hostilidade a todo aquele que discorda de nós sobre alguma coisa. Satanás pouco se importa se nos extraviamos seguindo alguma falsa doutrina ou se simplesmente ficamos azedos. De um modo ou de outro ele vence.
Quando procuramos ser sérios e nos tornamos sombrios. Os santos sempre foram sérios, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deve ser confundida com religiosidade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou de outro pecado e, se permanecer por muito tempo, pode levar a um grave distúrbio mental. A alegria é uma grande terapêutica para a mente. "Alegrai-vos sempre no Senhor" (Filipenses 4:4).
Quando pretendemos ser conscienciosos e nos tornamos hiperescrupulosos (ou muito cuidadosos, ou zelosos demais). Se o diabo não conseguir destruir a consciência, terá a solução tornando-a doente. Conheço cristãos que vivem num estado de constante agonia, temendo desagradar a Deus. Seu mundo de atos permitidos vai-se estreitando ano após ano até que, por fim, temem envolver-se nas ocupações comuns da vida. Acreditam que torturar-se assim é prova de vida piedosa, mas quão errados estão!
Estes são apenas uns poucos exemplos de grave desequilíbrio na vida cristã. Confio em que o remédio foi sugerido no caminho que já seguimos.”
A bíblia é o livro dos relacionamentos, vemos o relacionamento de Deus com o homem e a resposta errada do homem a Deus, daí em diante vemos a destruição dos relacionamentos do homem com os que o cercam, com a natureza e consigo mesmo. Mas pela graça de Deus Ele nos revelou qual caminho seguir, nos atraiu a Ele e nos faz permanecer firme nele até o fim. As orientações que a bíblia mos dá foram registradas por inspiração divina, para orientação eterna de seus filhos. Aquele que não dá atenção a essas normas talvez seja aceito como membro de uma igreja ou denominação evangélica, mas certamente não será aquele que a Bíblia chama de homem "santificado".

João Vítor

Um comentário:

Pastoragente disse...

Graça e paz!
Vim conhecer seu Blog e tive uma grata surpresa, pois é muito boa sua iniciativa.
Já estou seguindo.
Venha dar a honra de sua visita no PASTORAGENTE.BLOGSPOT.COM e, se quiser seguí-lo, vai ser uma alegria para mim.
Lá eu exponho da forma mais realista e divertida possível as situações, dúvidas, experiências ministeriais e pessoais de uma mulher simples como eu.
Fique na paz e que o Senhor abençôe você e toda sua família.
Abração!!!

Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss