Simplicidade no Expressar


Certa vez, enquanto estava assistindo um especial que a rede Globo fez em tributo a Raul Seixas, vi Paulo Coelho comentar mais ou menos com essas palavras:

"Raul me salvou de uma viagem sem volta, a viagem de escrever de maneira cada vez mais dificil e erudita. Ele me ensinou a simplicidade"

Bom, nós somos seres que ansiamos comunicar e expressar nossos pensamentos e crenças e, por isso, sabemos que as nossas palavras só tem o valor que nós desejamos se conseguimos fazer que as pessoas entendam o que nós estamos querendo dizer através delas. Acho interessante essa declaração de Paulo C. pelo fato de que ele além de escritor é bruxo, ou pelo menos é o que dizem. Bom, mas o ponto que eu quero chegar é: "Se um suposto bruxo se preocupa em se fazer compreensível a qualquer tipo de pessoa, como nós cristãos nos comportaremos em relação a isso?"

...

Eu ainda prefiro a simplicidade das palavras, de forma que tudo que eu fale, ou tenha a intenção de falar, se torne claro como cristal para as pessoas ao meu redor. Creio que Jesus era tão simples de se entender que havia necessidade de ele contar parábolas para que somente os seus discípulos o compreendessem.

Já estava pensando nisso um tempo atrás, hoje reli este texto e resolvi compartilhá-lo com vocês, ele fala um pouco sobre a vida de C. S. Lewis e faz umas referências a sua capacidade de descrever de forma simples coisas complicadas. Encontro mais "erudição" nesse tipo de atitude do que em complicar o que é simples e complicar ainda mais o que já é por natureza complexo.

Boa Leitura!

"VIDA E OBRA DE C. S. LEWIS

Clive Staples Lewis (1898-1963), natural de Belfast, Irlanda, foi um conhecido professor na Universidade de Oxford, durante 29 anos, e depois professor de Literatura Medieval e Renascentista na Universidade de Cambridge. Educado na Igreja Anglicana, tornou-se ateu na adolescência. Depois duma intensa peregrinação espiritual, voltou à comunhão da Igreja em 1929. Para Christopher Mitchel, diretor do Wade Center, no Wheaton College, onde estão muitos dos escritos de Lewis, na sua autobiografia espiritual, Surpreendido pela Alegria, “Lewis gasta todo o livro para chegar ao teísmo, ‘desembrulhando-o’ cuidadosamente, mas o seu movimento em direção a Cristo acontece em duas ou três frases. É tudo o que diz. Ao fim do dia, Lewis acreditou que no Cristianismo somos confrontados com uma pessoa a quem dizemos sim ou não... E isto é muito evangélico.” Este acadêmico talentoso comunicou a fé cristã com clareza, imaginação, sem superficialidades. Nas palavras de Mitchel, “tinha um rara capacidade para dar uma forma imaginativa à doutrina cristã” .
Lewis começou a tornar-se conhecido quando em 1941 escreveu a sátira The Screwtape Letters (Cartas do Inferno / Vorazmente Teu), com instruções de um demônio veterano ao seu jovem sobrinho, um tentador em princípio de carreira, sobre como conquistar o coração dos novos crentes. Pouco depois, a pedido da BBC, faria 29 palestras na rádio que dariam origem ao livro Mere Christianity (Cristianismo Autêntico / Cristianismo Puro e Simples).
Lewis escreveu mais de cinquenta obras de referência, em vários gêneros: novelas, poesia, literatura infantil, fantasia, ficção científica, crítica literária e apologética, sermões e muitas cartas. A escrita de Lewis emana prazer e divertimento. É irônico e sarcástico. Escreveu sobre coisas complexas e sobre coisas muito simples. Recorre a exemplos e analogias, conseguindo uma comunicação muito precisa. É mestre na arte da imaginação. É um defensor da fé, poderoso em argumentação. Lewis é um apaixonado pelas crianças e um profundo conhecedor dos relacionamentos pessoais e da vida dos animais. Tem um sentido de caráter muito evidente.
C. S. Lewis, membro da Igreja Anglicana, e J. R. R. Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis), católico, eram grandes amigos. Foi no contexto desta amizade e dado o amor de ambos por histórias míticas, que eles se determinaram em trazê-las para a leitura pública. Ambos acreditavam que através dos mitos e lendas – a forma como muitas culturas passaram as suas crenças durante gerações – seria possível passar um sabor do Evangelho, atravessando as barreiras e os filtros das mentes secularizadas. Sem esta amizade, não conheceríamos a Terra Média nem Nárnia.
C. S. Lewis veio a casar, em 1956, com Joy Davidman Gresham, uma judia americana convertida, quando esta lutava contra um cancro. Joy morreria em 1960, altura em que Lewis escreveu o pungente A Grief Observed (Dor). Esta história de amor daria origem ao filme Shadowlands, produzido pela BBC. C. S. Lewis morreu na sexta-feira, 22 de Novembro de 1963, no mesmo dia em que morreram J. F. Kennedy e Aldous Huxley.
Citações de C. S. Lewis:
“Todos os mortais tendem a tornar-se naquilo que fingem ser.”
Vorazmente Teu, carta X, parágrafo 2
“Eu creio no Cristianismo tal como creio que o Sol nasceu, não apenas porque o vejo mas porque através dele eu vejo todas as outras coisas.”
Peso da Glória, parágrafo 24.
“O Filho de Deus tornou-se homem para possibilitar que os homens se tornem filhos de Deus”.
Cristianismo Puro e Simples, livro IV, capítulo 5, parágrafo 1
“Mera mudança não é crescimento. Crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento.”
Selected Literary Essays, “Hamlet: The Prince of the Poem”, parágrafo 23.
Obras de C. S. Lewis publicadas em português
As Crônicas de Nárnia (Editorial Presença, Lisboa), Aquela Força Medonha (Europa-América, Mem-Martins), Para Além do Planeta Silencioso (Europa-América, Mem-Martins), Perelandra (Europa-América, Mem-Martins), Vorazmente Teu (Grifo, Lisboa), Dor (Grifo, Lisboa), A Experiência de Ler (Porto Editora, Porto), Cristianismo Puro e Simples (ABU, S. Paulo, Brasil), O Problema do Sofrimento (Mundo Cristão, S. Paulo, Brasil), O Grande Abismo (Mundo Cristão, S. Paulo, Brasil), Milagres (Mundo Cristão, S. Paulo, Brasil), Os Quatro Amores (Mundo Cristão, S. Paulo, Brasil), Surpreendido pela Alegria (Mundo Cristão, S. Paulo, Brasil) e Peso da Gloria (Vida Nova, S. Paulo, Brasil).

Por Fernando Ascenso"

Revisado por João Vítor

2 comentários:

Aline Ramos disse...

Estou lendo "O melhor de A.W.Tozer", e uma das características que mais me chamou a atenção nos textos de Tozer foi exatamente a simplicidade com que ele escrevia. É lindo. É tão simples e acessível que facilmente expressa o que sentimos. Realmente isso é algo muito importante.

João Vitor disse...

A simplicidade é uma ferramenta bem útil qnd vc quer pasar uma mensagem. Isso mesmo Aline, ele é bem simples mesmo, gosto muito de Tozer tbm...

abraço

Deus te guie!

Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss