Reflexão sobre o nosso tempo...


Escrevi o texto a seguir após passar um tempo pensando, ouvindo e lendo sobre nossos dias. Para qualquer um, cristão ou não, que já tenha feito isso fica fácil de se perceber que as palavras de Jesus: “Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará”* eram verdadeiras.

Há um tempo atrás estava vendo uma entrevista com o ator Anthony Hopkins em que ele comentava sobre sua visão do que o ser humano tem se tornado nos nossos dias, algo mais ou menos no sentido de: ”Hoje as pessoas têm desprezo pela sua humanidade. Desejam ser o Homem-aranha e o Super-homem, detestam sua humanidade e se tornam casa vez mais parecidas com máquinas. E isso é só uma fuga para não encararmos a realidade de que somos nada.”
Achei tudo isso muito interessante, primeiro por ter vindo da fonte que eu nunca suspeitaria que viesse, segundo, que por mais que seja a nossa realidade hoje essa tendência apática da humanidade não é nenhuma novidade na história da humanidade. William Barclay nos conta isso de uma forma bem fácil de entender em seu livro “As Obras da Carne e o Fruto do Espírito”
“Todas as filosofias contemporâneas ao cristianismo tinham um só objetivo: a única coisa que todos procuravam era a paz de espírito, ataraxia (grego), serenidade, tranqüilidade, o coração em repouso. A fim de chegaram a isto, todas elas, de uma forma ou outra, insistiam na absoluta necessidade de duas qualidades básicas. A primeira era autarkeia (grego), que significa a perfeita auto-suficiência, a perfeita independência de qualquer objeto ou pessoa. Autarkeia é a atitude da mente que acha a sua felicidade e paz inteira e exclusivamente dentro de si mesma. A segunda tinha uma relação estreita com ela; era apatheia (grego). Apatheia não é a apatia no sentido da indiferença; apatheia é essencialmente a incapacidade de sentir alegria ou tristeza, gozo ou mágoa; é a atitude de coração e mente que não pode ser tocada por qualquer coisa que por ventura pudesse acontecer a si mesma ou a outrem. É o coração isolado de todos os sentimentos e emoções. [...]
Por essa razão, a filosofia é um treinamento que visa atingir a indiferença. Epíteto insiste em que os homens nunca devem fixar seu coração em qualquer objeto ou pessoa, porque nada e ninguém deve ser uma necessidade para nós. O homem deve ensinar-se a não se importar com nada. Que comece com coisa sem importância – uma vasilha, ou xícara que, de qualquer maneira, pode ser facilmente quebrada. Que avance um pouco mais, para uma túnica, um miserável cachorro, um mero cavalo, um pedaço de terra. Se algo acontecer alguma destas coisas, que aprenda a não se importar. Depois, finalmente, chegará aos poucos a uma etapa em que não se importará com que acontece a seu próprio corpo, quando poderá perder os filhos, a esposa, os irmãos – sem se importar com isso (Epíteto: Discursos 4.1.110, 111)”

Às vezes acho engraçado como as coisas acontecem na vida, semana passada eu havia lido o texto acima e agora à tarde recebi um e-mail que serve como um exemplo muito bom daquilo que já acontecia na época do Novo testamento e nos aponta o problema e a solução que falaremos mais a frente. O texto a seguir é de Arnaldo Jabor** e foi escrito para o JORNAL O DIA.

“Estamos com fome de amor...
O que temos visto por ai ???
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micro e transparentes. Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas???
Chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível. E não é só sexo não! Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida?
Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama ... sexo de academia . . .
Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalísticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega?
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. Se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens? (mais que verdadeiras) É preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, famílias preconceituosas...
Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...
Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...
Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem a ver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida....
E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza?
Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se é pequeno demais, pra quê pensar nele?"
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
O que realmente não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda na TV, e também na playboy e nos banheiros. Eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos. Gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso.
Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...
Por que ter medo de dizer isso, por que ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo"?
Então, não se importe com a opinião dos outros. Seja feliz!
Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!”

Um texto verdadeiro, de um homem que teve a percepção do que está ao seu redor e apontou a solução que compreendeu. Entretanto, a grande verdade é que todos nós estamos sofrendo, seja de uma forma ou de outra, e como já dizia o sábio, “não há nada novo debaixo do sol.” *** essa teoria de buscar a alegria suprema da vida no amor puramente natural, romântico ou fraternal é bem antiga e vive até hoje. Mas houve filósofos como Marco Aurélio, em suas Meditações, e Epíteto, em seus Discursos. Basicamente, a definição de amor da nossa sociedade é sociedade não parte da nossa identificação com os outros, ou da simpatia para com os outros ou até da nossa participação do sofrimento dos outros, na maioria das vezes nem sequer pensamos sobre alguém quando não temos nada a ganhar em troca, não perdoamos de maneira fácil àqueles que dizemos que amamos e deixamos de “amá-los” rapidamente. Não existe mais o “amor ama sem ser amado“, e o que mais me perturba nisso é que o que faz do amor algo tão maravilhoso é justamente isso, o fato de ele não negar a sua natureza quando não é correspondido. Porque é nisso que é manifesto e consiste o amor que “não se altera quando vê alguma alteração”.
“Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como sacrifício que desvia sua ira pelos nossos pecados.” ****

Um mundo frio e calculista se choca violentamente contra o amor de Deus, pois enquanto ele diz: “Se ensine a não se importar com os homens.”
Deus Diz: “Se ensine a se importar apaixonada e intensamente com os homens”
Mundo diz: ”Você não deve de forma alguma ficar pessoal e emocionalmente envolvido na situação das pessoas.”
Deus diz: “Você deve entrar na situação de modo que você veja, pense e sinta com os olhos, mente e coração dos outros.”

Todos somos escravos, só precisamos identificar para nós mesmos do que ou de quem. Não há na natureza terrena algo que possa saciar a fome do homem, porque seus desejos apontam para o pecado e a natureza do pecado é de autodestruição e morte.
Por mais estranho que pareça só a escravidão a Deus é a solução para a libertação do homem e Seu perfeito amor a chama que pode esquentar filhos devem usar nessa caminhada pelo mundo.

João Vítor

* Mateus 24:12
**Carioca nascido em 1940, o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor já foi técnico de som, crítico de teatro, roteirista e diretor de curtas e longas metragens. Na década de 90, por força das circunstâncias ditadas pelo governo Fernando Collor de Mello, que sucateou a produção cinematográfica nacional, Jabor foi obrigado a procurar novos rumos e encontrou no jornalismo o seu ganha-pão. Estreou como colunista de O Globo no final de 1995 e mais tarde levou para a TV Globo, no Jornal Nacional e no Bom Dia Brasil, o estilo irônico com que comenta os fatos da atualidade brasileira.

***Eclesiastes 1:9b

**** I João 4:9-10

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Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss