A Corrupção e a Fábrica de Ídolos


O fato de um homem achar, ou não, que ele sozinho, após ter sido convencido dos seus pecados, decidiu seguir a Cristo, não altera em nada o efeito salvador que a cruz traz sobre ele. Uma criança pode passar a vida inteira acreditando que realmente conseguia levantar o sofá junto com seu pai quando era necessário, mas a maturidade ira mostrar quem realmente estava ajudando quem. Todavia, os passos seguintes para o desenvolvimento de uma fé sadia devem ser tomados com muita cautela.
“O SENHOR viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que TODA a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal.” Gênesis 6:5
“Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” Salmos 51:5
“Os ímpios erram o caminho desde o ventre; desviam-se os mentirosos desde que nascem” Salmos 58:3
“Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira de Deus” Efésios 2:3
Sim, se alguém me perguntasse, responderia que não creio que o homem natural possa de alguma forma se voltar para o Deus descrito nas páginas da bíblia, sem que O mesmo não o leve ao entendimento de quem ele é na verdade, digo, na verdade dos fatos e não na realidade diante dos olhos. Um homem pode parecer aos seus semelhantes, inteligente, equilibrado, saudável, simpático, cordial, gentil, bem-humorado, otimista, prudente, religioso e sincero, e mesmo assim não ter nenhuma inclinação ou vontade real voltada para Deus. Convicção de pecado é se julgar e enxergar segundo o padrão que Deus exige, não cabe ao homem natural esse papel e, mesmo que se arriscasse, não o conseguiria desempenhar com a mesma perfeição e pureza que o Espírito Santo o faz. Temos que nos lembrar que o diabo nunca foi contra a boa moral, mas sim contra o nome de Jesus Cristo. Ele é oposto a tudo aquilo que se chama Deus e logicamente o homem natural, como o filho que procura agradá-lo (João 8:31-47), está na mesma direção. A bíblia sempre apresentou a humanidade depois da queda de Adão de três maneiras: decaída, alienada de Deus e rebelde contra as suas leis. Da mesma maneira que seu “pai”, a antiga serpente, é. Parafraseando o que ouvi de um irmão certa vez:
“Você acha que esse não convertido é uma boa pessoa? Você o acha lindo? Inteligente? Ou útil? Converse com ele a respeito de Jesus Cristo e você saberá quem ele realmente é.”
O grande perigo de acreditar ser tão apto para escolher entre Deus e os prazeres reside neste ponto, achar que Deus está sujeito a sua vontade. As piores mensagens, linhas teológicas ou tentativas de evangelismo que eu tenho presenciado ultimamente têm esse ponto em comum. Do mesmo modo que os homens que não nasceram do Espírito montam um Deus a seu bel-prazer e segundo a sua imagem, os evangélicos contemporâneos fizeram um bezerro de ouro, que chamam de Jesus, para adorarem e suprirem a necessidade que eles têm de uma espiritualidade real. Como escreveu Samuel Chadwick:
“Não ter espiritualidade nenhuma, é muito triste; mas fingir uma espiritulidade é mais triste ainda.”
Devido a esses fatos, não posso deixar de advertir, na esperança de que alguns possam se despertar, contra o humanismo que tem adentrado há anos as igrejas evangélicas e sido divulgado dos seus púlpitos pelo muitos homens que, por se julgarem mais importantes e conhecedores, fizeram ressoar seus usos e costumes como algo que houvesse saído dos lábios do próprio Deus. Eles deixaram de ser julgados pela palavra e começaram a julgá-la e torcê-la segundo ao que lhes parece favorável e habitual. Começaram a determinar o que ela deveria ensinar ao invés de aprenderem o que ela tem a dizer. E é por isso que temos em nossos dias uma grande variedade do que pode ser considerado lixo-evangélico ou gospel.
Sei que tanto no mundo quanto nos meios evangélicos existe o perigo de se ser taxado de fanático, extremista e até mesmo de herege, ao se firmar numa posição contra ao que não é tão agradável a visão dos grupos carnais que circulam em ambos. Mas tenho paz em meu coração por saber que não discordo da grande maioria que está na igreja só para ser “diferente”, como muitos fazem para chamar a atenção ou bagunçar as coisas. Faço minhas as palavras de Lutero quando foi pressionado a contradizer tudo que havia escrito e proclamado:
“A menos que possa ser refutado e convencido pelo testemunho da Escritura e por claros argumentos estou conquistado pela Santa Escritura citada por mim, minha consciência está cativa à Palavra de Deus: não posso e não me retratarei, pois é inseguro e perigoso fazer algo contra a consciência. Esta é a minha posição. Não posso agir de outra maneira. Que Deus me ajude. Amém!”
A vontade que nos é dada por Deus, o estudo da palavra, a oração e a disciplina, levarão aqueles que crêem a se aprofundarem nos mistérios da eternidade.
Irmãos, não façam um deus para vocês, sigam somente e fielmente o Deus que os fez.

João Vítor

2 comentários:

cincosolas disse...

João Vitor,

Que Deus continue te abençoando e que sua voz continue soando contra o humanismo imperante no meio evangélico.

Precisamos afirmar igualmente nosso dever de agradar a Deus, fazendo a sua vontade e a nossa absoluta incapacidade de fazermos isso por nós mesmos.

Solução? A graça de Deus.

Em Cristo,

Clóvis

Anônimo disse...

Amém...ore por mim pois tenho passado por muitas dificuldades...

Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss