Vozes: A Voz da Religião Parte 2


Sei que poucos realmente gastam tempo para lerem algo relativamente extenso, principalmente num meio de comunicação onde as informações são geralmente rápidas e bem interativas para que se tornem mais atraentes e acessíveis às pessoas que não dispõem de muito tempo livre. No entanto, o tempo é uma questão relativa às nossas prioridades, “aquilo que fazemos quando estamos realmente livres para fazermos o que quisermos, mostra definitivamente qual é o nosso desejo”

A mensagem a seguir é grande, espero poder passá-la com a mesma inspiração que a recebi.

A voz da religião

Você sabe o que Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Søren Kierkegaard, Edmund Husserl, Friedrich Nietzsche, Albert Camus, Carlo Tamagnone, André Comte-Sponville, Arthur Schopenhauer e Martin Buber tem em comum? O Existencialismo.

Por volta de 1968 essa corrente filosófica, que é em parte composta pela filosofia pós-modernista, já havia influenciado uma geração inteira. Ernest Gellner, em seu livro “Pós-modernismo, razão e religião” define o mesmo assim: “O pós-modernismo parece ser claramente favorável ao relativismo, tanto quanto ele é capaz de claridade alguma, e hostil à ideia de uma verdade única, exclusiva, objetiva, externa ou transcendente. A verdade é ilusiva, tem muitas formas, íntima, subjetiva... e provavelmente algumas outras coisas também. Simples é que ela não é... Tudo é significado e significado é tudo e a hermenêutica o seu profeta. Qualquer coisa que seja, é feita pelo significado conferido a ela...”

E de uma maneira bem resumida o existencialismo tem por base a seguinte frase de efeito: “Não existe uma essência pré-determinada, o homem por si só define a sua realidade”. Ambos, o existencialismo e a filosofia pós-modernista, tem por pano de fundo essa frase misturada com o cenário do humanismo (o homem é mais importante que tudo, inclusive Deus). Isso é muito bem ilustrado por Jean Paul Sartre em 1946, no "Club Maintenant" em Paris na conferência que teve a pronunciação "O Existencialismo é um Humanismo", Ele explica a frase desta forma:

"... se Deus não existe, há pelo menos um ser, no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser é o homem ou, como diz Heidegger, a realidade humana. Que significa então que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente é nada. Só depois será, e será tal como a si próprio se fizer."

Resumindo: “O homem não foi criado com um propósito específico, o homem simplesmente existe e sua essência é definida pela suas experiências. Um homem jamais poderia estar errado, pois não existe verdade absoluta. Aquilo que satisfaz sua vontade é o que importa. A realidade é de acordo com o que eu quero que seja. A moralidade é relativa devido à concepção que cada pessoa tem moralidade. Ou seja, não existe vontade soberana para me dizer aquilo que eu devo ser ou fazer, arrependimento e humildade são atos egoístas e tolos.”

De modo geral, essas correntes filosóficas que são praticamente a mesma, só aparentemente diferentes, são o que na verdade tem guiado a maioria das pessoas que dizem crer em Deus e no seu filho Jesus Cristo. Deixarei de lado outra religião que não seja denominada cristã porque não procuro estimular a crença em nenhuma outra pessoa ou coisa que não seja o Senhor Jesus Cristo. Então, primeiramente, precisamos entender que o desejo que o homem natural tem, sem a influência do Espírito Santo, por alguma forma de se chegar a Deus é o mesmo que um cara de ressaca tem por um ENGOV ou uma xícara de Café, ele não quer se livrar do alcoolismo, só deseja fazer passar um pouco do seu mal-estar. O homem carnal segura na religião como se ela fosse uma bengala que pode dar um suporte moral e respaldo social de auto-satisfação depois de suas farras no pecado. Na melhor das hipóteses, no seu íntimo, mesmo que breve, ele sente que está fazendo ou fez algo errado (Romanos 2:14-15), mas seu desejo e prazer pelo pecado falam muito mais altos, desse tipo de homem e seus parceiros no pecado, toda a humanidade, foi escrito: ”Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam.” Romanos 1:32 e “e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça.” II Ts. 2:12

De maneira suave os pensamentos e conclusões precipitadas do existencialismo e do humanismo foram se introduzindo na igreja e formaram uma teologia comum aos meios evangélicos, que clama: ”Eu não quero ACEITAR um Cristo que seja SOMENTE meu ticket de entrada para o “louvorzão” que meu pastor, ops, quer dizer, que o Apóstolo da minha igreja disse que vai rolar nos céus por toda eternidade. Quando o show começar o ticket de entrada não tem mais valor. EU QUERO O MELHOR DESTA TERRA!!! EU CHAMO ISSO A EXISTÊNCIA!!! EU DETERMINO MINHA VITÓRIA!!! EU PROFETIZO O MELHOR DE DEUS PRA MINHA VIDAS!!! SHUU!!! ALELUIA!!!”. Do mesmo modo que o Existencialismo e o Humanismo gritam, como os “tradicionais” gostam de dizer, em uníssono (em um só som, juntos): “Soberania do homem...” os evangélicos de nosso tempo disfarçadamente aprovam e completam: “Escravidão de Deus!”. Essa tem sido a voz da religião e, infelizmente, de muitos que se dizem cristãos e “não são”.

Hoje, o Jesus dos crentes, como alguns costumam dizer, está, em certo sentido, na mesma posição que a rainha da Inglaterra. Sobre sua igreja ele é o rei, mas não tem nenhuma autoridade real sobre ela. Os seus ministros são quem a administram e decidem o que é melhor para a ela, eles até afirmam que o discurso contraditório, raso e em benefício próprio mencionado por eles veio do próprio rei. Da mesma maneira que receberam dos seus superiores eles dizem que o Cristo que afirmam seguir é o mesmo do Novo Testamento, que o evangelho que pregam é o mesmo do Novo Testamento, que seus sistemas doutrinários e de usos e costumes são inteiramente bíblicos, e por fim, dizem que ser dedicado as atividades de sua denominação e cumprir tudo o que lhe for “ensinado” (imposto), sem contestação, já é o suficiente.

A cruz pregada por esses homens perdeu todo o sentido da justiça de Deus sendo exaltada, da libertação do poder pecado, da nossa crucificação para esse mundo, da salvação da Ira de Deus e “da morte, da morte na morte de Cristo”, se tornando um objeto que satisfaz os desejos do coração de todo homem se ele pagar a taxa do dízimo e ofertas em dinheiro. Tudo isso e muitas outras heresias tem sido ensinadas por esses que afirmam, mesmo que nas melhores das intenções, diante dos ensinos da Palavra: “Cristo na verdade não queria dizer isso, os ensinos dele precisam ser aprovados pela nossa interpretação, compreende meu jovem?”. Resumidamente, é isso que a voz da religião “cristã” pela maioria dos votos tem nos dito nesses últimos tempos. Essa voz que requer um Deus que seja simplesmente um MEIO para seus fins, um apoio para seus projetos pessoais, mas não a obediência aos propósitos dele.

Para o existencialismo e humanismo disfarçados de cristianismo: o homem faz da sua vida, com a ajuda divina, o que ele bem entender, o seu Deus pessoal jamais tomaria alguma decisão que lhe custasse verdadeiramente seus objetivos de vida ou sua felicidade. É o que mais vemos hoje em dia. E nessa a corda-bamba a “igreja” está caminhando durante um bom tempo. Entre o homem criar seu próprio objetivo de vida ou ter sido criado para cumprir o objetivo de vida de Deus, me sinto totalmente amarrado a segunda opção. O homem nunca foi e nunca será soberano sobre si mesmo, sempre será um escravo massacrado pelo pecado ou um servo restaurado a serviço do Rei dos reis.

A cruz deveria ser pregada como meio pelo qual nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo morreu nos comprando com seu próprio sangue, salvando a nós pecadores, tomando sobre si nossa condenação e a Ira justa que estava sobre nós... Pondo fim na nossa velha vida e nos tornando participantes com Cristo em seus sofrimentos (Filipenses 1:29) para que, assim como todas as outras coisas, Jesus seja glorificado, magnificado, para que sua grandeza fosse mostrada ao mundo da maneira que é: “Ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” II Coríntios 5:5

Existencialismo e humanismo são lançados por terra... “pois nele [em Cristo] foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele.” Colossenses 1:16

Para finalizar quero contar uma história para vocês. A história de JAMES CHALMERS:
Ele nasceu no dia 4 de Agosto, 1841, na aldeia de pescadores de Ardrishaig em Loch Fyne, Escócia. Era o filho único de um pedreiro. Quando completou sete anos de idade, sua família se mudou para Inveraray onde ele frequentou a escola local e mais tarde trabalhou por alguns anos num escritório.

Como acadêmico, ele não se destacou, "nem na freqüência das aulas e nem na sua conduta", mas era um líder entre seus colegas, principalmente quando havia brigas entre escolas rivais.

Aos quinze anos, ele ouviu Sr. Meikle, o pastor, ler a carta de um missionário em Fiji, relacionando histórias de canibalismo e o poder do Evangelho. Os primeiros missionários que foram a Fiji, na maioria das vezes, eram comidos. Mas, quando Sr. Meikle disse: “Será que há um rapaz aqui que algum dia se tornará um missionário e levará o Evangelho aos canibais?” — James resolveu que iria. Só que ele tinha adotado uma maneira bastante descuidada de levar a vida e tinha deixado a Escola Dominical.

Quando completou dezoito anos de idade, a Escócia se achou no meio de um grande avivamento (O Avivamento dos Leigos).

Em meio a esse movimento, dois evangelistas do Norte da Irlanda anunciaram que iriam fazer algumas reuniões evangelísticas em Inverary. Mas Chalmers e um grupo de jovens, não bem intencionados, decidiram que deviam combater essa inovação e concordaram em interromper as reuniões. Um amigo, no entanto, com muita dificuldade convenceu Chalmers de assistir a primeira reunião e julgar para si se o que ele desejava fazer era digno ou não. Logo depois disso, Chalmers converteu.
Em 1861, ele se uniu a Missão da Cidade de Glasgow como um evangelista. Lá ele conheceu um missionário de Samoa, George Torneiro, que sugeriu que ele se inscrevesse como um candidato para ser missionário. Oito meses depois Chalmers foi enviado pela Sociedade Missionária de Londres para a Faculdade de Cheshunt, próxima a Londres, para continuar seus estudos.

No dia 17 de outubro, 1865, ele se casou com Jane Hercus e dois dias depois foi ordenado. Foi decidido que iriam à Rarotonga nas Ilhas Cook, na Pacífica do sul, embora tivesse esperado trabalhar na África.

Eles chegaram a Rarotonga no dia 20 de maio, 1867. Permaneceram lá por dez anos embora decepcionados, pois faltava o desafio do trabalho pioneiro de missões. Em 1877 seu desejo pelo trabalho de pioneiro foi realizado quando ele foi enviado para Nova Guiné.

Sua esposa faleceu no dia 20 de fevereiro 1879. Em 1888 ele se casou com uma das suas amigas de infância, uma viúva, Sarah Elizabeth Harrison, mas ela também morreu 12 anos depois, em outubro de 1900. Não teve filhos em nenhum dos seus casamentos.

Depois a morte da sua Segunda esposa, James foi encorajado a voltar de Papua para descansar na Inglaterra. Ele respondeu, “Eu não posso descansar enquanto milhares de índios que não conhecem a Cristo estão ao meu redor.” No dia 4 de Abril, 1901, James foi a uma área cheia de nativos conhecidos por serem caçadores de cabeças e canibais. E naquele dia, ao lado do Rio Mosca, ele morreu. Quando ele entrou numa vila, as pessoas ficaram com medo dele, pois nunca tinham visto um homem branco. Eles o convidaram para comer com eles, mas quando ele abaixou sua cabeça para entrar na barraca eles o atacaram batendo nele com porretes de pedra e o esfaqueando com facas feitas de ossos de animais. Eles bateram nele até que a sua cabeça se separou do corpo. A cabeça foi dada para aqueles que o mataram como troféu e o seu corpo para as mulheres cozinharem. Eles devoraram Chalmers e as suas roupas. Meses depois ainda estavam mastigando as solas dos seus tênis.

Era exatamente a maneira que ele queria morrer! Queria que isso acontecesse enquanto ele trabalhava pra Deus e ele estava. Ele não temia os nativos, porque não temia a morte, e ele deu sua vida para a redenção dos canibais. Fielmente ele gastou sua vida na tentativa de levar a luz e liberdade de Jesus Cristo aos pecadores canibais.
Alguns de seus amigos e pessoas da sua família acharam que ele desperdiçou a sua vida. “Ele tinha tanto potencial e jogou tudo fora para falar de Jesus para uns índios primitivos, canibais”.

Só que aquela vila onde ele morreu tem convertidos da quinta geração até os dias de hoje. Então, quando vocês estiverem diante de Deus, quem vocês acham que na opinião dele desperdiçou a vida... pessoas que glorificaram o nome dele como James Chalmers ou pessoas que viveram as suas vidas medíocres e egocêntricas como você?
Você foi criado com um propósito, não importa o que a religião ou a “igreja” diga. Nós precisamos é de Deus mesmo.

João Vitor

Um comentário:

Gesiel Avilla disse...

Venho apenas agradecer pelo texto a respeito de James Chalmers. Ele será utilizado em um trabalho de missiologia por mim.
Grato.

Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss