As Vozes Parte 1



Os nossos dias estão ficando cada vez mais barulhentos, apressados e sem sentido. E já não bastando uma sociedade onde tudo é relativo, artificial, egoísta, ambicioso, no pior sentido da palavra, e descartável, hoje nós temos um monte de falsos profetas cooperando para deixar as pessoas que querem aprender um pouco mais de Deus ainda mais confusas. São tantas linhas de pensamento, “visões”, heresias, resposta às heresias, batismos, re-batismos, anabatismos, calvinismos, arminianismo, pelagianismos, ceticismo, teísmos abertos, teísmos fechados... Enorme é a lista de coisas que podem carregar as pessoas que estão “tateando” em busca Deus para longe dEle, e isso ocorrerá se as mesmas estão mais presas a essas coisas do que a Ele.

Em meio a toda essa confusão nós cristãos podemos ouvir várias vozes, sedutoras, firmes, confiáveis, simpáticas, engraçadas, assustadoras ou belas, mas todas tentando nos convencer. Algumas nos intimidam assim como um guerreiro correndo em direção ao seu oponente, essas com certeza nos assustam, outras, tentam nos direcionar todo o roteiro e objetivos que nos tornarão, mais a frente, aceitáveis à sociedade para qual vivemos. Sei que com o jogo de palavras certo e uma entonação precisa as pessoas são capazes de vender qualquer coisa, até a idéia de se construir um templo de um milhão de reais para um povo que sabe que seu Deus não dá a mínima para templos. Porém, nenhuma voz é capaz de mudar tanto o curso da história de uma pessoa como as vozes que sempre estão guerreando nas nossas mentes dia após dia na nossa jornada nesta terra. Todavia, qual a importância de examinarmos e conhecermos as vozes que nos influenciam ou controlam e a nós mesmos? E sabendo que a palavra nos diz, “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos.” (II Co. 13:5a), poucas coisas são necessárias para nos motivar mais.
Não pretendo usar nenhum tipo de teoria da psicologia moderna para falar dos seguintes assuntos, como li certa vez, tudo aquilo que de algum modo é abordado com sinceridade é autobiográfico. Então, primeiramente, as críticas se voltam a mim.

As vozes que me foram permitidas discernir:

A voz do mundo

Quando uso a palavra “mundo” obviamente não me refiro a esse planeta cheio de maravilhas naturais que Deus criou para que desfrutássemos. Também não me refiro ao termo “mundo” que diz respeito aos homens perdidos pelos quais o nosso Salvador entregou a vida para salvar. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.” João 6: 51

Mas, quando digo a voz do mundo, me refiro a esse sistema de corrupção, enganação, depravação, rebelião, ilusão e pecado que domina a sociedade desde a queda do homem, a esse sistema que nosso Salvador disse ter por príncipe o próprio diabo (João 12:31, 14:30, 16:11) . A voz deste mundo é aquela que está sempre tentando, e muitas vezes conseguindo, nos convencer daquilo que devemos fazer para sermos felizes, de quais são as coisas mais importantes da vida, de quais merecem nossa mais devotada dedicação, de que o nosso esforço próprio nos assegurará a segurança financeira do amanhã, de que devemos ser felizes não importa o custo ou aos custos de quem... Essa voz ecoa tão forte na cabeça das pessoas que certa vez, durante uma entrevista, um hipnotizador disse sobre o tratamento com os seus pacientes: “Meu trabalho já não é mais hipnotizar as pessoas, elas já chegam ao meu consultório totalmente hipnotizadas.” Creio que ele se dirigia ao consumismo desse nosso século, mas na aplicação geral essa frase abrange muito mais coisas. Fomos ensinados a comprar o que não precisamos, a guardarmos aquilo que não podemos garantir que usaremos um dia, a nos dedicar a empregos que odiamos para não precisarmos nos dedicar mais a eles... Uma geração que compradores compulsivos, caçadores de prazeres e egoístas ambiciosos. “Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo.” I João 2:16

Diminuiu-se a quantidade de filósofos nos nossos dias, a falta deles não faz diferença nenhuma quanto à salvação de uma alma, mas é algo preocupante quando é cada vez menor o número de cristãos que pensam e se auto-examinam. Aqueles que foram chamados para terem sonhos imortais e conhecerem as palavras de eternidade e de vida se prendem mais às distrações desse mundo do que a qualquer outra coisa. A. W. Tozer escreveu: “Há muitos anos um filósofo alemão disse alguma coisa no sentido de que, quanto mais um homem tem no coração, menos precisará de fora; e excessiva necessidade de apoio externo é a prova de falência do homem interior”. Acredito que esse é um dos maiores problemas da relação dos cristãos de nossa época com esse mundo, o fato de estarem vazios. Da mesma forma que um copo de vidro vazio pode ser preenchido sem quebrar com qualquer coisa que caiba dentro dele, os cristãos estão sendo preenchidos com qualquer coisa que esteja adequado a o que som da voz deste mundo diz que é certo!

Não digo isso sobre as questões básicas, muitos poderiam me dizer que a igreja está contra matar, roubar e etc. O problema não está na falta de uma mensagem “moralista” aos olhos humanos, mas sim na falta de uma mensagem bíblica que as despertem do transe que a busca pelo entretenimento deste mundo lhes causou.

Se você apresentar um missionário jovem para qualquer um desses que se chamam de cristãos, mas na verdade são tão carnais quanto os filhos do diabo, pode ter certeza que ele vai logo querer saber se o jovem cumpriu todo o roteiro que a voz do mundo impõe como ele. “Você já fez faculdade, meu jovem? Qual a sua formação nas áreas missiológicas?”, ou, “Meu rapaz dedique-se a isso quando você estiver estabilizado ou aposentado, se case, tenha filhos, uma vida farta e estável e depois se te restar algum tempo, se entregue a missões”, posso ouvir por detrás dessa voz o próprio diabo gritando em coro com o pecado: “Distraia-se, aproveite essa vida. Enquanto nós fazemos o nosso trabalho arrastamos vidas para o inferno, não se preocupe no fim você vai poder conhecer cada uma delas durante sua estada lá”. Esse mesmo mundo que não suportou o nosso Mestre não irá nos suportar a não ser que nos voltemos a ele; Jesus Cristo disse “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19), o mundo nos diz “fiquem e se possível se aproveitem dos prazeres de todas as nações”.


Antigamente na Índia haviam uma certa espécie de conchinhas ou pedrinhas que eram usadas como dinheiro além da moeda local... elas eram de algum valor considerável na Índia mas não valiam nada fora de lá. Da mesma maneira é a nossa dedicação ao sistema desse mundo...

Ah! Se nós entendêssemos como essa vida é frágil e breve, como os alvos que o mundo nos diz serem certos se vão entres nossos dedos quando um vento chamado ETERNIDADE os leva e os reduz a nada. Ponha tudo aquilo que você tem feito por si mesmo nessa vida e compare com a eternidade... Se você não tem vivido para glorificar o nome de Deus, tudo que você fez não passou de poeira no vento, que atrapalha outros a enxergarem, e bosta no vaso. que além de não ser um visão agradável, fede.

“Por detrás de uma vida desperdiçada há uma filosofia errada. E por detrás de uma alma no inferno há uma teologia mais errada ainda!”

“Ai do mundo, por causa das coisas que fazem tropeçar! É inevitável que tais coisas aconteçam, mas ai daquele por meio de quem elas acontecem!”Mateus 18:7

João Vítor

Um comentário:

Danilo Fernandes disse...

Navegando por ai achei seu blog. Surpresa boa. Vou segui-lo a partir de agora. Quando tiver um tempinho, vá visitar meu blog também, o Genizah.

A paz!

Danilo


http://genizah-virtual.blogspot.com/

Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss