Ser Infantil é bom


Como crianças

“Não sabes que a opinião acertada sem justificação conveniente não é sabedoria – pois como poderia uma coisa ser sabedoria se não sabemos fundamentá-la? E também não é ignorância, porque o que atinge a verdade não pode ser ignorância? “ Platão

Acho fascinante a maneira como as crianças conseguem lidar com umas das capacidades mais maravilhosas do ser humano, a imaginação. Cara, como isso mexe comigo. Pois essa facilidade que elas têm em interagir às leva a literalmente entrar na realidade que lhes é apresentada e ir além do que a maioria das pessoas diz que é real, isso é lindo e também pode ser usado para o ensino de coisas realmente importantes e úteis.

Como as crianças são preciosas! Precisamos aprender a como investir melhor nelas.
Bom gostaria de compartilhar com vocês uma parte de um texto muito interessante de Tiago Branco que fala um pouco sobre essas belas características infantis, no bom sentido da palavra, que Jesus nos encoraja a ter e C.S. Lewis nos levou a pensar através das Crônicas de Nárnia.

“Sabemos das qualidades das crianças. São de um modo geral alegres, generosas e capazes de esquecer e perdoar quase tudo. Têm também algumas particularidades menos boas, como a de se deixarem facilmente comprar por delícias turcas. Mas penso que a qualidade que mais as qualifica para entrar no reino de Deus é a sua abertura de coração, a sua simplicidade e humildade. São como nós também já fomos, sem medo ou vergonha de aceitar e abraçar a existência de um reino, para além do que podemos ver ou tocar, com leis muito próprias, em que o tempo não passa, e em que uma “magia profunda” define o bem e o mal. Um universo com uma nova lógica, em que os primeiros são os últimos e os últimos são os primeiros, em que os maiores são humilhados e os menores exaltados, e em que um menino enganador se transforma num justo. Tão diferente é esse mundo daquele que conformados entendemos, que não poderemos vê-lo nem participar dele se não nos tornarmos como crianças.
As crianças não percebem toda a profundidade da mensagem de Nárnia. Apenas desejam ser eles a entrar naquele guarda roupa, desejam ter também uma poção que cura todas as feridas, e estar presentes quando Aslan ressuscita velhos amigos com o seu sopro. As crianças sonham em poder abraçar o leão e ter o seu próprio encontro com o Papai Noel, que não aparecia há cem anos. É por isso que estão em vantagem. Acho que Lewis também não pretendia que as crianças compreendessem a profundidade de todas as verdades espirituais que retratava. Sabia, no entanto, que apenas ao aceitarem as leis de Nárnia e ao se envolverem com as suas histórias, as crianças estariam a ser preparadas para aceitar e mais tarde compreender melhor o reino de Deus. Estariam a ser instruídas na verdade.
Por outro lado, Lewis sabia que os seus livros seriam também lidos por pessoas como eu. E que essas pessoas se iriam sentir muito desconfortáveis ao perceber que se tinham auto-excluído do mundo da fantasia, onde se abrem as portas para novos entendimentos e dimensões do reino. Lewis sabia que estaria a encorajar adultos racionalistas (provavelmente pensando também em muitos dos seus colegas) a prescindirem das amarras de uma razão caída, e assim se abrirem para a possibilidade de não tendo de fundamentar a verdade, saírem da ignorância.
Crianças e adultos devem a C. S. Lewis a gratidão e o reconhecimento não apenas pelo legado de muitos momentos de beleza e aventura, mas sobretudo por uma ajuda inestimável para aquilo que permite o verdadeiro encontro com Deus: a Fé.”

João Vitor

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Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss