Um sonho de liberdade


Liberdade é a melhor de todas as coisas a ser conquistada, a
verdade, lhe digo então:
nunca viva com os grilhões da escravidão. (Willian
Wallace)
Nos últimos dias, tenho refletido bastante sobre a liberdade. Fico pensando: o que é liberdade? O que é ser livre? Eu sei, é difícil falar sobre liberdade quando se vive num sistema regrado por leis que determinam normas de conduta e comportamento. Vivemos sob o império do Estado como instituição política e estamos subordinados às suas leis. Isso é o chamado contrato social que os homens celebraram e pelo qual renderam parte de sua liberdade em prol da vivência pacífica em sociedade (quem lê Rosseau que entenda). Mas em prol da reflexão quero falar sobre a liberdade de pensar diferente.

Instituições históricas sempre reprimiram aqueles que pensavam diferente. Poderíamos citar vários casos de pessoas que foram martirizadas por pensarem diferente e ansiarem por liberdade: Tiradentes, John Huss, Bonhoeffer, até Jesus. Tais homens tinham em comum o sonho pela liberdade. Queriam que as pessoas fossem livres e que pudessem ser e existir sem medo de repressões apenas dando asas as mais loucas aventuras do pensamento. Jesus disse certa vez: E quando vocês conhecerem a verdade ela os tornará livres. Em outras palavras, a essência da verdade reside na liberdade.

Lutero é um grande exemplo de um homem que sonhou com a liberdade e ousou ser diferente, ser ele mesmo. Atormentado com seus pecados descobriu no fundo do poço a essência da graça. Essa percepção trouxe a ele um insight, a sensação de que todos precisavam experimentar essa mesma graça que o havia alcançado. O justo viverá pela sua fé, para Lutero o homem deveria ser livre dos seus medos. Essa libertação só poderia ocorrer quando o homem percebesse que não seus méritos que o tornam justo perante Deus, e sim sua fé.

Numa primeira análise isso é muito lindo. O problema é que liberdade gera independência. O homem se tornaria independente da religião, pois sua fé estava em Cristo e o homem agora achegaria-se a Cristo sem a necessidade de mediação (doutrina do sacerdócio universal). Essa liberdade enfraquece o poder da instituição, pois a instituição depende de servos “fiéis” (robôs) que obedeçam seus ditâmes e nada questionem.

A teologia de Lutero foi o golpe fatal no espírito medieval e a luz no fim do túnel para a modernidade.

Vivemos dias difíceis. O protestantismo (consagrado no passado pela ousadia de pensar diferente) virou uma fábrica de salsichas. Padrões, paradigmas, leis, títulos. Até o livre exame das escrituras é condicionado pelos credos e confissões de fé. É até escândalo se falar em liberdade no meio protestante. Os que pensam diferente são considerados hereges subversivos que querem “corromper a fé”. Quanta besteira! Que fé é essa? Protestante tenho certeza que não é! Pois está muito longe do espírito do protestantismo.

Mesmo assim, eu ainda sonho com a liberdade. Quero ter asas e voar. Voar nas asas do pensamento. Tendo a certeza de que tudo está feito. Já está consumado! Cristo me libertou de forma que eu entro no mundo livre de tudo e de todos apenas com minha liberdade.
Livre da lei, vivo sob a graça.

Livre das instituições, sou amigo de Deus.

Livre das ambições megalomaníacas, sou eu mesmo sem repressões.

Livre!
Retirado do ótimo blog Espaço das idéias.

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Ficarei em silêncio? Deus não permita!
Ai de mim, se me calar.
É melhor morrer, do que não me opor diante
dessa impiedade, que me faria participante da
culpa do inferno.


John Huss